26 de Setembro de 2022 às 07:51
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A SWINGUEIRA — 2ª TEMPORADA

A brisa gélida cortava as ruas de Botafogo como um punhal procurando vítimas desprevenidas. Para me aquecer, tomei três doses de Salinas em um pé-sujo, emparelhei o aparelho auditivo com o celular e a melodia de Donna Summer transbordou pelas calçadas induzindo minhas botas a deslizarem como se eu fosse um Gene Kelly com artrose. A noite sem música é mulher mutilada.

I FEEL LOVE

I feel love... uma euforia me invadiu bailando, talvez pelo efeito do álcool, talvez pela consciência da minha plena liberdade, talvez pela perspectiva do reencontro com uma menina que me despertou algum tipo de paixão. Sou um homem amoroso por natureza, mas sei que vivemos em um mundo monetizado e o romantismo é cada vez mais obsoleto.

Há muitos anos eu não aparecia na 2A2 em um fim de semana e quando alcancei a entrada da boate fui surpreendido por uma fila imensa de casais aguardando liberação. Nunca tinha visto fila na porta dessa boate, sinal de que o swing está prosperando como prática e escolha de lazer.

“Já estou chegando” — avisa Cléoh na sua voz sedutora num áudio pelo whatsapp.

Fiquei ali, saboreando a latinha de cerveja que trouxe do boteco, contemplando uma fileira de mulheres com roupas ousadas que iam engrossando a fila da boate. Acometeu-me uma sensação estranha de estar ali, me sentindo em paz, aguardando uma mulher carinhosa como a Cléoh, isso depois de passar meses tendo a minha autoestima bombardeada incessantemente por uma dessas situações tóxicas em que nossas escolhas de vida parecem autossabotagem. Cléoh é um bálsamo. Eu estava envolto naquela alegria de sentir o presente, de pressentir que viveria um bom momento com uma garota ímpar e que se revelaria uma excelente parceira.

“Cheguei. Onde você está?” — anuncia Cléoh.

Quando girei o pescoço, quase fui acometido por um AVC diante do impacto de ver uma mulher sensualíssima, de corpo curvilíneo, sorrindo para mim como se estivesse se encontrando com o homem mais cobiçado do planeta.





I feel love...

Cléoh me tascou um beijo, desses em que a língua desentope a nossa traqueia, pegou na minha mão e fomos coladinhos para a fila dos pecadores imperdoáveis.

Finalmente, entramos na boate. Somos recebidos por um mestre de cerimônia que nos conduz a recepção, nos entrega um saco para guardarmos nossos pertences, amarra fitinhas em nossos pulsos e nos dá boas-vindas. A pista estava lotadíssima e fiquei pasmo em ver um público composto de 95% de jovens, a noite era temática e garotas primaveris desfilavam seminuas e até nuas pelos espaços da casa. Numa pequena plataforma, uma loira estonteante dançava enquanto se despia, a música que a embalava vinha de um passado remoto e fazia o meu esqueleto se agitar dentro do corpo.

MORE AND MORE

Fomos para o bar, Cléoh pediu uma caipivodka de morango e foi abençoada com um copão do drink. Sentamos em um dos sofás que rodeiam o primeiro salão e nos incendiamos com beijos e sarradas que causaram inveja a garotada do local, confesso que este velho escriba sentiu um sopro de vaidade diante dos olhares que desejavam a minha companhia. Sim, sou vaidoso. Que artista não é vaidoso? Eu sou um artista da palavra, não seria diferente.

Reconheci a música que emergia do segundo salão, nos movemos até ele, o maior espaço da boate, com um palco e uma área grande para a plateia, havia um toque de flashback no ar e reconheci o som de Haddaway com What Is Love...

WHAT IS LOVE

Acredite, forista sem fé, soltei a franga. Eu e Cléoh dançamos de transpirar felicidade, livres de gente chata, de gente feia, de gente mal-humorada, de gente mentirosa, dois amantes submersos naquele paraíso de juventude, de verdade, de corpos expostos, eróticos e viçosos.

I feel love...

Excitados, subimos ao segundo andar, o famigerado piso da suruba. Sombras, gemidos, estalos denunciando penetrações intensas, eu e Cléoh pisávamos com curiosa cautela entre as paredes daquele labirinto libidinoso. Alcançamos uma sala sombria, uma imensa cama redonda em seu centro, Cléoh abaixou a blusa decotada e expôs os seios grandes, firmes e esfericamente perfeitos. Deitou-se e me ordenou: “me chupa, quero gozar”.

A menina do interior, de aparência tímida, revelava-se devassa. Despiu-se da calça e puxou a minha cabeça para o meio de suas pernas. A cada lambida no seu clitóris, ela gemia alto, percebi que mãos femininas começaram a alisar seus peitos, beijar sua boca, um sujeito botou o pau para fora e Cléoh o abocanhou com sede de seiva, ela se contorcia na minha boca, estremecia. Outras mãos se somaram para apalpar e alisar sua pele, um exército de devassos ocupando o meu território. Sem mais conseguir resistir, Cléoh gozou com um grito de quem se rendia em êxtase naquele noturno campo de batalha.

“Quer ver alguém me comer?” — ela me perguntou sem pudores.

Era a primeira vez que pisava num swing, mas se soltou com uma facilidade que só as melhores pervertidas possuem. Não quis ver nenhum homem comê-la, quis curtir junto com ela aquele ambiente pornográfico.

Na 2A2 só é permitido a entrada de casais e solteiras, mas não observei trocas de casais, reparei mais cenas de exibicionismo, com homens comendo suas parceiras para todo mundo ver. Ficamos namorando e transitando entre Sodoma e Gomorra até nos cansarmos. Decidimos ir embora.

“Você é um príncipe. Não quer dormir no meu apartamento? Estou sozinha” — Cléoh me convida.

Afeiçoado forista que me acompanha por tantas desventuras, confesso que neste momento meus olhos marejaram, talvez uma lágrima furtiva tenha escorrido pelos sulcos obscuros do meu rosto envelhecido. Tanto tempo sem dormir com ninguém e recebo o convite de uma mulher colossal e voluptuosa. Sem titubear, abracei sua cintura e partimos juntos para o ninho de Cléoh.

No quarto, Cléoh fica nua, tira a minha roupa e nos deitamos. Ela pede que eu a abrace, cola em mim a sua bunda de capa de revista, prepara o meu combalido pênis com o desvelo de uma gueixa, encaixa-se nele, rebola e me faz gozar. Depois dos suspiros, as luzes do mundo se apagaram para fecharmos os olhos e sonharmos juntos.

I feel love...

Na minha mente, ainda ressoava a última música que ouvi antes de deixarmos a boate...

ONLY WITH YOU

Liberte-se. Libertine-se. Dancinha


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