BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
“No princípio, era o Verbo...”
(João 1:1-18)
Amanheço-me quando anoitece. A maioria dos melhores momentos da minha vida, as melhores aventuras, tudo isso aconteceu sob o manto da noite. Sempre fui um noturno, mesmo hoje, já envelhecido, é raro que eu durma antes das 3 da madrugada. Minha alma só desperta ao anoitecer. De dia, sou uma criatura deslocada, desgarrada, desorientada.
Há dois seres em mim, um que habita o dia e o outro que existe à noite. É uma ruptura de personalidade. De dia, sou o meu eu convencional; à noite, torno-me o Dante, inclusive, me apresento como Dante para quem conheço pelas esquinas e pelas sombras projetadas das estrelas. Pelas manhãs e tardes sou um professor reservado, buscando sobreviver como tantos outros que circulam por entre prédios e avenidas fumegantes, mas é quando anoitece que visto o meu próprio Indiana Jones, é quando busco a adrenalina que me alimenta.
As minhas memórias, a minha ousadia, eu registro pelas palavras, pelo verbo, pois o verbo criou o mundo e só o verbo reflete o meu universo. Sei que é difícil para outros foristas mais esquemáticos acreditarem nessa fronteira alternativa que pulsa lá fora. Para quem escreve por padrões, modelos, selos e avaliações numéricas, é um desafio crer que há quem viva a vida real e saiba retratá-la. “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades” — escreveu Marx.
Se eu fosse como essa gente que descreve uma comunhão sexual como se preenchesse um relatório de contabilidade ou um memorando repetitivo de escritório, estaria sepultado pelo tédio sem direito à missa de sétimo dia.
"Nem mesmo as trevas serão escuras para ti; a noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz"
(Salmos 139:12)
O motor do Sucatão urrou e abriu caminho entre o silêncio mórbido da garagem. Emergimos na avenida envolta em penumbras da bucólica Tijuca. Costumo conversar com muitas mulheres que respondem ao contato no Tinder, algumas são de comunidades, são as mais sensatas quando pedem algo em troca de um encontro. Nem todas posso anunciar aqui, não aceitam divulgar telefone ou fotos. Tento registrar no site aquelas que me informam ficar em pontos fixos, os mesmos pontos onde marcam os encontros aleatórios. Mariana é uma dessas que me confessou montar praça no misterioso Largo do Pedregulho, em Benfica.
O Sucatão atravessou a solitária rua Ceará ao som de The Cure...
JUST LIKE HEAVEN
Não me perguntem o porquê, mas me invadiu uma euforia no momento em que os pneus do carro deslizavam pelo entorno das almas perdidas que transitam pela Quinta da Boa Vista. Ali, à noite, não vemos pessoas, somente sombras; não escutamos vozes, mas sussurros; nada é seguro, tudo é perigo. Minha alma se reconhece na decadência da nossa Gotham City tropical. Forcei minha bota no acelerador e mergulhei nas trevas como alguém quem encontra oxigênio na escuridão.
Os sobrados velhos, carcomidos; homens e mulheres em trapos vagando sem rumo; o céu brilhando em estrelas que refletiam um passado de anos-luz; o cheiro pútrido de reis e barões que não encontraram a eternidade nos arredores do palácio imperial... São Cristóvão é um cemitério clandestino.
Avancei sobre as ruínas da Rua São Luiz Gonzaga e segui em direção à esquecida Benfica. Mariana marcou nosso encontro em um bar em frente ao Largo do Pedregulho e me pediu para avisar, quando eu chegasse, para uma senhora que vende cachorro-quente no mesmo local. As fotos da menina me impressionaram, um corpo que me fez salivar desejo, que mexeu com os brios do meu flácido Pikachu.
"O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem."
(Provérbios 27:20)
Sou um ateu. Para um ateu, a existência é uma espécie de vácuo sideral. Para nós não existem deuses, entidades, espíritos, preces ou orações. Tudo é concreto, nada é abstrato. Sou um homem emotivo e, ao mesmo tempo, frio. A inteligência me criou muito analítico. Confesso, porém, que há imagens que estremecem o meu equilíbrio racional.
Quando cheguei ao soturno Largo do Pedregulho, logo avistei o bar e junto a ele a vendedora de cachorro-quente. Estacionei de qualquer maneira e me aproximei da tal senhora.
— Boa noite. Não sei se conhece a Mariana, mas ela me pediu para avisar pela senhora quando eu chegasse porque o celular que usa fica sem sinal.
— Ah! A Mariana? Você não quer ir chamar ela, não? É só subir ali. É a terceira casa, é a casa do Lobato.
Quando olhei na direção para qual a vendedora apontava, era uma entradinha estreita, uma ladeira. E a expressão “casa do Lobato” não me animou muito.
— É aquela entrada ali? — preferi confirmar.
— Isso, moço. É uma entrada do Tuiuti.
Tuiuti... todos esses nomes de comunidade me soam fortes. Eu me atrevi a caminhar até a beira da fenda, mas não me senti seguro para me enveredar por ela. Arrisquei enviar um zap para a garota: “Estou aqui no Pedregulho”.
A mensagem entrou, a menina leu e enviou resposta: “Estou descendo”.
Não demorou. Vestidinho colado, pernas torneadas em academia, lábios carnudos, seios pequenos. Uma Deusa. E lá se foi o meu ateísmo.
DISAPPEAR
Sentamo-nos no bar, pedi uma cerveja, a menina bebe bem. Conversamos, confirmamos o valor para aprofundar o encontro. Sugeri o Hotel Xanadu. Trato feito. Partimos.
Dentro do quarto, a menina entra no banheiro e retorna nua. Um corpo de tantas curvas que ameaçou a minha labirintite. Meu coração batucou tão forte que quase sambei. Mariana é deliciosa.
Caí de boca nos seios durinhos, do tamanho de peras maduras. Babei muito nos biquinhos rosados. A moça gemia, alisava minha rala cabeleira. Desci para a vulva e invadi o volumoso clitóris com a língua, Mariana se contorceu forte e avisou que iria gozar. Gozou.
Então, veio o inesperado. A garota se posicionou para chupar o combalido Pikachu. Sinceramente, não sei que técnica a ela usou, mas acho que gozei em 15 segundos, e gozei muito. Fiquei frustrado, eu sabia que não conseguira mais render.
Mariana me perguntou se poderíamos dormir no hotel, que o valor combinado seria o mesmo, estava cansada. Assenti e respondi que seria justo não cobrar a mais, pois nada mais aconteceria devido às minhas limitações físicas. Dormimos.
Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.
(Gênesis 1:4-5)
Os primeiros raios da aurora invadiram o quarto. Acordei e preferi me vestir. Avisei a Mariana que ela poderia continuar dormindo, que deixaria o hotel pago e uma grana para o táxi. Ela concordou sem resistência.
Entrei no Sucatão, acionei o motor, a porta da garagem se abriu, emergi em direção à movimentada Rua São Cristóvão. Liguei o rádio. Qualquer ateu sabe que o amor é uma mentira. O Sol atingiu meu rosto, os olhos, as vísceras mais profundas. Tornei-me o outro. Estranhamente, naquela manhã, me senti feliz...
I WANNA GO