30 de Abril de 2021 às 22:42
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM




O céu acima do velhíssimo Largo da Carioca exibia um despudorado azul Hollywoodiano. O clima ameno do outono favorecia a caminhada imperturbável. Sou um homem com tendência a contemplação e, à medida que envelheço, também fico mais nostálgico. Misturado às pessoas, aos camelôs, aos indigentes, debaixo daquele Sol morno que tenta inibir qualquer depressão, senti uma onda de euforia. Euforia por existir naquele momento, euforia por estar saboreando o presente, o agora. Sim, afeiçoado forista, foi uma sensação boa, dessas que ficam tatuadas na memória afetiva.

Depois de ser rejeitado por todas as mulheres que colaborei com bons relatos, decidi que é hora de renovar a minha lista preferencial. O passado fica para trás. Tenho carinho por todas as meninas com quem saí, tenho um imenso respeito por elas, mas não posso exigir que valorizem um velho escritor rabugento, que me concedam a mesma preferência que tento destinar a elas. O mundo dos negócios mundanos é implacável, mas sempre haverá outras garotas para este combalido cronista, que anseiem pela visibilidade que ele é capaz de criar para aquelas que transbordam ternura. Aceito convites, mas não aceito recusas.

Há algum tempo eu vinha rastreando a Alice Rocha, que possui fama exemplar. Diga-se de passagem nesta introdução, fama absolutamente merecida. Antes de iniciar o relato, cometerei uma breve deselegância, farei uma comparação. Para quem está sentindo a ausência da mitológica Alícia Ferrari, informo que a Alice Rocha deve ter sido professora dela. São semelhantes demais, não só na fonética do primeiro nome, mas no carisma, na simpatia, na maneira calorosa como nos recebem e na entrega que dedicam ao sexo. Quem não tem mais Alícia, pode correr para os braços da Alice porque vai sair pra lá de satisfeito do encontro.

Cheguei adiantado à festiva rua Treze de Maio. Uma turba de distribuidores de panfletos de privês me cercou esticando papeizinhos por todos os lados. Indo para aquelas bandas, o melhor é levar uma sacolinha de lixo no bolso. Meio da tarde, enviei uma mensagem para Alice avisando que estava no local, ela me pediu 10 minutos e me liberou para subir. O prédio onde atende é um dos mais cuidados da área; a portaria tem catracas decorativas, a gente passa direto; o elevador é rápido e tudo me pareceu discreto. Toco a campainha, a porta se abre e vejo a morena encorpada, de olhos claros e um sorriso que compensa qualquer queda de luz. Alice nos ilumina. Entro e nos beijamos.

Para mim, o beijo talvez seja o detalhe mais importante de qualquer interseção, no entanto, é dificílimo encontrar um que me satisfaça. A maior parte das mulheres de programa não sabem criar um encaixe de bocas. Alice sabe. Que beijo. Que língua. Saliva doce. Com os lábios colados em alta pressão, línguas enroscadas, o gerador do Pikachu acionou a energia de emergência, sinais de ereção brotaram sob a minha calça jeans. Quase escutei os sinos do Mosteiro de Santo Antônio tocarem para ressaltar o milagre. Fomos tirando as nossas roupas, sem interromper os beijos. Repito, que beijo. Se Alice montasse uma Barraca do Beijo no Edifício Central, cobrando 100 reais por unidade, eu estaria lá todos os dias.
Caio em seus seios grandes e vistosos, fico lambendo, me fartando como um bebê que procura a ama de leite. Alice geme, fecha os olhinhos. Peço que ela se deite, beijo seus pés como um súdito que reverencia a rainha. Ela se contorce. Deslizo para a sua boceta úmida, chupo seu grelo eletrificado, os gemidos aumentam, as pernas prendem a minha cabeça, estremecem. Alice goza e eu me sinto como o Pelé fazendo o milésimo gol. Sensacional. A menina fica sensível e permito que se recupere.

Novos beijos, novos amassos. Pikachu tentando se esfregar em zonas proibidas, fazendo manobras perigosas. Alice não se nega à sacanagem, é um oásis de erotismo. Deito-me e ela engole Pikachu como quem prova um brioche francês. Que boquete, forista sem fé. Espetacular. Por alguns minutos viajei pelo espaço sideral, voltei para a Terra, cantei com Belchior, sarrei a Marylin Monroe e acabei tendo que apelar para a técnica do antegozo precoce. Desviei a mente para o Jardim Zoológico, pensei nos hipopótamos, nos macacos-prego, nas araras e assim consegui impedir que meus aleijados espermas entregassem os pontos.

Resistir é inútil. Alice continuou a abocanhar Pikachu enquanto alternava a tortura com uma habilíssima punheta. De repente, ocorreu o inusitado. Comecei a usar um desses relógios que mede batimentos cardíacos, quantidade de passos, nível de estresse, etc. Do nada, o relógio começou a vibrar escandalosamente em meu pulso, ao mesmo tempo em que acendia uma luz vermelha. Fiquei sem saber se tentava desligar a pulseira, se pedia uma pausa para Alice ou se me entregava resignado à parada cardíaca. Subitamente, o relógio cessou com o show de alarmes. Gozei sem saber se havia morrido.

Alice é escolha certa e acredito que nos próximos encontro conseguirei alcançar uma conexão ainda maior com ela. Terminado o tempo, nos despedimos com a promessa do meu retorno. Honestíssima, avisou-me que eu tinha pagado mais do que o valor do cachê. Não paguei, dei o que ela merece.

O fim de tarde no Centro exalava uma beleza fantástica e triste. Não sei o porquê, mas fiquei tentando imaginar como seria aquela paisagem no século 19, nos dias de Machado de Assis. Por coincidência, cruzo com uma pequena livraria esquecida no cenário e vejo uma frase exposta em um livro aberto:

“A angústia é a falta, o desencontro entre o corpo e o espírito” (Kierkegaard, filósofo dinamarquês).

Caralho — pensei — que definição perfeita para um libertino — Meu relógio marcava 6 mil passos, segui em frente.