BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM
Nuvens negras, mar bravio, solidão.
O horizonte é um nada devastado
Eu caminho por onde não há chão.
Meu mundo é um tecido destroçado.
A vida leva e não faz concessão,
O sorriso brilha desconfiado,
Os olhos renegam qualquer paixão.
São contrapesos de um rosto cansado.
Desilusões nos roubam o paladar,
Mas a alegria pode estar lá fora,
Tem cheiro e tem um rosto, é o agora.
A existência não é linear
Amanhecer é aguardar a hora.
O Sol nasce e tem nome: Isadora
Desde o ano passado, não me permitia comemorar nenhuma data festiva, uma tristeza insistia em mim desde o falecimento do meu pai e de outras mortes causadas pela pandemia. Foi um período de profunda depressão, um estado de completo desamparo que eu nunca havia experimentado. Não, não foi fácil a sensação de estar atravessando uma tempestade brutal que não cessava, que destroçava o meu olhar sobre a vida, que dizimava a minha pacata rotina, que dilacerava a minha alma para somente me mostrar que não possuo controle sobre nada. O tempo é sádico, nos tira tudo lentamente, num conta-gotas de perdas que vão nos amputando de todos os amores que cultivamos nesta breve existência.
Foi neste ano de 2022 que comecei a emergir das águas turbulentas e decidi que comemoraria a minha sobrevivência ao caos pelo qual passei, que deveria resgatar a minha alegria reduzida a farrapos após suportar a tormenta que me assolou. Voltei a me encontrar com mulheres, busquei no sexo a minha fuga, encontrei nas garotas de programa o meu consolo. O ritmo desses encontros foi intenso e poderia continuar assim se eu não tivesse esbarrado com a loira Isadora, não foi tarefa simples conhecê-la, precisei apelar para uma falsa identidade que tornou possível driblar o seu bloqueio e provar que os rumores a meu respeito não se sustentavam diante da minha imagem verdadeira.
O primeiro contato com a Isa me impactou, da mesma forma que deve impactar tantos outros foristas que ousam conhecê-la. Fiquei impressionado com a entrega, com os beijos, com a beleza da balzaquiana que brilha para os nossos olhos, com a delicadeza, com a sensibilidade, com os orgasmos e com a poderosa energia sexual que nos transmite. Isadora gosta de ser chamada de princesa porque não se dá conta de que é rainha de um império soberano de prazeres e paixões. Não tenho dúvida de que muitos homens naufragam naquele apartamento da Rua Álvaro Alvim, afogam-se com um sorriso triste por saberem que não poderão possuí-la para sempre.
A introdução deste relato explica o porquê escolhi Isadora para ser a minha parceira exclusiva numa data que representa o meu renascimento. Isadora é a minha ressurreição e foi ela a escolhida para me acompanhar na semana da redescoberta do entusiasmo de viver. Digo que ela teve esse privilégio, acima de outras garotas, pelas tantas virtudes que possui, ela também me concedeu uma honraria quando aceitou o meu convite. Conheci muitas mulheres este ano, mas nenhuma compreendeu que talvez valesse a pena me priorizar como cliente, como pessoa e como forista que escreve. Isadora entendeu isso, por diversas vezes me priorizou até arrebatar a minha irrevogável admiração.
Algum forista maldoso poderá dizer que o velho Dante está apaixonado, mas seria um engano grosseiro proferir tal dedução. Sou um libertino marcado por muitas cicatrizes, algumas profundas, não deixo que a fugaz ilusão do amor me consuma com facilidade, muito menos por amores que surgem dentro do universo mundano. Fico imaginando quantas dezenas de declarações românticas a bela Isadora escuta todos os dias, a quantidade de promessas vãs, as juras eternas e repetitivas de uma penca de homens carentes ou daqueles que carregam a compulsão de seduzir para conquistar um prêmio. Quem sou eu para competir com tantos conquistadores? Sou um velho escriba cujo único talento é saber compor com palavras. Um dia desses, eu estava sendo atendido por ela e a campainha toca, precisei correr para dentro do banheiro, era um entregador trazendo um lanche enviado por um cliente anônimo. Isadora é mimada por todos os lados.
Não, o velho Dante não quer se apaixonar, mas busco criar uma conexão com Isa, conexões são mais duradouras e sólidas do que paixões passageiras. Sim, estou ligado a Isadora, algo raríssimo de acontecer comigo, não acredito que seja uma situação recíproca, mas da minha parte é um impulso sincero. Não foi à toa que a escolhi como acompanhante exclusiva nesta semana de aniversariante. Alguns podem insistir em dizer que estou gamado, mas afirmo que tento apenas construir uma ponte, sou um arquiteto dedicado erguendo um vínculo inabalável com esta mulher transbordante de lascívia e fogo que chamamos de Isadora. Se vou quebrar a cara? Não sei, mas tenho certeza de que nada me causará mais estrago do que as dores que conheci recentemente pelas perdas sofridas. O risco valoriza o gesto.
Como parte da minha programação da semana de aniversário, propus à Isadora que passasse uma tarde comigo antes de terminarmos na cama. Combinamos o valor e iniciei o roteiro. Fomos almoçar no meu rodízio de massas preferido, o Coliseu. Conversamos e rimos enquanto eu saboreava as delícias do prato e do olhar da rainha. Perdoem-me pelo que possa parecer bajulação, mas a Isadora estava linda, elegante, a pele reluzente, o sorriso impecável, a voz suave e firme, adoro a voz de Isadora. Saímos do Coliseu e passeamos pelo Edifício Central, onde me deu na telha entrar em uma joalheria e presenteá-la com um relógio que me pareceu fazer justiça ao seu pulso gracioso. Ela gostou. Compreenda, afeiçoado forista, o meu melhor presente foi presenteá-la.
Saindo do Edifício Central, pegamos um táxi e levei-a para conhecer o Mosteiro de São Bento, uma igreja barroca do século 17 encravada perto da Praça Mauá, um dos meus locais favoritos no Rio. Isadora se emocionou, ficou encantada com tudo que a sua sensibilidade absorveu e eu fiquei extasiado observando a capacidade dela de perceber toda a beleza histórica que nos rodeava. Comentei sobre o estrondo que seria se ela desfilasse vestida de noiva naquele cenário exuberante. Ficamos curtindo juntos a paz do monastério, nos deixando impregnar pela vibração dos séculos que descansam ali. Senti que Isadora estava feliz, talvez por ficar longe por algumas horas da caverna claustrofóbica da Álvaro Alvim sabendo que não teria nenhum prejuízo profissional. Como tudo sempre acaba, precisávamos retornar ao castelo 37.
Dentro do quarto, renovada pelo passeio, Isadora me beija como nunca havia me beijado, uma eletricidade diferente nos percorreu, sua boca parecia uma tocha iluminando os meus recantos mais obscuros. Ela diz que quer gozar, que quer meter comigo. Devassa e desinibida, ela me deita, monta sobre o meu tronco, encaixa o meu pau em sua boceta, rebola, se esfrega, quica e não tira os olhos dos meus olhos enquanto os seus lábios se contorciam em gemidos de um orgasmo anunciado. Ela goza com um grito de vitória.
Tempo encerrado, hora da despedida. Ganhei as ruas do Centro e não enxerguei mais as cores intensas que a luz incessante de Isadora iluminou naquela tarde. A separação me turva os olhos e penso se realmente não estou apaixonado. Como escreveu Vinícius de Moraes: se for amor, que seja infinito enquanto dure...