HELP NOSTALGIA
Enviado: 07 Mai 2025, 16:04
A Help, saudoso e difamado inferninho — um épico de Copacabana. Cravada na Avenida Atlântica, a boate confrontava o oceano com altivez, sem jamais esconder sua vocação libertina. Templo preferido das garotas de programa e dos gringos em peregrinação por aventuras sexuais, serviu-me, em muitas madrugadas, como refúgio e abrigo para os meus delírios solitários.
Por dentro, era uma festa psicodélica. Guardava proporções de um Coliseu, com paredes revestidas de lantejoulas azuis e uma pista iluminada por estroboscópios refletidos em globos espelhados do tamanho de luas interiores. Sobreviveu à virada do século como um cenário fossilizado dos anos 80, congelado no tempo, vibrando sob o som de um hedonismo fora de época. Hoje, demolida, está prestes a renascer — ironicamente — como o Museu da Imagem e do Som. Ali jaz a luxúria, morna e mineral, sepultada sob um mausoléu de concreto e saudade.
Foi entre amazonas, caçadores e forasteiros que ela surgiu da arena erótica e me pediu uma cerveja. Morena e bonita. Não neguei a gentileza. Bebemos e conversamos por um tempo. Em certo momento, a jovem disse que não queria trabalhar naquela noite, e me convidou para nos sentarmos na areia e esperar o Sol nascer. Estranhei o convite, mas aceitei.
Acomodados na praia, me ocorreu que eu sequer sabia seu nome.
— “Brisa” — ela disse.
Imaginando tratar-se de um nome de guerra, perguntei o verdadeiro.
— “Brisa” — repetiu, sorrindo, e mostrou a carteira de identidade, com registro na Bahia.
E foi então que compreendi — que força milagrosa carrega a natureza. Ela floresce em desertos, sopra alento nos porões da humanidade, e, vez ou outra, inspira uma prostituta a abdicar da grana apenas para ver o dia nascer ao lado de um homem qualquer.
E ali, com um beijo delicado, a alvorada se banhou no mar.