18 de fevereiro de 2020 às 01:43
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

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TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

Noite. Às vezes, tenho a sensação de que minha vida só se inicia à noite. Chovia. Pingos densos e desnorteados chocavam-se em estalos surdos contra o para-brisa do Sucatão, pareciam querer escrever alguma mensagem no vidro. Provavelmente, um delírio da minha mente inebriada por três doses da cachaça Salinas engolidas de um só fôlego num boteco da Praça da Bandeira. Lembrei-me da Red Light e como ela deu um sentido novo a tantas noites insones, boate que ajudei a nascer, mas não quis ver morrer. Chovia muito. Senti vontade de rever Clara, a mulher me impressionou e é raro me impressionar nesta altura em que a idade faz os cabelos embranquecerem como um papel que não deseja revelar a própria história. Paro no sinal, vejo um mendigo falando ao celular. Como? Um mendigo com um celular ao ouvido. Talvez, não fosse mendigo, apesar dos trapos sujos sobre o corpo. Quem sabe não fosse apenas um desses novos empreendedores negociando a venda de latinhas de alumínio recolhidas durante o dia? É admirável como inventam nomes para camuflar a miséria. Empreendedores são camelôs, motoristas de Uber ou vendedores de quentinha lutando para sobreviver sob o sol causticante, sob tempestades de afogados. Gente debaixo das marquises, chamam de moradores de rua. Quem mora na rua mora em algum lugar? Eufemismos que nos fazem hipócritas. Paro em outro sinal e vejo dois sujeitos se empurrando, há desses coitados que precisam autoafirmar a masculinidade, pois não suportam a própria dúvida que os assombra em desejos subterrâneos.

Eu queria ver Clara, mas ela é uma prostituta e nunca sabemos se estarão no mesmo lugar que a vimos da última vez. Putas são mariposas que, na ausência da luz, rondam as sombras e sombras não guardam lealdade por nada nem por ninguém. Há homens que se apaixonam por putas, esquecem que são mulheres que escolheram não amar. As melhores são mestras da ilusão, as piores se satisfazem enganando. Clara faz parte das melhores e eu precisava vê-la novamente.

Estacionei. Desci do carro desviando das poças com dimensões de lagos que se espalhavam pela rua Uruguaiana. Caminhei até o sobrado 210. Difícil conter a expectativa quando desejamos uma mulher. Recordava-me do nosso último encontro. As curvas de Clara. Colosso. Minha imaginação viajava em pensamentos insidiosos. Pensamentos, esse maremoto químico que nos inunda. Foco. Preciso rever Clara. Subi os degraus escuros e carcomidos do sobrado. Alcancei a pista. Cheia, mas nem tanto. A chuva espantou os menos ousados. Olhei para todos os lados, vi um conhecido, desses que não queremos ver ou que preferíamos não ter conhecido. Ignorei. Não vejo Clara. Senti a frustração subir pelo esôfago. Não, devia ser efeito da cachaça. Azia. Coloco a mão em concha para avaliar meu hálito. Saco uma Halls preta e levo à boca. O gosto forte me desperta uma inesperada euforia. Compro uma cerveja, bebo. Vou ter que dirigir, mas não me importo, duvidei que a Lei Seca enfrentasse o incômodo da chuvarada lá fora.

Foi de repente. Clara surgiu de um corredor ao fundo do inferninho. Os olhos dourados, a perna musculosa, a borboleta entre os seios. Linda. Exuberante. Monumental. Reconheceu-me e sorriu. Quando uma puta nos reconhece, o nosso ego renasce como um bebê que rompe afoito a placenta. Aproximamo-nos. Ofereci bebida, ela aceitou. Eu tinha pressa, minha necessidade de ejacular urgia. Pedi a suíte da casa, paguei a diferença.

No quarto, Clara se desnuda. Alvorecer. Que porte. Uma Vênus. Beijos, saliva, línguas emboladas. Clara gosta de iludir e toda puta que ilude com maestria no fundo é uma sádica. Iludir é sua vingança contra a pretensão patética dos homens que se imaginam sedutores. Admita, Forista sem fé, somos ridículos. Ela me chupou com toda a profundidade que seu maxilar permitiu. Tenha força, não goze – pensei. Queria penetrá-la, conhecer o talento anal que ela divulgou no primeiro encontro. Ficou de quatro, empinou-se, espalhou no rabo um tipo de gel com aroma perfumado. Segurou meu pau, ensaiou uma rápida punheta e me puxou para dentro do seu cu. Quente, foi minha primeira sensação. O cu de Clara parece uma cavidade em chamas. Meti leve, meti mais forte, meti com toda ânsia de quem quer gozar e esquecer do mundo sob as águas lá fora. Gozei.

Saí do quarto, nos despedimos. Preferi não pegar seu telefone. Para quê? Nunca gostei de lista de putas no meu celular. Putas são entidade para lembrarmos, não para cultivarmos. Entrei no Sucatão. A chuva havia estiado um pouco. Cheiro de maresia circulava como fantasma pela Marechal Floriano. Noite. Há algo na noite que só um legítimo libertino é capaz de captar. Ecos, cheiros, presenças, pressentimentos. Liguei o rádio, o som abafou meu tsunami cerebral. Acelerei. Nossa bussola é a fome, a sede, a cobiça pelas ondas sinuosas de qualquer mulher. Desaparecemos no breu do asfalto. Continua...