04 de Maio de 2021 às 22:02
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Os ponteiros do relógio da Central do Brasil marcavam perto das 19h desta terça-feira quando estacionei o Herbie (fusca) próximo a rua do Senado. O trânsito fluía sem represas e a viagem foi tranquila. Admito que estou um pouco de saco cheio da dissimulação opressiva das frees, preferindo dar um intervalo nos terrenos que conheço na palma da mão, os bordeis. Digo a você, afeiçoado forista, também esgotei um pouco a paciência para ler TDs com freelances, estamos numa fase de muita exaltação e pouca realidade nos relatos. Reconheço que eu mesmo tenho julgado o a puta mediana como se fosse ótima. A corrente de bajulação contamina. Escolhi visitar o Feitiço do Tempo, um trash onde a mulher é feita da mais pura verdade promíscua.

Ainda mantenho alguns hábitos da minha terra natal no Rio Grande do Sul, apesar do meu coração carioca, gosto de usar botas e uso. Quando caminhava em direção ao puteiro, um cracudo olhou para os meus pés e para a minha bengala como quem tivesse encontrado um pote de ouro. Apertei o passo, atravessei voando a entrada festiva do cabaré (cheia de bolinhas coloridas penduradas), subi mancando os degraus do sobrado e alcancei a pista. Não vou ocultar de você o que aconteceu nesse exato momento, uma situação que marejou meus olhos, fiquei com uma baita vontade de chorar, uma onda de nostalgia me esbofeteou sem piedade. Quando cheguei à boate estava tocando uma música do Ritchie, sucesso nos anos 80: “Transas”.

Transas

Transas” poderia ser um hino libertino, um libelo para solteirões sem filhos como eu. Sou um homem que viveu boa parte da juventude e dos grandes amores nos anos 80, talvez por isso eu tenha sentido uma emoção fortíssima quando esbarrei com a voz do Ritchie num prostíbulo que tem a pretensão de ser temático. Sentei-me num canto, acomodei minha bengala entre as pernas e finquei minhas botas na cadeira que sobrava à minha frente. Fiquei viajando com a música, pedi uma dose de Salinas e engoli num só gole. Pedi outra dose, mais outra. A música havia terminado, mas a felicidade surgiu diante dos meus olhos embaçados, linda, vaporosa, fugidia. Sim, a embriaguez conquistou os meus inquietos pensamentos.

A grande virtude dos trashs são as belíssimas negras que, em uma ou outra ocasião, encontramos neles. Tatiana estava coberta por um biquine que precisava ser examinado ao microscópio para que pudéssemos notá-lo. Seminua, me avistou antes que eu a avistasse. Veio em minha direção, pediu licença, tirei as botas da cadeira e ela se sentou.

— Oiii. Qual seu nome?

— Dante — mal terminei de me apresentar, ela me tasca um selinho na boca e seduz este velho ranzinza.

Papo rola, faço a entrevista básica e convido à alcova. Dentro da masmorra tiro a roupa enquanto ela diz que vai pegar sua bolsa. Tatiana retorna sem o biquíni e eu, bêbado, fico maravilhado com aquela pele temperada em ébano. Beijos, amassos, sarradas, meu habitual roteiro erótico plenamente retribuído. Tatiana pede que eu me deite e avisa que aplicará um boquete. Não sei o que aconteceu, estimado leitor, com 30 segundos de boquete eu gozei.

— Nossa! Tá gozando igual adolescente — diz Tatiana.

Fiquei meio zonzo pela gozada intensa misturada ao efeito da cachaça. Levantei-me trôpego, dei uma caixinha pra menina, vesti a roupa e voltei para o local onde o Herbie estava estacionado. Aciono o motor do fusquinha ancestral, invoco o acelerador e deslizamos pela av. Presidente Vargas de volta à bucólica Tijuca. Que saudade dos anos 80.

Fim. Piscada