12 de Maio de 2022 às 11:01
BEIJO

SIM - NãO GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

Final de tarde, eu perdido, buscando solução para questões burocráticas nos arredores da Praça da Bandeira, como se fosse um Kafka da Zona Norte carioca. Quando não havia mais o que fazer, esgotado após um dia estressante, decidi aproveitar a posição estratégica e empreender uma visita ao universo paralelo da Vila Mimosa. Nunca gostei de ir para a VM a pé, mas seria um absurdo pedir um táxi estando a poucos metros da rua Ceará. O Sol iniciava o seu ritual de fim de expediente, o clima estava ameno, subi a passarela e fui guiado por Zeus e Satanás.

Aciono o meu aparelho auditivo para emparelhar com o celular e a primeira música de uma lista aleatória inunda os meus ouvidos: Believe...

BELIEVE

Minhas botas pisavam firme, eu tentava conter o impulso imoral de soltar a franga e começar a rebolar sobre a Radial Oeste, o som era contagiante. Uns três minutos de caminhada, alcancei a entrada da rua Ceará, passei por baixo do velho portal formado pela linha ferroviária, ali poderiam pendurar uma grande placa com os dizeres que o poeta Dante leu ao penetrar no Inferno.

Lasciate ogni speranza, voi ch'entrate
(*Vós que entrais, abandonai toda a esperança)

Cometi um erro estratégico, não segui pela rua Ceará, mas entrei na primeira rua à direita, mais deserta e com menos movimento de automóveis. Na metade do percurso fui interceptado por um cachorro imenso e feroz, o bicho parou empertigado diante do meu frágil corpo envelhecido, começou a rosnar, babar e mostrar os dentes como se tivesse farejado um saco apetitoso da ração Bonzo. É a segunda vez que isso ocorre comigo. Parei petrificado, naquele estado filosófico que nos diz se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Fui salvo por uma senhorinha que passava com um carrinho de feira, ela se postou entre mim e começou a gritar para o animal sair. Heroica. Deu certo.

Finalmente, pisando sobre os paralelepípedos da rua Sotero Reis, encontrei a Vila em clima de fim de festa. Fiz a ronda sem muito entusiasmo, até que cruzei com uma negra gordinha que ficou me encarando, estava com os seios exuberantes à mostra e foi esse o detalhe que me magnetizou. Carla o seu nome, muito simpática, carinhosa, o papo fluiu em bom astral. Fiz a entrevista essencial e aprovei as respostas oferecidas com espontaneidade. Alcova...

Na pequena cabine da casa 42, revelado os seios, ela exibe o resto do corpo. É dessas gordinhas troncudas que, contraditoriamente, não possuem barriga, todas as células adiposas se concentram nas coxas e na bunda. Em um momento de sofisticação, tocava Sade na música ambiente. Carla me beijou com meia boca aberta, mamei os peitões como um recém-nascido faminto, lambi a vagina lisa e inchada, sarrei o bundão com dimensões de um globo terrestre e pedi um boquete. Carla sorriu, disse que boquete era o seu forte e abocanhou Pikachu, o breve, com fúria das piranhas do rio São Francisco. A gordinha realmente tem uma chupada poderosa, meu combalido pênis foi ganhando a sensação de um vulcão que sai da dormência, gozei como um chafariz de praça. A menina cuspiu os meus aleijados espermas numa latinha de lixo, vestiu a pouca roupa no corpo e saiu da cabine. Ajeitei-me ofegante e desci para a rua.

Andei até a rua Ceará, pedi um táxi pelo aplicativo. Chegou em menos de três minutos.

— Qual seu nome? — pergunta-me o motorista para conferir o autor do pedido.

— Dante, me chamo Dante.

Neste exato momento, por uma dessas sagradas coincidências do destino, a voz de Beyonce cantou no meu aparelho auditivo: Say my name...

SAY MY NAME

O taxista acelerou, os pneus giraram. A noite se erguia como um império libertino para que a próxima manhã pudesse nascer feliz.

#Libertine-se Dancinha