11 de Agosto de 2020 às 22:01
BEIJO

NãO

ORAL

NãO SEI

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

O libertino é um sommelier de bordel – com essa comparação, eu submergia em reflexões desconexas dentro da Casa Paladino, na Av. Marechal Floriano, Centro da Cidade. Ali, sozinho, entre desconhecidos vizinhos de mesa, crocantes bolinhos de bacalhau e uma taça de Alentejo, transformo-me em um tipo de Sidarta Gautama dos trópicos.

Noite, os ponteiros do tempo se aproximavam das oito horas. Estava decidido a visitar o Clube 21, no histórico Beco das Cancelas. Quem conheceu o Clube 21 nos tempos ancestrais, quase não mais reconhece a sua atual geografia. Modernizaram a boate, melhoraram os quartos, mas reduziram os espaços a dimensões quase claustrofóbicas. A pista principal possui um exótico box de chuveiro servindo como fumódromo em uma de suas laterais, o bar é um pequeno retângulo na lateral ao lado da entrada, o banheiro fica anexo à recepção. A impressão que se tem é que o pedreiro estava fora de si quando executou as obras da 21, pensou que estava fazendo uma capela porque não avisaram que era um puteiro. Há mais escuridão do que penumbra. Dentro do salão, poucos lugares para o cliente se acomodar e a métrica reduzida causa desconforto em pouco tempo de permanência.

Acredito que, desde a reabertura, passaram uns 4 gerentes pela 21. Veja, afeiçoado forista, esse é um dos pontos que revela um grande problema nos bordéis cariocas, a falta de novos gestores, de gente que evoluiu e compreende a nova realidade. São sempre os mesmos e cansativos rostos, a gerente que faz fofoca de cliente com quenga, o gerente mal humorado que sente raiva de cliente, o gestor que está no puteiro para arranjar uma nova esposa, o delirante que se imagina mestre de cerimônias do Moulin Rouge, são sempre os mesmos num revezamento eterno. São pessoas cansadas do ofício, mas continuam por comodismo ou falta de opção. O resultado é que o cliente é obrigado a tolerar um péssimo atendimento e nenhuma mudança que entusiasme.

De uns meses para cá, algumas casas conhecidas inventaram um tal de dez reais de entrada sem reverter em consumo. É ridículo. Fica a ideia de que o rufião está morrendo de fome. É uma prática sem cabimento. Nos dias atuais, o rufião deveria pensar até em oferecer algum brinde para o sujeito entrar na boate, cobrar entrada jamais.

Na minha última inspeção a 21, antes da pandemia, escolhi uma moreninha chamada Deby. Ordinária, gostosinha e sorridente na pista, mas dentro do quarto parece que recebe algum santo que a converte em algo semelhante à Aracy de Almeida. Horror. O antitesão. Não tivemos afinidades. Foi tão ruim que o TD com ela termina aqui, sem começar. Dinheiro no lixo.

Para completar, depois de pagar a conta e me dirigir à saída, uma puta cabeçuda e de óculos, velha de guerra, me olha de cara feia. Não entendi nada, mas creditei a algum possível problema no fígado. Ganhei a rua. Caminhando pela noturna e deserta Buenos Aires com atmosfera de Walking Dead, senti aquela sensação feliz de liberdade, o que indica que a experiência da alcova foi péssima. Dias melhores virão...