O ÚLTIMO TD — UM TRIBUTO À ILUSÃO (BY DANTE)
Enviado: 18 Mar 2023, 14:06
“Você diz a verdade
E a verdade é seu dom de iludir
Como pode querer que a
Mulher vá viver sem mentir.”
(Caetano Veloso)
A APROXIMAÇÃO
Ela era uma dessas mulheres que possuía o maravilhoso dom de iludir, e isso não é pouca coisa numa profissão em que a desilusão impera. Quando nos conhecemos, entretanto, quem criou a primeira fantasia fui eu, para conseguir encontrá-la precisei ocultar o nick sob o disfarce de outro personagem. Ela nutria o receio de me conhecer devido às muitas lendas que me orbitavam.
Era uma mulher cujo talento tornava inevitável o nosso desejo de aproximação, não fui exceção à regra. Ao sair da sua sala, após o nosso primeiro contato, acompanhou-me a vontade de revisitá-la o mais breve possível. Retornei algumas vezes, até que percebi que seria melhor interromper aquela escalada monotemática e resgatar a minha veia de libertino solo. Cheguei a bloqueá-la em meu celular, pressenti o perigo do vício sorrateiro.
A REAPROXIMAÇÃO — A HISTÓRIA DA AMIZADE UNILATERAL (JUNHO DE 2022)
Meu aniversário se aproximava, eu quis me presentear com uma companhia que pudesse estar à minha altura, rememorei as moças com quem saí nos meses anteriores e não tive dúvidas sobre a escolha mais certa: ignorando meus instintos, eu a escolhi, escolhi Ela.
Restava saber se Ela aceitaria a minha proposta de ficar uma semana ao meu dispor, aceitando os convites para passeios e aventuras. Ela foi gentilíssima e concordou em me oferecer sua companhia naquela semana que eu queria tornar especial para minha memória. Foram dias felizes, almoçamos, visitamos pontos históricos do Centro do Rio, fomos juntos ao teatro, ao cinema, trocamos carícias, ganhei um bolo e um cartão carinhoso que ainda guardo comigo.
Há quem pense e diga que tive um caso com Ela, mas isso é uma inverdade brutal, pois além dos impedimentos técnicos que emergiram com o passar do tempo, Ela não é uma mulher que pratique o tipo de exclusividade que eu tanto valorizo. Ela compartilha sua história com muitos dos seus entusiastas, exibe ciúmes que não eram um privilégio só meu, é possível até que tenha a capacidade de viver múltiplos relacionamentos íntimos e inofensivos. Nada disso é condenável, Ela é uma mulher bonita, deve ter suas carências e não escapou dos vícios e armadilhas da profissão que escolheu.
As únicas exclusividades que estou certo de ter conquistado com Ela nasceram do meu perfil atencioso e do meu próprio afeto. Em determinado momento, decidi ser leal, manter-me somente ao seu lado, ignorei outras mulheres, me empenhei em conhecê-la melhor, em compreendê-la, em ser seu amigo sincero, guardando um carinho enorme e uma imensa admiração por sua inteligência. Sim, Ela é uma mulher inteligente, mesmo não compartilhando comigo o gosto pela leitura, pelos livros, que talvez atribuíssem mais conteúdo à sua perspicácia intelectual.
Acredito que nossas conversas diárias ao telefone também se apresentassem como uma exclusividade que Ela me dedicou, me ligava todos os dias, diversas vezes ao dia. Conversávamos por muito tempo, conversávamos sobre vários assuntos, fofocávamos, brigávamos, fazíamos as pazes. Nos fins de semana, entretanto, esse contato intenso se interrompia, o que me despertava curiosidades indiscretas, mas o respeito pelo espaço alheio me fazia aceitar resignado o fato.
A maior dificuldade demonstrada por Ela sempre foi a de confiar em mim, o que é compreensível em pessoas que exercitam diariamente o talento da ilusão. Não nego que a constante desconfiança sobre as minhas intenções me oprimia, mas não desisti de investir no afeto fraterno que eu nutria por Ela.
Avançamos assim, aos trancos e barrancos, eu com minha boa-fé, Ela com as suspeitas que sempre fazia questão de alimentar ou simular. Eu me sentia como um amigo mais íntimo dela do que os demais admiradores, talvez pelas conversas diárias, pelas mensagens de boa noite antes de dormir, pelos convites para vê-la em seu apartamento todas as semanas. Acreditei nessa exclusividade, mas quem pode garantir que não era apenas a minha própria ilusão? Não importa, me sentia feliz e um pouco mais completo enquanto acreditei ser um amigo querido e indispensável.
Confesso, eu adorava presenteá-la, não com qualquer presente, sou um homem de refinos. Gostava de surpreendê-la com algo bonito, de ver a sua reação ao abrir o embrulho, de sentir sua alegria quando aprovava as minhas escolhas para mimá-la. Saudade de praticar isso novamente por alguém que me inspire a ter impulsos assim.
A AUSÊNCIA
Na primeira ocasião em que se ausentou do trabalho desde que nos conhecemos, visitou-me algumas vezes no meu chalé na bucólica Tijuca. Dizia gostar da minha casa, da minha cachorrinha (ainda filhote), tomávamos café da tarde e saboreávamos a simplicidade do pão francês que Ela amava. Aos que possam pensar que este relato é uma declaração de amor, enganam-se, é apenas uma homenagem à amizade e ao afeto que eu nutri por Ela, um sentimento que certamente era mais meu do que dela. Nada invalida, porém, os tantos bons momentos que experimentamos juntos, mesmo quando intercalados por tensões desnecessárias e fúteis.
Você só desenvolve o verdadeiro afeto por alguém quando aprende a tolerar as frustrações da relação, desde que essa tolerância não viole a dignidade das partes envolvidas. Eu exercitei muito a minha tolerância com Ela, pois carrego um temperamento de extrema paciência. Alguns podem afirmar que é defeito, eu considero virtude.
Sou um homem que seleciona rigorosamente as amizades e os afetos, estava tentando incluir Ela neste círculo restrito que me rodeia e que compartilha da minha intimidade. Antecipo que falhei, não existe fé que sobreviva às sombras que encobrem as intenções do espírito.
Só quem cria a ilusão pode desfazê-la. Muitos devotos de Ela ficaram ansiosos pela sua volta, somaram-se meses desde o dia em que se retirou. Ventilaram por aí a ideia absurda de que “Ela sumira por minha causa”. Jamais. De uma forma ou de outra, respeito todos que passaram pela minha biografia.
Alguns me perguntavam quando Ela retornaria... Confirmando a minha posição na vala comum na vida dessa moça consagrada, o que posso dizer é que desconhecia qualquer previsão.
A última frase que recebi dela afirmava que “tinha o direito de NÃO compartilhar comigo o seu momento pessoal”, uma sentença que serviu como a pedra que estilhaçou definitivamente todas as ilusões sobre a minha conexão imaginária com Ela .
A beleza da boa amizade é o desejo de dividir a alma sem filtro. Por isso, creio que conheci Ela mais do que a sua vontade de me conhecer. Cultivei o interesse humano de valorizar a sua jornada.
Conversamos até o último dia antes que Ela saísse de cena. Prometemos manter contato, falamos de bons sentimentos, da necessidade que Ela tinha de descanso, pedi que mantivesse contato, mas pressentindo que Ela desprezaria o pedido.
Desapareceu. A amizade pode ser um ponto de vista muito particular e não compartilhado pelo outro.
O ÚLTIMO TD — JANEIRO DE 2023
Duas semanas ou três semanas antes de se ausentar, foi o período em que senti mais harmonia com Ela. Nossas conversas eram alegres, divertidas e mais intensas do que nunca. Realizamos fantasias eróticas, Ela me presenteou pela primeira vez com dois livros valiosos num dia glorioso em que visitamos a Biblioteca Nacional. Estava mais à vontade para assumir a minha companhia ao seu lado. Foi um período de paz e otimismo.
É provável que, por isso, eu tenha sentido um tesão avassalador por Ela antes que se ausentasse. Pedi para ir ao seu apartamento, a beijei como se fosse a primeira vez, deitei-a na cama, explorei cada pedacinho do seu corpo com minha língua, chupei seus seios como se neles residisse o sentido da vida. Ela me fez um boquete inesquecível, chupou meu saco como só ela sabia chupar, o que me lembro é que gozei exasperadamente no último dia em que nos vimos.
APENAS O FIM
Como eu disse, gosto realmente de praticar a compreensão, detesto quando percebo que estou julgando alguém, procuro logo me corrigir. Exercito diariamente a minha tolerância com o outro a partir da prática da interpretação benevolente dos gestos. Foram pouquíssimas às vezes em que considerei alguma atitude comigo imperdoável. Aprecio perdoar, assim como não evito me desculpar quando reconheço meus erros. Fui um amigo dedicado de Ela, não namorado. Namorar com Ela nunca foi possível.
Tentei compor aqui um texto elegante, que pudesse refletir a minha postura diante do turbilhão de acontecimentos que o destino nos traz. Prezo demais a elegância e a polidez. Por que escrevo esta crônica? Escrevo porque sou um escritor que não descarta os bons temas por nada; escrevo porque sou um jornalista que tem preferência por narrar histórias com alma.
O que ouvi é que a ausência de Ela afetou muitos dos seus adoradores, eles ansiavam pelo seu retorno, é óbvio que havia muita influência da libido nessa ansiedade. Eu não praticava muito sexo com Ela, meu sentimento era cada vez mais fraternal, o que considerei uma transformação importante em mim.
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta” — escreveu Guimarães Rosa.
A gente diz tantas palavras, vive tantas situações, tantos afastamentos, silêncios e perdas. Há pessoas que escolhem nos iluminar; outras, morrem dentro de nós e deixam uma penumbra sobre o nosso coração.
Ciclos findam e recomeçam.
Quando envelhecemos, quando o passado se torna maior do que o futuro, é indispensável celebrarmos todos os recomeços.
E a verdade é seu dom de iludir
Como pode querer que a
Mulher vá viver sem mentir.”
(Caetano Veloso)
A APROXIMAÇÃO
Ela era uma dessas mulheres que possuía o maravilhoso dom de iludir, e isso não é pouca coisa numa profissão em que a desilusão impera. Quando nos conhecemos, entretanto, quem criou a primeira fantasia fui eu, para conseguir encontrá-la precisei ocultar o nick sob o disfarce de outro personagem. Ela nutria o receio de me conhecer devido às muitas lendas que me orbitavam.
Era uma mulher cujo talento tornava inevitável o nosso desejo de aproximação, não fui exceção à regra. Ao sair da sua sala, após o nosso primeiro contato, acompanhou-me a vontade de revisitá-la o mais breve possível. Retornei algumas vezes, até que percebi que seria melhor interromper aquela escalada monotemática e resgatar a minha veia de libertino solo. Cheguei a bloqueá-la em meu celular, pressenti o perigo do vício sorrateiro.
A REAPROXIMAÇÃO — A HISTÓRIA DA AMIZADE UNILATERAL (JUNHO DE 2022)
Meu aniversário se aproximava, eu quis me presentear com uma companhia que pudesse estar à minha altura, rememorei as moças com quem saí nos meses anteriores e não tive dúvidas sobre a escolha mais certa: ignorando meus instintos, eu a escolhi, escolhi Ela.
Restava saber se Ela aceitaria a minha proposta de ficar uma semana ao meu dispor, aceitando os convites para passeios e aventuras. Ela foi gentilíssima e concordou em me oferecer sua companhia naquela semana que eu queria tornar especial para minha memória. Foram dias felizes, almoçamos, visitamos pontos históricos do Centro do Rio, fomos juntos ao teatro, ao cinema, trocamos carícias, ganhei um bolo e um cartão carinhoso que ainda guardo comigo.
Há quem pense e diga que tive um caso com Ela, mas isso é uma inverdade brutal, pois além dos impedimentos técnicos que emergiram com o passar do tempo, Ela não é uma mulher que pratique o tipo de exclusividade que eu tanto valorizo. Ela compartilha sua história com muitos dos seus entusiastas, exibe ciúmes que não eram um privilégio só meu, é possível até que tenha a capacidade de viver múltiplos relacionamentos íntimos e inofensivos. Nada disso é condenável, Ela é uma mulher bonita, deve ter suas carências e não escapou dos vícios e armadilhas da profissão que escolheu.
As únicas exclusividades que estou certo de ter conquistado com Ela nasceram do meu perfil atencioso e do meu próprio afeto. Em determinado momento, decidi ser leal, manter-me somente ao seu lado, ignorei outras mulheres, me empenhei em conhecê-la melhor, em compreendê-la, em ser seu amigo sincero, guardando um carinho enorme e uma imensa admiração por sua inteligência. Sim, Ela é uma mulher inteligente, mesmo não compartilhando comigo o gosto pela leitura, pelos livros, que talvez atribuíssem mais conteúdo à sua perspicácia intelectual.
Acredito que nossas conversas diárias ao telefone também se apresentassem como uma exclusividade que Ela me dedicou, me ligava todos os dias, diversas vezes ao dia. Conversávamos por muito tempo, conversávamos sobre vários assuntos, fofocávamos, brigávamos, fazíamos as pazes. Nos fins de semana, entretanto, esse contato intenso se interrompia, o que me despertava curiosidades indiscretas, mas o respeito pelo espaço alheio me fazia aceitar resignado o fato.
A maior dificuldade demonstrada por Ela sempre foi a de confiar em mim, o que é compreensível em pessoas que exercitam diariamente o talento da ilusão. Não nego que a constante desconfiança sobre as minhas intenções me oprimia, mas não desisti de investir no afeto fraterno que eu nutria por Ela.
Avançamos assim, aos trancos e barrancos, eu com minha boa-fé, Ela com as suspeitas que sempre fazia questão de alimentar ou simular. Eu me sentia como um amigo mais íntimo dela do que os demais admiradores, talvez pelas conversas diárias, pelas mensagens de boa noite antes de dormir, pelos convites para vê-la em seu apartamento todas as semanas. Acreditei nessa exclusividade, mas quem pode garantir que não era apenas a minha própria ilusão? Não importa, me sentia feliz e um pouco mais completo enquanto acreditei ser um amigo querido e indispensável.
Confesso, eu adorava presenteá-la, não com qualquer presente, sou um homem de refinos. Gostava de surpreendê-la com algo bonito, de ver a sua reação ao abrir o embrulho, de sentir sua alegria quando aprovava as minhas escolhas para mimá-la. Saudade de praticar isso novamente por alguém que me inspire a ter impulsos assim.
A AUSÊNCIA
Na primeira ocasião em que se ausentou do trabalho desde que nos conhecemos, visitou-me algumas vezes no meu chalé na bucólica Tijuca. Dizia gostar da minha casa, da minha cachorrinha (ainda filhote), tomávamos café da tarde e saboreávamos a simplicidade do pão francês que Ela amava. Aos que possam pensar que este relato é uma declaração de amor, enganam-se, é apenas uma homenagem à amizade e ao afeto que eu nutri por Ela, um sentimento que certamente era mais meu do que dela. Nada invalida, porém, os tantos bons momentos que experimentamos juntos, mesmo quando intercalados por tensões desnecessárias e fúteis.
Você só desenvolve o verdadeiro afeto por alguém quando aprende a tolerar as frustrações da relação, desde que essa tolerância não viole a dignidade das partes envolvidas. Eu exercitei muito a minha tolerância com Ela, pois carrego um temperamento de extrema paciência. Alguns podem afirmar que é defeito, eu considero virtude.
Sou um homem que seleciona rigorosamente as amizades e os afetos, estava tentando incluir Ela neste círculo restrito que me rodeia e que compartilha da minha intimidade. Antecipo que falhei, não existe fé que sobreviva às sombras que encobrem as intenções do espírito.
Só quem cria a ilusão pode desfazê-la. Muitos devotos de Ela ficaram ansiosos pela sua volta, somaram-se meses desde o dia em que se retirou. Ventilaram por aí a ideia absurda de que “Ela sumira por minha causa”. Jamais. De uma forma ou de outra, respeito todos que passaram pela minha biografia.
Alguns me perguntavam quando Ela retornaria... Confirmando a minha posição na vala comum na vida dessa moça consagrada, o que posso dizer é que desconhecia qualquer previsão.
A última frase que recebi dela afirmava que “tinha o direito de NÃO compartilhar comigo o seu momento pessoal”, uma sentença que serviu como a pedra que estilhaçou definitivamente todas as ilusões sobre a minha conexão imaginária com Ela .
A beleza da boa amizade é o desejo de dividir a alma sem filtro. Por isso, creio que conheci Ela mais do que a sua vontade de me conhecer. Cultivei o interesse humano de valorizar a sua jornada.
Conversamos até o último dia antes que Ela saísse de cena. Prometemos manter contato, falamos de bons sentimentos, da necessidade que Ela tinha de descanso, pedi que mantivesse contato, mas pressentindo que Ela desprezaria o pedido.
Desapareceu. A amizade pode ser um ponto de vista muito particular e não compartilhado pelo outro.
O ÚLTIMO TD — JANEIRO DE 2023
Duas semanas ou três semanas antes de se ausentar, foi o período em que senti mais harmonia com Ela. Nossas conversas eram alegres, divertidas e mais intensas do que nunca. Realizamos fantasias eróticas, Ela me presenteou pela primeira vez com dois livros valiosos num dia glorioso em que visitamos a Biblioteca Nacional. Estava mais à vontade para assumir a minha companhia ao seu lado. Foi um período de paz e otimismo.
É provável que, por isso, eu tenha sentido um tesão avassalador por Ela antes que se ausentasse. Pedi para ir ao seu apartamento, a beijei como se fosse a primeira vez, deitei-a na cama, explorei cada pedacinho do seu corpo com minha língua, chupei seus seios como se neles residisse o sentido da vida. Ela me fez um boquete inesquecível, chupou meu saco como só ela sabia chupar, o que me lembro é que gozei exasperadamente no último dia em que nos vimos.
APENAS O FIM
Como eu disse, gosto realmente de praticar a compreensão, detesto quando percebo que estou julgando alguém, procuro logo me corrigir. Exercito diariamente a minha tolerância com o outro a partir da prática da interpretação benevolente dos gestos. Foram pouquíssimas às vezes em que considerei alguma atitude comigo imperdoável. Aprecio perdoar, assim como não evito me desculpar quando reconheço meus erros. Fui um amigo dedicado de Ela, não namorado. Namorar com Ela nunca foi possível.
Tentei compor aqui um texto elegante, que pudesse refletir a minha postura diante do turbilhão de acontecimentos que o destino nos traz. Prezo demais a elegância e a polidez. Por que escrevo esta crônica? Escrevo porque sou um escritor que não descarta os bons temas por nada; escrevo porque sou um jornalista que tem preferência por narrar histórias com alma.
O que ouvi é que a ausência de Ela afetou muitos dos seus adoradores, eles ansiavam pelo seu retorno, é óbvio que havia muita influência da libido nessa ansiedade. Eu não praticava muito sexo com Ela, meu sentimento era cada vez mais fraternal, o que considerei uma transformação importante em mim.
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta” — escreveu Guimarães Rosa.
A gente diz tantas palavras, vive tantas situações, tantos afastamentos, silêncios e perdas. Há pessoas que escolhem nos iluminar; outras, morrem dentro de nós e deixam uma penumbra sobre o nosso coração.
Ciclos findam e recomeçam.
Quando envelhecemos, quando o passado se torna maior do que o futuro, é indispensável celebrarmos todos os recomeços.