BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

Anoitecia quando atravessei o túnel Rebouças, do cd player do fusca vazava em alto volume um som do passado... Big in Japan.
BIG IN JAPAN
Eu gritava a letra com a desafinação esganiçada de um velho surdo. Cantar sem saber cantar me causa euforia. Veículos ultrapassavam o Herbie enquanto eu me sacudia numa coreografia desengonçada dentro da cabine. Semana de libido inexplicavelmente alta, o que não garante pleno funcionamento do pequeno Pikachu. Sempre fui um nostálgico, mas nessa introdução à terceira idade estou curtindo mais o presente, o momento.
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela — Fernando Pessoa.
Jovens inconscientes e mesmo idosos desavisados não conseguem dimensionar o prazer de estar inserido na vida em qualquer circunstância, em qualquer realidade. Esse renascimento diário, que nos obriga a reconstruções diárias, é uma compreensão que nem todos alcançam.
Antes que este relato se torne um texto de autoajuda, explico que fiz contato com Yumi no dia anterior ao que marcamos. Descendente de orientais, foi simpática na conversa, apesar de alguma demora nas respostas. Quando me enviou uma foto do seu rosto, não precisei de mais nada para ser convencido. Lindíssima. Agendei em seu local, na Praia de Botafogo.
Demorei a conseguir estacionar o fusca em algum lugar que não me fizesse caminhar quilômetros até o prédio da menina. Não deu muito certo, terminei estacionando longe e fui caminhando até o ponto do encontro. Ruas movimentadas, olhos que me encaravam como se intuíssem a minha intenção de pecar. Sempre adiantado, entrei no Botafogo Praia Shopping para tomar um café. Uma garçonete de cabelos grisalhos me olha como se estivesse assustada e pergunta:
— Você não é o Dante?
Fiquei receoso em responder, mas acabei confirmando que sim.
— Lembra de mim, não? — Ela insiste na conversa.
Acredite, forista sem fé, eu não me lembrava de quem poderia ser aquela criatura impertinente.
A mulher se agacha e sussurra próximo ao ouvido que menos ouço.
— Sou a Cristina, da Monte Carlo. Lembra?
Quase fui acometido por um choque anafilático. Cristina foi uma puta mineira belíssima que experimentei diversas vezes na década de 90. Olhei novamente para aquela senhora carcomida pelo tempo e custei a acreditar que fosse a bela Cristina. O tempo é implacável. Uma mulher que ostentou uma beleza renascentista, hoje parecia um borrão numa tela em exposição na Feira de São Cristóvão. Sinceramente, a visão causou-me uma ponta de terror. Cumprimentei com gentileza, perguntei como estava e ela fez um gesto como se a sua imagem esclarecesse a minha pergunta. Entornei o café com tanta pressa que quase que a xícara também desce pelo meu esôfago. Corri dali como se fosse um personagem em fuga de Walking Dead. O passar dos anos foi cruel e nada promissor para Cristina.
O encontro com uma ex-musa da Monte Carlo me deixou deprê. A sensação foi a de ter frequentado uma suntuosa mansão no século passado e agora ter entrado no mesmo lugar em ruínas. Precisava me concentrar no encontro com Yumi, do contrário, talvez, Pikachu nunca mais se reerguesse. Cheguei ao prédio da moça e me dirigi ao seu apartamento.
A mulher que abriu a porta me fez esquecer a Vênus caquética que eu havia reencontrado no shopping. Yumi é gatíssima, do tipo para casar, dessas que a gente convida para uma caminhada na mureta da Urca, para ver o pôr do sol na pedra do Arpoador, para dedicar poesias. Trocamos um beijo e o meu entusiasmo foi inevitável.
Os detalhes sexuais, neste reato, irei resumir. Foi tudo perfeito. Beijos fabulosos na boca, um boquete que transformou meu breve Pikachu em espada samurai, penetração com a japa de quatro (a posição preferida de 9 entre 10 idosos) e uma gozada milenar. Fui feliz com Yumi.
Retornei ao fusca com as pernas bambas. As luzes de vapor de mercúrio davam o tom pálido da noite. Céu nublado e um frio aconchegante. Acelerei e rompemos o negrume do asfalto. Eu e o fusca, duas peças insignificantes em movimento no universo, em busca da próxima aventura...