BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
Sou um insone. Os leitores mais atentos devem ter percebido que escrevo mais à noite, não raramente na alta madrugada. É comum que eu escreva da rua, pelo celular, bebendo e desejando que meu texto não saia com erros intoleráveis de digitação. A velhice sossega algumas almas, mas comigo a reação que ela causa é a de inquietude. Durmo pouco e durmo tarde, busco às ruas para aplacar a ansiedade. Não sei se achei boa ideia quando Baiano me trouxe a loira Nanda como companhia, mas me resignei a recebê-la.
— Não sou princesa, sou puta. E sou boa no que faço.
Fiquei maravilhado quando ela evocou essa frase, que só ouvi uma única vez de uma prostituta londrina, em um daqueles intermináveis dias chuvosos da cinza capital do Reino Unido. Ingleses são pragmáticos, gosto disso. Com uma curta sentença, a garota mostrou qual era o meu lugar e o que ela estava fazendo ali. Cortou a minha baboseira e encurtou o caminho para os nossos objetivos. Admito, afeiçoado forista, eu não estava em condições para foder. Cansado, bêbado, a cama surgiria no meu imaginário como a imagem do repouso eterno. Na tentativa de não desperdiçar aquele mulherão nem decepcionar o esforçado Baiano, perguntei a moça se ela aceitaria uns amassos comigo, na rua mesmo, como se fosse namorada fogosa. Ela pediu 80 reais e umas tequilas. Concordamos e iniciamos, sem pudores, a nossa noite desavergonhada.
Nanda me beijava e apertava meu pau enquanto eu olhava para os lados com acanhamento pela ousadia da moça. Fui me soltando, meti as mãos por baixo do top e segurei seus peitos. Que pele, que textura afrodisíaca. Nossas línguas se enrolavam como acrobatas em saltos mortais, uma querendo passar para a boca do outro. Engolíamo-nos. Perguntou se eu estava de carro, eu não estava. Sugeriu que fôssemos para outro lugar mais discreto. Mais discreto? Aquele trecho da Teófilo Otoni é frequentado por meia dúzia de desgarrados e alguns fantasmas, mas topei. Encerrei a conta com Baiano e deixei que a Nanda me conduzisse.
Na jornada bíblica pela árida e silenciosa Rua do Acre, ela me explicou o que acontece no bar do Baiano. Existem muitos bordeis no entorno, o Afrodite, o 210, as casas da rua Leandro Martins etc. Muitas meninas, quando o movimento está fraco, saem em intervalos e vão beber ou fumar no Baiano, no Cerejinha e em outros points nas proximidades. Algumas alocam quartos nos casarios da Teófilo Otoni e carregam clientes que pescam na pista. O universo mundano é feito de múltiplas engrenagens.
Paramos em outro boteco escondido, agora na Praça Mauá. Ela me pergunta se quero um boquete e me leva sem cerimônias para o banheiro feminino. Eu cambaleava na tormenta da Salinas. Entramos em uma cabine, ela fechou a porta, arriou minha calça e só me recordo que demorou muito tempo até o jorro de espermas que me deixou zonzo. Não aguentava mais beber, perguntei a ela se ficaria chateada se eu fosse embora e chamasse um táxi para me pegar onde estávamos.
— Não, não fico chateada. Vai descansar. Vou esperar com você o seu táxi.
Nanda ajudou-me a entrar na viatura. Sua sobriedade estava intacta mesmo depois de não sei quantas tequilas, uma leoa. Cheguei à bucólica Tijuca com o taxista me acordando. Paguei a corrida, desci do carro com dificuldade. A rua expirava um vento frio, vento londrino. Ecos do passado misturavam-se às vozes do presente.
"Não sou princesa, sou puta."
E das melhores, Nanda. Das melhores...