Fazer Login Criar Conta Dark

Tópico da PONTO DE RUA

Av. Mem de Sá, Centro
Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ


membro
membro

HORAS DE SEXO
622h:40m

RELATOS:
489

POSTAGENS:
1297

Membro desde
27/05/2019

HORAS DE SEXO
622h:40m
RELATOS:
489
POSTAGENS:
1297
Membro desde
27/05/2019
VANESSA
POSITIVO
180 MINUTOS
VALOR: R$300.00
15 de Agosto de 2025 às 11:56
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

DISSE QUE FAZ

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ




Ando indisposto para quase tudo, até para escrever. E escrever, às vezes, é como acender um fósforo molhado — exige esforço, teimosia e uma fé que você não sabe de onde vem. É o que faço agora.

Estava em Teresópolis, hora do almoço, depois de umas aulas avulsas que dei na cidade. Frio com sol — aquele tipo de clima que parece querer te enganar. Sem aviso, me bateu uma nostalgia bruta, como um soco nas costelas. Veio à tona a lembrança de uma ex-namorada que morava ali por perto. Talvez minha última chance — desperdiçada — de ser um homem domesticado e feliz.

Almocei, paguei a conta e saí perambulando pelo bairro da Várzea, feito cachorro sem dono, tentando lembrar onde ficava o prédio dela. Encontrei. E aí veio a avalanche: memórias do início dos anos 2000, poeira velha levantando-se. Eu, nas sextas-feiras, chegando do Rio; ela me esperando na rodoviária; a gente subindo juntos para o aconchegante apartamento. Tirei uma foto do lugar.

Ela era médica. Trabalhava aos sábados. Eu ficava largado no sofá, esperando o seu retorno. Ligava a TV e caía sempre numa série do SBT: The O.C. – Um estranho no paraíso. Outro dia, achei a série no Prime Vídeo. Quando a música de abertura tocou, senti aquele aperto idiota no peito. E viajei. Não para a Califórnia —, mas para um tempo que não volta...

THE OC

Nem sei por que começo este relato com uma introdução que parece desconexa. Talvez, não seja tão desconexa assim. Talvez, seja só o desdobramento inevitável de uma escolha que nunca tive coragem de fazer.

Todo libertino de alma carrega o vício de andar à beira do abismo, olhando para baixo, como quem espera cair, mas deixa que o tempo faça o serviço. Acho que sou desse tipo. Um libertino que não vive o amor — o sabota. Que não mata o sentimento, mas o deixa sangrar até secar.


***************

Quando voltei ao Rio, já tinha um encontro marcado no Tinder. Confesso: estou cada vez mais avesso a contratar garotas de programa que trabalham em salas comerciais — esses consultórios do sexo, onde tudo é cronometrado, limpo demais, burocrático demais.

Eu gosto do jogo. Do flerte. Da sedução — mesmo que seja uma encenação barata. Sem essa mentira bem contada, não existe adrenalina. Sem adrenalina, o tesão evapora. E aí, não sobra nada.

O encontro não seria de graça, claro. A menina queria um “presente”, mas jurava que não era prostituta. Dizia que era uma troca de favores — sem hora marcada para acabar, com direito a beber alguma coisa num bar antes. Uma puta disfarçada. Como tantas outras que se escondem nos aplicativos.

Não sei explicar os motivos que me fazem criar laços afetivos com determinados locais. Alguns deles, frequento há décadas. Outros, como o Boteco Bacurau, são mais recentes no meu catálogo. Deve ser algo cármico, vai saber... Perto das oito da noite e eu estava no Bacurau tomando o meu uísque, esperando Vanessa chegar. Seu nome no Tinder é Vanessa. Disse gostar da Lapa, que também ia ao bar que eu frequentava, aceitou a minha sugestão.

Sempre existe uma certa expectativa nesses encontros. Pelas fotos, Vanessa era uma potranca de primeira: bonita, sexy, com aquele ar de que sabe o que quer. Mandou uns vídeos que só confirmaram a impressão.

Não demorou para chegar. Desceu do táxi e veio andando na minha direção, ajeitando os longos cabelos negros. A minissaia moldava as pernas; botas até os joelhos; um casaco aberto num decote em “V” tão ousado que me fez prender o fôlego. Mulheraço. Daqueles que fazem a rua parecer pequena demais.

Não fez cerimônia. Aproximou-se e me deu um selinho. Gostei. Sentou-se e perguntou se podia pedir um dry martini — como se adivinhasse que eu também adoro dry martini. Bebeu no meu ritmo. Sempre achei que as mulheres mais devassas são as que bebem. Na terceira dose, enfiou a mão na minha virilha, sem pudor, ameaçando apertar meu combalido pênis. Aquilo me intimidou mais do que excitaria um homem embriagado.

Para não acabarmos detidos por atentado ao pudor, sugeri que fôssemos para um motel. Ela não hesitou. Chamei um táxi e a levei para o Love Time, na Glória — aquele tipo de lugar que já cheira a luxúria antes mesmo de você entrar.

No quarto, percebi que Vanessa estava mais alegre do que o normal — se é que me entendem. Entrou no banheiro, demorou, e quando voltou estava completamente nua, com um olhar de assassina da KGB. Sim, fiquei um pouco assustado.

A primeira tentativa de homicídio veio pela boca: engoliu meu pau como quem devora um churros. Lambeu, sugou, puxou até a garganta. Precisei me controlar. Pensei nas garças da Quinta da Boa Vista. No hipopótamo do zoológico. Nos peixes do AquaRio.

Então, ela veio por cima. Lembro-me dela tentando me colocar a camisinha, mas não sei se conseguiu. Quando tudo acabou, a camisinha estava no meu nariz. Espero ela que tenha conseguido.

Dei os 300 reais combinados como “presente”, chamei o Uber e ela se foi. Disse morar em Água Santa. Pedi mais um uísque no motel, liguei a TV e, no primeiro canal que apareceu, um bispo pregava a salvação. Inútil. A perdição era onde eu existia. E, no fundo do abismo, é onde ainda me vejo.
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
dr.degustador 07/07/2026 10:00

Arte.

membro, Jonas, The Creator, Jucabar, Jonta, Makaveli, Trilheiro, Wilson00, Ferraresi, Tenista, Josh, Geraldinho, Quaqua, onlyhaters, Bumpy Johnson, Yami Mysterio, Engenheirista, Morcegão, Catuaba com Mel curtiram esse relato.
| |
membro
membro

HORAS DE SEXO
622h:40m

RELATOS:
489

POSTAGENS:
1297

Membro desde
27/05/2019

HORAS DE SEXO
622h:40m
RELATOS:
489
POSTAGENS:
1297
Membro desde
27/05/2019
LISA
POSITIVO
180 MINUTOS
VALOR: R$350.00
27 de Abril de 2023 às 21:57
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ



Atravesso as madrugadas de olhos abertos, submerso em um misto de ansiedade e preocupações cotidianas. Sou um insone profissional que, invariavelmente, só consegue dormir pelas 4 da matina, acordando às 7h30 para reiniciar o ciclo. Não é à toa que sinto um sono eterno durante o dia, daqueles que se encostar a cabeça em um travesseiro de pregos, adormeço como um bebê.

Em uma noite recente, recebo mensagem no Tinder, um match. Apresentou-se como Lisa, passou o número do WhatsApp e iniciamos o diálogo.

Se não fosse impróprio e eu mostrasse aqui as fotos das mulheres que já consegui colecionar por esse aplicativo, os colegas foristas se surpreenderiam. Para alguns amigos mais próximos, exibi exemplares das lebres abatidas, tenho certeza de que se impressionaram. Infelizmente, a cada novo ano, o Tinder vai se transformando em um catálogo de garotas de programa delivery, muitas querem grana, outras querem celular, algumas crédito no celular, há aquelas que querem botijão de gás, pagamento da mensalidade do curso que fazem etc. Uma diversidade de mercenárias que desanima. Comigo, desta última vez, não foi diferente.

Lisa é uma mato-grossense de 24 anos, com aquele perfil de índia bonita. Morena bronze, lábios carnudos, longos cabelos negros escorridos, corpo de curvas acentuadas, bunda com dimensões de mapa-múndi, um sotaque que mistura Sul com Centro-Oeste e uma sensualidade espontânea que se torna armadilha inevitável para os incautos.

Não deu outra, no meio do papo solta a palavra “presentinho”. Depois de me narrar todo um calvário de misérias que um dos meus amigos denominou como “alcorão de puta”, negociamos o valor de 350 reais pela troca de carícias, mas sem controle de tempo. A minha satisfação não se comprovava garantida, mas acreditei que o negócio me daria vantagem, levando em conta a suposta honestidade da menina. Para a minha surpresa, ela me pergunta se posso encontrá-la na própria noite em que nos falamos, olhei para o relógio que marcava quase duas da madruga. Como eu estava no embalo da insônia, topei.

Lisa mora em um condomínio chamado Cores da Lapa, marcou comigo em um boteco chamado Casa da Cachaça, entre Gomes Freire e rua do Rezende, às margens da Mem de Sá. Preferi pegar um táxi e parti para o local.

Um incômodo vento gelado corria pelas ruas da velha Lapa, desembarquei do táxi um pouco depois do ponto de encontro. Fui caminhando por entre aquela gente tão insone quanto eu, todos dotados da alma gótica que nos condena ao brilho noturno das luzes de neon ou à penumbra precária das luzes pálidas de vapor de mercúrio. Eu estava inquieto, um pouco inseguro, mas marchei com minhas botas sem hesitar.

Cheguei adiantado, sentei-me diante da primeira mesa livre e pedi uma Salinas, afinal, o bar se denominava como a Casa da Cachaça. O copo veio bem servido, derramei o líquido na minha garganta em um único gole, na intenção de rebater a brisa gélida que me incomodava. Pedi o segundo copo e antes de alcançar a terceira dose avistei a figura materializada de Lisa se aproximando da minha mesa. Um colosso.

Pessoalmente, suas virtudes cresceram, encaixada em um vestido curto, suas pernas refletiam uma penugem loira recobrindo levemente a pele morena, somente aquela visão já me disparou um tesão incontrolável. Cumprimentou o garçon, denotando ser conhecida no local, confessou que de vez em quando para por ali para ser "azarada". Desinibida, a menina me deu um selinho e sentou-se ao meu lado.

— O que você bebe? — Perguntei.

— O mesmo que você — ela decreta.

Gostei da personalidade voluntariosa, mas destituída de arrogância. Simpática, além de bonita, dona de um sorriso de iluminar o Maracanã em dia de Fla X Flu. Provavelmente, uma sedutora experiente. Colou seu corpo ao meu alegando que estava com frio, coloquei a mão sobre a sua perna direita e senti a textura daqueles pelos dourados protegendo a pele bronzeada. Em nenhum momento a garota refugou ou exprimiu reservas.

Retomamos a conversa que começara no Zap, contou-me fazer enfermagem em uma faculdade particular, que está estagiando e só pede “presentinhos” para fortalecer o orçamento. Divide um apartamento pequeno com uma amiga de São Paulo e está há pouco mais de dois anos no Rio. Não me perguntou muita coisa, parecia mais interessada no que iria receber do que em me conhecer. Cortou qualquer possibilidade de relacionamento afirmando que prefere os encontros casuais.

De repente, estávamos nos encarando e aqueles lábios carnudos e rubros pareciam me intimar a decidir a partida. Arremessei-me em sua boca e colhi um beijo hollywoodiano. A língua quente penetrou em minha boca como uma tocha jogando luz sobre as minhas entranhas. Beijo de traqueias. Acredite, forista sem fé, fiquei zonzo com a sucção labial da moça.

— E vamos para onde? — ela me pergunta depois que empatamos na quinta dose da Salinas.

— Conheço um hotel aqui perto que podemos ir a pé, o Hotel Estadual. Pode ser?

— Agora — não sei se ela estava com o mesmo tesão que eu ou apenas querendo abreviar o encontro.

Deixamos a Casa da Cachaça, dois ébrios, eu em chamas e ela ainda um enigma.

Continua... Dancinha
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
BOA BOA
pgggato45 28/04/2023 16:26

Boa escrita , e que mocinha interessante essa.

MuriloRJ 28/04/2023 09:09

Boa Dante!👏🏻
Ri alto com o “alcorão de puta”, kkkkkkk

No aguardo da continuação ... 👀

membro, Digboy, The Witcher, PauloCesar, Dionizio_RJ, Morcegão, Barbosa82, Degrov Morgan, Jucabar, MuriloRJ, Seu Brandão, pgggato45, Tenista, Ikki RJ, alceuvc curtiram esse relato.
| |
membro
membro

HORAS DE SEXO
622h:40m

RELATOS:
489

POSTAGENS:
1297

Membro desde
27/05/2019

HORAS DE SEXO
622h:40m
RELATOS:
489
POSTAGENS:
1297
Membro desde
27/05/2019
KÁSSIA
POSITIVO
60 MINUTOS
VALOR: R$250.00
06 de Abril de 2023 às 12:01
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO




Cansado... é a palavra que me vem à mente muitas vezes, quando estou prestes a entrar em uma sala do AA37 ou quando estou perambulando pelo Centro. Compreenda, entrei no meu primeiro bordel em 1980, depois disso me tornei um lobo desgarrado buscando saciar a fome da libido. Acredite, forista sem fé, mais do que uma necessidade, toda fome é um vício.

Foi a última noite em que saí para caçar, a mais recente, antes da invasão da falsa alegria do Carnaval. Confesso que sempre fui um velho misantropo, bem antes de me tornar um velho pela idade. Nunca gostei de muvuca, de calor humano ao meu redor, sofro de antropofobia. A única vez em que me senti bem no meio de uma multidão foi no Comício das Diretas em 1984, havia um romantismo idealista que unia e confortava quem esteve no miolo daquela turba.

Foi minha incansável insônia crônica que me jogou nos braços da madrugada, cogitei ir para a Vila Mimosa, mas concluí que seria um destino deprimente, a Av. Francisco Eugênio também não me apeteceu. Aonde ir? Copacabana já era, as frees estariam dormindo ou cuidando dos filhos. O que resta? A Lapa, o último reduto libertino, não que seja um lugar que me motive, apesar de toda a história boêmia que repousa naqueles sobrados. A Lapa continua resistindo às transformações do tempo, morrendo e ressuscitando através dos séculos.

Para o leitor casado ou àquele que está abandonando o casamento na tentativa de recuperar a juventude perdida, que se limita somente aos encontros nas salas dos corredores sombrios da rua Álvaro Alvim ou em prédios decadentes da cidade, para esses ainda é difícil recordarem-se de que o maior tesão do sexo está na adrenalina que o precede, nada que é programado favorece à adrenalina. Talvez, por isso, eu me sinta um pouco entediado atualmente, me deixei contaminar por um ritmo que não é o meu. Retomar a liberdade, o meu desejo por descobertas, é me libertar do bolor sexual dos outros.

Sei que para alguns é complicado crer que existe um mundo mundano além das salas de mulheres com anúncios, não é à toa que um ou outro forista me pergunta, após ler alguns dos meus relatos com mulheres aleatórias: “ela existe mesmo, Dante?” — Foi assim com a Gisele, com o Palácio de Cristal e com outras situações. No caso das minhas visitas ao Palácio de CristaL, dois foristas estiveram lá e me deram retorno, gostaram. No fórum não há essa cultura da rua, da caça aleatória, mesmo que envolva garotas de programa. Essa é a única modalidade que realmente me interessa agora.

Quem frequenta a Lapa com olhos de ver deve ter reparado que não é incomum sermos repentinamente abordados por mulheres que se apresentam como promoters em muitas das casas de diversões que ali estão instaladas, algumas a gente olha e sente a saliva pasma de desejo escorrer pelo canto da boca, são mulheres bonitas. O que pode acontecer é demorarmos para percebermos que algumas dessas mulheres estão ali para jogo.

Larguei um pouco a cachaça Salinas e voltei a abraçar o Black Label, o uísque é a única bebida alcoólica que opera uma transformação psicológica em mim, fico mais eufórico, mais solto, mais descontraído, chego a me sentir feliz. Após rodar para cima e para baixo na Av. Men de Sá, pedindo uma dose do Black em cada esquina em que vi um bar, decido entrar em um estabelecimento que fica entre a rua do Lavradio e a Gomes Freire, na mesma calçada da Up House. Tocava um funk quando passei em frente e me chamou a atenção uma cortina que me impedia de ver o que rolava lá dentro. Fiquei na tocaia, até que alguém saiu, a cortina se moveu e pude observar que o interior do lugar era pequeno e estava lotado. Entrei e fui recepcionado ao som de Michael Douglas...

MICHAEL DOUGLAS



PARTE 2

Saber escrever é perigoso. Você pode despertar admiração, competição ou recalques; pode erguer mundos, descrever cenários, conquistar a eternidade; pode enaltecer ou implodir pessoas; desmascarar mentiras e falsidades; pode dar fama ou relegar ao anonimato qualquer criatura ou situação que sirva como tema. A palavra é poderosa, é a arquiteta do nosso espírito, aprendo e confirmo isso à medida em que me aprimoro na articulação da língua.

É inegável que a idade pesa, mesmo que antes eu não tivesse essa melancólica noção sobre o princípio da velhice. Fui um guerreiro dos mais ativos, minha conta sobre a quantidade de ocasiões em que fiz sexo já se perdeu há tempos. Eu não poderia ter aderido ao matrimônio quando mais novo, pois seria mais um adúltero patético povoando as penumbras envergonhadas da prostituição e não suporto viver uma face de mentiras. Meu único ato de juízo foi me manter como um celibatário.

Hoje, percebo que estou maduro para um relacionamento mais estável. Talvez, por isso, eu esteja também mais suscetível às ilusões sentimentais. A experiência nem sempre nos faz imunes à malícia. Ser uma alma libertina não me priva de ainda possuir um tempero romântico. Sou da velha guarda, da safra dos boêmios que ainda amam.

Afirmo sempre que o libertino não é aquele que não ama, mas é o personagem que não se encaixou em qualquer espécie amor. É um errante, um náufrago do afeto, agarrando-se às pequenas boias que flutuam nesse imenso oceano das miragens, boias que logo afundam e o obrigam a continuar nadando. É uma vida solitária, mas em que a solidão não é castigo, é dádiva. Na ausência do amor, ama-te sem reservas ou pudores.

A passagem do tempo tenta impor aos que envelhecem um tipo de deslocamento geracional, sobrevivem aqueles que sabem se inserir em todas as épocas que testemunham e atravessam. Com o avançar da idade, precisamos escapar dos nossos próprios preconceitos e da armadilha tosca que o etarismo arma para nos encurralar. Após os quarenta anos, é preciso revolucionar-se diariamente para não se tornar um proscrito condenado pela frieza homicida do calendário cristão.


PARTE 3

O que ainda me empurra para a noite? Não tenho certeza, talvez a ansiedade, uma ponta de angústia, o breve incômodo por estar sozinho quando gostaria de me compartilhar com uma mulher que estivesse à minha altura.

O universo da luxúria é frio, principalmente no que diz respeito às mulheres. Uma prostituta tem seu lado social, de família, é onde ela preserva seus melhores sentimentos. Por outro lado, quando está com o homem que paga pela sua presença, não é incomum que assumam uma face maliciosa, que gira pelo interesse monetário, que não se importa com o outro, que quer apenas usar, se divertir com carências de forma muitas vezes implacável. As mulheres que cedem a essa bifurcação do caráter se perdem, se afogam em si mesmas. Nunca vi um final feliz em casos assim. O afeto não salva, mas atrai energias melhores.

Naquele buraco em que entrei, no meio de um bando de jovens saltitantes, envolvido pelo funk nas alturas, me senti um Matusalém. Não querendo ser pernóstico, mas sou um homem clássico, frequentador do Teatro Municipal, da Sala Cecília Meirelles, um adepto da música clássica, leitor sofisticado, me visto com sobriedade, considero-me um exemplar elegante da minha geração e cultivo tudo isso com dedicação. Estar no meio daquela arena selvagem me oprimiu, senti o impacto do choque de gerações, da ruptura com meu próprio tempo. Não suportei ficar cinco minutos naquele ringue juvenil, escapei dali como um presidiário desesperado pelo oxigênio das ruas. Também possuo meu limite de tolerância.

Voltei a perambular pelos descaminhos da Lapa, pensei em revisitar o Palácio de Cristal (PALÁCIO DE CRISTAL), mas a ausência da Gisele acentuaria o meu desânimo. Com as pernas cansadas, os olhos turvos pelo uísque, decidi encostar a carcaça no primeiro abrigo que avistei, um lugar chamado Cavern Pub. Estava cheio, uma banda de rock se apresentava, me embrenhei e pedi mais um Red Label que matei em um único gole. Creio, estimado forista, bebo pouco, mas quando saio para beber costumo compensar todos os dias em que não bebi.

A mágica acontece quando menos esperamos. Uma mulher de uns quarenta anos, trajada em um estilo gótico, surgiu do nada e se aproximou de mim.

— Desculpa perguntar. Você está bem? Achei seus olhos tristes?

O destino me pregava mais uma peça. Girei o pescoço para ver quem falava comigo e me deparei com uns olhos azuis que também teriam roubado o paraíso de Adão. A resposta à pergunta que me fez ficou entalada na minha garganta, pois me pareceu a oportunidade exótica de falar sobre toda a minha vida. Ela continuou me encarando. A banda começou a tocar Something, meus olhos quase marejaram...

SOMETHING


Piscada )


FINAL


Sou um insurgente. Tenho aversão a quem tenta me pautar dizendo o que devo ou não devo fazer. Incontáveis vezes ouvi críticas por escrever em fóruns. “É perda de tempo”, “é uma bobagem”, “procura um lugar melhor para escrever”, “sai dessa babaquice” — nunca aceitei essas censuras passivo agressivas. Escrevo em fórum porque é um canal que me permite relatar o cotidiano subterrâneo a partir das experiências reais.

Sim, ao contrário do que alguns insistem em suspeitar, talvez por estarem mergulhados na ignorância da inexperiência, não escrevo ficção por aqui. Tenho na minha face de jornalista a inevitável simpatia por narrar histórias que brotam da vivência verídica do dia a dia ou do noite a noite. Aos que tentam me reprovar por escrever em um fórum com apelo sexual, respondo com os versos do inigualável poeta português José Régio:


“Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...”



----------------------------Continuação-----------------------------------------


— Se quiser conversar, sou psicóloga — me informa a coroa gótica.

O fato de se dizer psicóloga mais me desanimou do que motivou, no entanto, a torrente incessante do destino me oferecia a oportunidade de uma conversa inesperada. Perguntei se eu poderia pagar uma bebida, ela pediu uma caipirinha e aceitei o convite do acaso, despejei minhas infelizes experiências recentes no ouvido da suposta psicóloga. Ao terminar, lembrei-me de que não sabia o nome dela.

— Demmy, não estranhe. Sou filha de americanos — ela me responde.

Pela cor imaculada do azul dos olhos, tomei como verdade a origem do nome. Pareceu-me que estávamos os dois no mesmo patamar de embriaguez, Demmy foi muito simpática, demonstrou uma capacidade rara de ouvir sem julgar. Permanecemos ali, debaixo de um toldo com a inscrição “Boemia da Lapa”, trocando as nossas impressões sobre o vertiginoso ato de existir.

Com a conversa esgotada, me despedi de Demmy e segui no meu périplo noturno pela velha Lapa. Segui até ao Bar das Quengas, que nos meus tempos mais juvenis era um pé-sujo democrático frequentado por putas e travestis lutando pela sobrevivência. Busquei um lugar vago e sentei-me, pedi outro uísque. Sinceramente, perdi a conta de quantas doses de uísque tomei naquela noite, mas eu continuava um ébrio dono da razão.

— Tá sozinho, rapá? — perguntou-me um sujeito na mesa vizinha.

Respondi que sim.

— Tu é carioca? Senta aqui com a gente, somos de Manaus e estamos visitando essa cidade da porra.

A contragosto, mas por cortesia, troquei de lugar e me acomodei na mesa do amazonense, ele estava acompanhado de duas mulheres, uma delas grávida. Falei sobre o Rio, sobre a minha origem gaúcha, ele dissertou sobre Manaus e sobre sua própria vida. Contou-me que já tinha sido morador de rua em São Paulo, mas hoje é um orgulhoso empresário na área de informática. Expansivo, apresentou-se como Edvaldo, apontou para a morena bonita agarrada ao seu ombro, revelou ser sua namorada. Teceu elogios à grávida do meu lado, futura mãe solteira.

O interessante é que não detectei qualquer sotaque nos manauaras, talvez amazonenses não tenham sotaque, foram os primeiros que conheci de perto.

— Conhece algum lugar bom para a gente ir? Para virarmos a noite na farra? — me pergunta Edvaldo.

— Olha o lugar que conheço aqui por perto talvez você não aprove, é uma boate. Uma boate de swing.

O grupo se entreolhou e Edvaldo solta a exclamação.

— Homem, é tudo que a gente queria. Conhecer as sacanagens dessa cidade. Por isso, viemos à Lapa. Vai com a gente? Swing é casal, temos que formar dois casais.

— Mas ela também vai? — apontei para a grávida.

— Claro que eu vou — a própria gestante respondeu.

Quando dei por mim, estávamos os quatro entrando na boate Mistura Certa, com a grávida segurando em meu braço. Chamava-se Kássia, uma loira bonita que me fez lembrar a atriz Cheryl Ladd quando jovem.



Edvaldo encheu a mesa de bebidas. Eu estava entrando no começo desconfortável das vertigens alcoólicas, mas não quis estragar a festa. A namorada do Edvaldo era uma morena realmente lindíssima, cabelos longos, rosto de traços finos, olhos negros e expressivos, um corpaço de parar trânsito. Edvaldo cochichou ao meu ouvido que se tratava de uma garota de programa, amante de um advogado e que topou viajar para o Rio com ele pela “modesta” quantia de sete mil reais.

— E a grávida? — perguntei.

Também era uma garota de programa que deu mole e engravidou de um cliente que se comprometeu a bancar o filho.

No meu íntimo mais profundo, eu pensei: definitivamente, putas e libertinos se atraem como o mercúrio. Depois da Demmy psicóloga, a casualidade quase previsível me coloca no meio de um putanheiro com duas garotas de programa a tiracolo. Quem sabe ainda me livro dessa sina me submetendo a um descarrego?

Edvaldo e a morena fizeram a festa no labirinto da luxúria. Eu, que nunca havia ficado com uma grávida, me meti em uma cabine e recebi um dos boquetes mais arrepiantes da minha carreira, além de uma sequência de beijos na boca capazes ressuscitar Lázaro.

Fim de festa, o excesso de doses de uísque agora me provocava náuseas mais incômodas, preferi me despedir do grupo. Perguntei quanto devia a menina, Edvaldo disse que nada, tudo por conta dele, incluso nos sete mil reais. Por via das dúvidas, puxei duzentos e cinquenta reais e entreguei na mão da gestante, que me deu outro beijaço na boca como agradecimento.

Despedi-me de todos eles. Antes de sair, ouço a derradeira pergunta de Edvaldo.

— Homem, não seu teu nome, nem perguntei.

— Dante, meu nome é Dante.

VINHETA

Fiz sinal para um táxi, desfaleci na minha cama e quando acordei nem eu mesmo acreditei nas memórias que transbordavam em mim. Girl9
ESTRUTURA DA CASA ORGANIZAÇÃO DA CASA
EXCELENTE EXCELENTE
Morcego Vermelho 07/04/2023 01:51

Dante, com sinceridade: isso não é um relato, mas uma obra literária de alta qualidade. Obrigado por nos brindar com mais este espetáculo. Bukowski assinaria sem cerimônia…

Carlos Bruno 07/04/2023 00:03

Provável sua última bebida no bar das Quengas, que fechou as portas

Saulo Top 06/04/2023 18:17

Mestre Dante, O Swingueiro. Te amo e se cuide.

MuriloRJ 06/04/2023 12:35

Dante,
Sensacional o fechamento da história.

"Censuras passivo agressivas" são inevitáveis. E eu mesmo me censuro às vezes.
Ainda bem que sigo ignorando as censuras e dando espaço à curiosidade de continuar nesse fórum.

"definitivamente, putas e libertinos se atraem como o mercúrio."
Essa é indiscutível, putas e libertinos são como os líquidos com alta força de coesão. O destino promove as situações para que essa união inevitável aconteça!


"Quem sabe ainda me livro dessa sina me submetendo a um descarrego?"
Acho que não tem descarrego suficientemente forte que transforme a essência do libertino. kkkkk

Obrigado pelo relato Dante!

pgggato45 06/04/2023 12:31

Que noite incrível Dante! Ótimo parabéns pela escrita.

joseph1973 06/04/2023 12:17

Belo relato, confrade!
E as amazonenses realmente têm um tempero muito especial....

membro, pgggato45, MuriloRJ, Seu Brandão, Mister M, Y@N, Digboy, Saulo Top, Barbosa82, Papai Noel, Brand, Degrov Morgan, Az,, Morcego Vermelho, Jhart, Dionizio_RJ, Brega, Lucifer, ZezinhodasTermas, ViciadoEmPeitudas, Madruguinha, ronondex, alceuvc, João PGrosso, Toalhinha, Catuaba com Mel curtiram esse relato.
| |