BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
Eu me aventurei muito pegando meninas da pista. Certa vez, em Copacabana, fiz uma colheita inesquecível na Av. Atlântica, uma branquinha linda, deliciosa, mineira e iniciante. Tímida, a primeira frase que ela me disse é que queria aprender a ser safada. Quase tive uma ejaculação precoce. Essa mineira figura no pavilhão nobre das minhas memórias. Coisas do século passado. Era possível encontrar pérolas no asfalto. Parei com isso quando sofri uma tentativa de golpe, tinha começado a ficar arriscado e preferi interromper a prática.
A garota de pista parece estar em extinção em terras cariocas. Até a primeira década deste século era possível encontrar diamantes brutos até na rua que ladeia o Cemitério do Caju. Foi onde encontrei Gisa, outra fêmea memorável. Pelo que soube, as mariposas não mais sobrevoam a região.
Afeiçoado forista, é desconfortável perceber a passagem do tempo, a extinção de lugares que formaram a nossa própria história, a sensação de que você se perdeu muitas vezes, de que não saboreou como devia o cardápio que o Destino ofereceu. O Destino é um maitre, cabe a nós escolher o prato disponível. Há quem escolha um bom vinho e uma boa comida, mas existem os que deixam o restaurante e vão pedir um Big Mac com coca-cola zero na lanchonete da esquina. A idade que avança faz emergir a consciência do que se ganhou e do que se perdeu. O que fazer com isso? Ainda não sei... Talvez, dependa da energia que ainda restou nesta altura da jornada.
Como eu disse, gosto da Lapa à noite. Não para me juntar a multidão frenética e embriagada que se mistura nos bares, gosto da Lapa pelo peso do passado que sinto ali, pela vibração de todos os libertinos que andaram e se apaixonaram pelas putas dos inferninhos de outras épocas. Gosto de respirar aquela atmosfera noturna das histórias que pairam sob os arcos. A Lapa atravessou os anos entre o brilho e a decadência, mas insiste em sua vocação maior, a luxúria.
Saí do Bar Brasil tomado pelo êxtase do ébrio. Meu percurso estava traçado, a rua do Rezende, no trecho entre a Gomes Freire e a Men de Sá. Há um hotel que as meninas usam como ponto e como base de atendimento. Na verdade há dois hotéis, mas um deles serve mais aos travestis. É inexplicável como em alguns momentos sentimos uma sensação de extrema euforia, como se ganhássemos a súbita convicção de que a vida é magnífica, seja como for. É provável que seja uma ilusão dos neurônios, mas é uma ilusão que experimentei e que parece sólida quando acontece. Porém, como disse Marx, tudo o que é sólido desmancha no ar. Ilusões não duram muito, o melhor é aproveitá-las quando se manifestam.
Com a visão meio míope, alcancei o local desejado. Decidi parar no boteco da esquina e pedir uma cerveja para poder contemplar o movimento da área. A mesma bebida que cria a fantasia da felicidade pode, em seguida, nos lançar no fosso da depressão. Foi o que começou a acontecer comigo. Reagi pedindo uma dose da cachaça Salinas. Não, não sou um alcoólatra, estimado forista. Sou um boêmio ocasional.
Desta vez, não foi uma miragem que se apresentou aos meus olhos. Uma mulher de pele alvíssima; cabelos negros compridos escorrendo em cascata pelos ombros, pelas costas; uns olhos repuxados de felina; seios médios; pernas de bailarina; usando minissaia e um colã decotado. Acredite, forista sem fé, uma menina bonita. Não devia ter mais do que vinte e três anos de idade. Fiquei observando seus gestos, pasmo ao supor que aquela cigana linda pudesse ser uma mariposa em atividade. Sim, ela era.
A beleza sempre me intimida, precisei reunir coragem para avançar os passos e me aproximar. Bêbado fica mais fácil para falar e mais difícil para trepar. Ousei e fui ao encontro da garota.
— Eu tinha que vir aqui perguntar seu nome — não me censure pela falta de originalidade, estimado forista, metade dos meus neurônios estavam anestesiados pelo efeito da cachaça.
— Betânia. E o seu, amor?
Nunca havia esbarrado com uma puta chamada Betânia. A vida jamais deixa de nos reservar ineditismos. Por favor, não me condenem por usar a palavra puta, eu considero um vocábulo bonito, forte e só são dignas da profissão aquelas que aceitam o título.
— Dante. Com faço para ficar com você?
Uma pechincha meus amigos, oitenta reais e não falou de tempo.
Entramos no hotel, peguei um quarto e subimos.
Quarto padrão, sem luxo, mas confortável e funcional. Betânia tira a roupa, marcha em minha direção e me tasca um beijo. Diz que eu sou cheiroso, bonito. Meu machucado coração conversou com meu combalido pênis e foi possível um sinal de ereção neste instante. Fiquei de pé na margem da cama e Betânia de quatro iniciou seu boquete transcendental. Talvez, a bebida tenha me deixado mais sensível, mas a química estava perfeita. Peço para que ela se deite, mergulho minha língua dormente em sua vagina, a menina geme, agarra meus cabelos, espreme a minha cabeça entre as suas coxas de brancura imaculada. Pela primeira vez, quase gozei chupando uma mulher.
Pedi que ela ficasse de quatro, que é a posição preferencial para homens da terceira idade. Aquela bunda albina, sem qualquer mancha ou sinal, de tez nívea e puríssima, senti vontade de ajoelhar, rezar e gritar amém. De tudo isso, apenas ajoelhei e meti com alguma dificuldade, pois a pressão hidráulica do meu abatido membro estava prejudicada pela mistura química que ingeri nos botequins. A cada metida, Betânia se empinava mais, gemia mais, lançava os cabelos para as costas, eu os puxava de leve. Não foi possível resistir por muitos segundos, ejaculei a alma. Caí duro naquele colchão promíscuo, respiração ofegante. Betânia me contemplava com olhos brilhantes. Perdoe-me pelo ensejo piegas, querido companheiro de aventuras, mas eu pronunciei o que jamais deve ser pronunciado.
— Eu poderia me apaixonar por você — revelei hipnotizado pelos olhos da Pombajira.
Betânia sorriu com o canto dos lábios, se vestiu, estendeu a mão para receber o pagamento e me deixou. Não me lembro com clareza, mas creio que adormeci por uns minutos e quando acordei tive a sensação de que tudo tinha sido um sonho. Deixei o hotel, ganhei as ruas e peguei um táxi. Sob o céu cinza da madrugada silenciosa e deserta, mais uma página estava completa. Que venha a próxima...