24 de Julho de 2021 às 21:40
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ




TD EM TERCEIRA PESSOA (UMA NOVA PERSPECTIVA)

Não passava das 20h quando ele pegou um táxi na bucólica Tijuca, ia em direção ao Centro da Cidade. Percorrendo toda a extensão da Av. Presidente Vargas, observava pesaroso o cenário de guerra que ia se descortinando pelo caminho: dezenas, talvez centenas de sem-teto, mendigos, usuários de drogas, todos perfilados sob marquises ou vagando a esmo pelas calçadas sombrias da miséria. Seguro dentro do veículo, experimentava o desconforto de ser um privilegiado, preocupado somente com as fantasias eróticas improdutivas. Na sua solidão escolhida, ele era um náufrago existencial entre os náufragos do infortúnio. A janela do táxi, como a tela de um cinema, revelava a realidade da desintegração social acelerada. Aqueles indigentes conversando entre eles, falando sozinhos, cuja única aventura é matar a fome diária e contínua. Antes que perdesse o desejo sexual, Dante virou o rosto, como muitos de nós, para preservar as prerrogativas de quem paira sobre as tragédias.

Desembarca na rua Uruguaiana, ali o mundo é outro. Multidões amontoadas, músicas se entrecortando num caos labiríntico, vozes, faces se dissolvendo em outras faces, pequenas colônias de festas que compõem uma imensa comemoração. A Uruguaiana é uma ilha dentro de um universo que vai sendo tragado por um silencioso e implacável buraco negro. Dante caminha alienado, busca o calor da pele feminina, o toque macio dos lábios de alguma mulher, sua bússola são as luzes de neon, as lâmpadas vermelhas, o território onde a vida e os prazeres são efêmeros e não recicláveis. Suas dúvidas não possuíam relevância, além de se perguntar aonde ir. Decidiu começar a jornada libertina pelo Clube 502.

Sobe os degraus do sobrado em um ritmo ascendente que o submerge, por um paradoxo, no primeiro círculo do Inferno. Alguns homens, poucas mulheres e uma mesa de sinuca que compensa o ócio que permeia a prostituição das boates. Ele pede uma cerveja, senta-se, observa. Há uma tristeza no semblante das moças, como se estivessem convencidas que, ao final da noite, o dinheiro será curto, o trabalho incerto. O clima não agrada, mas Dante permanece no local. Uma menina o atrai, ele a encara, ela percebe e se aproxima. Conversam.

— Vou ser sincera com você, estou naqueles dias — ela alerta.

— Por que você veio trabalhar assim? — Pergunta.

Ela não encontra explicação, a urgência de sobreviver constrange. Dante desanima, compreende que é melhor se retirar, tenta lembrar-se de outras opções. Caminha pela rua da Alfândega, não havia mais o labirinto de sons, tudo ecoava silêncios. Ele olha os prédios, o comércio fechado, lugares onde esteve, por onde passou. O tempo faz da cidade o museu particular de cada um, nossa história exposta para os nossos olhos. No apocalipse seremos fantasmas que transitaram pelas ruas, pelos sobrados, pelos prédios. Passaremos porque somos abstrações, mas o concreto resistirá.

Dante subiu ao Clube 119, na mesma rua da Alfândega. Umas três mulheres, uns cinco clientes, fugiu do lugar. Sobe as escadas intermináveis do Clube 210, a pista abarrotada, mal se podia andar sem se espremer entre a massa de decaídos. Mulheres sem brilho, olhos cansados, o melhor seria ir embora, ele foi. Restava o Clube Afrodite, sem muito ânimo ele escala mais um sobrado, as longas escadas cansam o fôlego da velhice, ele insiste, alcança a pista e se surpreende. Muitas mulheres jovens, algumas bonitas, um clima eufórico de dança, alegria. A luxúria espreitava oculta pela fumaça de gelo seco expelida da cabine do DJ. Animou-se.

Pede um latão da Brahma, é abordado por uma bela morena de cabelos cacheados, bunda firme e empinada. Conversam, ele informa que acabou de chegar, quer aproveitar mais a noite, a mulher se afasta, mas promete voltar. Dante bebe até as pupilas se dilatarem e o cinza do mundo ganhar as cores do êxtase artificial. Ele avista uma loira, peitos protuberantes, bunda tatuada, sorriso sedutor, ela está com outro homem, mas o encara. Ele olha fixo, se mostra disponível. A menina abandona o acompanhante e se aproxima. Ela pede um Red Bull e uma cerveja, ele aceita oferecer. O papo flui com naturalidade, Dante tenta saber sobre os atributos e virtudes que a garota pratica na cama, ela simpatiza com ele e responde que não terá restrições.

— Qual seu nome?

— Suellen — não havia mais tempo a perder, Dante a convida à alcova.

Um quarto com chuveiro, cama de casal, diferente das lembranças que ele guardava da última visita ao Clube Afrodite. Gostou. Suelen tira a roupa e não decepciona, as curvas do corpo excitam o combalido pênis do Highlander, o combate começa. Suelen o beija com vontade, com enroscar de línguas, fluxo de saliva, alimentando a fogueira dos desejos. Ela se deita, Dante lambe os seios grandes e firmes, ela geme, acaricia seus cabelos, puxa sua cabeça para beijá-lo mais. A menina o entusiasma. Ele desce para a sua boceta, chupa.

— Coloca o dedo – ela pede.

Dante dedilha enquanto dá lambidas no clitóris macio, deixa um outro dedo escorrer para o cuzinho da menina, ela geme mais alto, se contorce. Goza. Inverte a posição e abocanha o combalido pênis do velho andarilho, lambe seu saco de cima abaixo, a sensação de delírio o invade. Ela continua chupando e alterna com uma punheta dentro de sua boca. A onda vulcânica toma conta de seu corpo, Dante tenta resistir, mas resistir é inútil, se entrega em um orgasmo fulminante. Carinhosa, a menina insinua limpá-lo com lenços umedecidos, mas ele prefere o banho. Conversam, trocam telefones.

Dante deixa pago um drinque para a menina, que pede que ele retorne. Fez a promessa de voltar. Despedem-se. A Uruguaiana permanecia em festa, ele percorre o labirinto sonoro de gente e marcha até a estação do metrô. A solidão retoma o seu espírito, o trem chega e a imaginação se perde na escuridão infinita do túnel. Para o libertino não há Sol.