Dorival Jr. escreveu: ↑16 Out 2022, 03:51
Estou nessa vida há quase 15 anos.
E, sendo sincero, não foram poucas as vezes que transei sem camisinha com GPs. A maioria delas, num período complicado de minha vida, onde fui inconsequente e não pensava no amanhã.
Meses atrás, fazendo um retrospecto mental, fui relembrando e contabilizando as vezes que fiz na pele (99% por vontade de ambos msm, sem ser acidental). Cheguei ao número impressionante de 49 GPs. Veja bem, foram 49 GPs diferentes, não 49 vezes apenas. Com várias delas (pelo menos metade), fiz mais de uma vez. Com algumas delas, fiz MUITAS vezes (10x ou mais). GPs de trash, de privê e GPs de luxo. Fiz todo tipo de sexo: vaginal sem gozar dentro, vaginal gozando dentro, anal sem gozar dentro, anal gozando dentro, ménage sem camisinha (tirava de uma e botava na outra), enfim...
Vivi no limite da razão e da loucura. É uma sensação de prazer indescritível.
Mas não compensa. O day after é sempre muito pesado. Passei por crises de ansiedade horrorosas, me tornei hipocondríaco e assíduo em consultório de urologia. TUDO parecia ser sintoma ou indício de que eu havia me infectado, que enfim a minha falta de amor próprio havia me condenado. Um resfriado? "Peguei HIV". Uma coceira? "Peguei herpes". Uma mínima protuberância qualquer na região íntima? "Peguei X, Y ou Z". Uma fisgada na região do saco? "Peguei alguma merda que desceu pro testículo". Uma simples dor de garganta por refluxo causado por stress e noites mal dormidas? "Peguei HPV e virou câncer". Eu juro que quase enlouqueci.
Foram uns 5 anos nessa vida de recaídas e juras de nunca mais errar (e aí eu errava de novo). Inúmeras noites em claro, inúmeras pesquisas no Google sobre sintomas e características de todo tipo de doença. Cheguei a psicossomatizar doenças terríveis. Desenvolvi pânico, gastrite por stress, enxaquecas diárias. Fiz incontáveis exames de sangue e até PCR para diversos tipos de DST: HIV, sífilis, hepatites A, B e C, clamídia, gonorréia, HTLV, citomegalovírus, herpes...
Incrivelmente, nunca me infectei com nada. Nem uma mísera herpes (dessas que vc pega beijando, fazendo sexo oral, ou msm bebendo num copo compartilhado) eu peguei. Diria que meu anjo da guarda é MUITO forte, porque a minha cota de loucuras eu estourei faz tempo. Conto minha história para amigos e todos ficam chocados, tanto com a minha sorte, quanto com o grau de quase sociopatia das minhas atitudes.
Faz uns 3 anos ou mais que eu me livrei desse vício, pelo menos por enquanto. Considero um vício porque tem todas as características de um: impulso, irracionalidade, repetição. Não julgo quem faz, porque sei como é difícil resistir. Repito: é um vício, como usar droga, beber álcool ou apostar em jogo. Não basta apenas o tom acusatório, moralista ou repetir a ladainha do discurso sanitarista de que "precisamos nos cuidar". É preciso mais, é preciso deixar claro para o viciado o buraco em que ele se encontra.
Meu conselho é: não compensa. Faça um esforço, compre camisinhas fininhas tipo Skyn, faça exercícios pra manter a forma mínima (e uma boa ereção). Não compensa perder saúde mental (pra não falar da saúde física msm) por 20 minutinhos de foda ao natural. Você nunca saberá quando seu anjo da guarda estará de folga, quando você será o sorteado.
Só basta um único deslize pra dar uma merda grande (que pode custar dias, semanas, meses ou, com azar, até mesmo o resto de sua vida).