BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
SIM
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM

A Avenida Rio Branco respirava em silêncios de cemitério, não passava das oito da noite. Eu caminhava devagar, tentando não fazer muito ruído com as pisadas do meu bute. Estou passando por dias de decepção, remoendo rancores que não fazem bem remoer, mas sei que isso passa. Com o tempo, a última garota de programa com quem me relacionei se tornará uma presença irrelevante na minha memória, sem referência no Google das recordações. Como dizem, logo perceberei que estava na companhia de uma tralha. De resto, tudo é um desabafo e todo desabafo nos alivia do peso da carga pesada que nos permitimos carregar por um período da existência.
Em um dos recorrentes bugs do meu aparelho auditivo (sim, sou surdo), ele emparelha com o celular sem a minha autorização e a batida de Fun Factory - Close To You eletriza o meu corpo.
Acredite, forista sem fé. Quando fui jovem, assisti a um filme espetacular, o enredo falava sobre um homem que tentava realizar um grande projeto, mas no fim tudo deu errado, ele fracassou. De repente, logo após a constatação do fracasso, se viu em um lugar deserto e misteriosamente uma música surgiu ao longe, ele se deixou levar pelo ritmo e começou a dançar, dançar sozinho, freneticamente, celebrando a própria derrota. Uma cena linda, que influenciou muito a filosofia de vida que construí para mim.
Sempre sinto uma irresistível vontade de dançar nessas horas, seja aonde for, principalmente quando sou atingido por frustrações ou decepções. Já ousei algumas vezes, entrei em alguma boate e me esbaldei de dançar, celebrando os meus fracassos, pois são os fracassos os grandes mestres da vida.
Sou visceralmente ligado ao Rio de Janeiro, de gaúcho só tenho a certidão de nascimento, pois foi onde brotei e é onde possuo parentes por um lado da família, mas sou um carioca contaminado pelo mar, pelas ruelas do Centro, pela mureta da Urca, pelo crepúsculo do Arpoador e pelo aconchego verde da Tijuca. Sendo gaúcho por nascimento, sou mais carioca do que muitos cariocas, mas talvez exista um gene remanescente no meu DNA que me faz sentir vontade de rever a minha cidade natal, de ouvir o sotaque que não tenho, de cortejar as mulheres de aparência nórdica que pouco vejo por aqui. Porém, como um carioca adotado, que queria ter nascido carioca, amo a pele morena, a textura chocolate da mulata, a tez sedosa de uma negra.
Não me lembro como cheguei ali, mas o meu caminhar a esmo me levou até a Rua da Alfândega, avistei um toldo verde com luzes vermelhas piscando, um bordel incorporado a um sobrado de longa escadaria. Entrei, escalei os intermináveis degraus e alcancei a pista da boate. O lugar estava cheio, algumas meninas interessantes encaixadas em microscópicos biquines. Aproximei-me do balcão, pedi uma Ice e fui para um canto que me desse a visão panorâmica do ambiente.
Percebi uma mulata descomunal me encarando, fiquei intimidado pelo porte da mulher e continuei na minha posição, inerte. A garota não parava de me secar, até que realizou a abordagem.
— Olha, eu vim para te dizer que você é um coroa muito charmoso — de tanto ouvir essas mentiras sinceras, a minha vaidade vai terminar aceitando os elogios.
Fiquei sem graça, pois nunca sei o quanto as reverências podem ser falsas, mas agradeci e retribuí a bajulação. Fernanda é seu nome, estimei que tenha 1,70m de altura, o corpo imaculadamente sarado é o resultado de treinos diários em academia, rosto bonito, sorriso arrebatador, cabelos compridos e cacheados, coxas grossas e torneadas e uma bunda tão esférica que poderíamos desenhar nela o mapa mundi da luxúria. Uma mulher linda.
Perguntei se Fernanda queria beber algo, ela respondeu que poderia me acompanhar na Ice. Ficamos bebendo, conversando, do nada ela me pergunta se não quero levá-la para a minha casa, queria dormir comigo. Confesso, estimado forista, quase aceitei a perigosa proposta, mas acabei sugerindo que seria mais interessante que o primeiro contato fosse na boate, para nos conhecermos um pouco.
Depois de muito se esfregar em mim e deixar o relevo da sua bunda indefectível marcado na minha calça, eu a convidei para subirmos à alcova. Paguei 180 reais pelos deleites de uma hora (paguei duas), fui conduzido a uma cabine com cama de casal, rodeada de paredes que não se uniam ao teto. Da cabine ao lado, ressoavam gemidos de um sexo frenético, mas essas interferências não me incomodam, me excitam. Aguardei por um minuto no quarto e então Fernanda entra coberta por um robe transparente, que revelava as suas curvas abissais pela gradação fumê do tecido. Salivei de tesão, é possível que um filete de baba tenha escorrido pelo canto da minha boca.
Fernanda se despe e se lança implacável aos meus braços. Beijos, esfregação, chupo seus seios duros e com formato de pera madura, ela me pede que não pare de beijá-la. Fernanda se entrega, o fogo é verdadeiro. Saquei o meu aparelhinho semimedieval do bolso da calça pendurada no cabideiro e o introduzi na vagina da mulher, ela deu um salto, contorceu o rosto, começou a rebolar enquanto eu acariciava o seu grelo graúdo com o vibrador. Ela me interrompe antes do gozo e ergue a cabeça para me chupar, um boquete devastador, alisa meu saco com as unhas, sobe para lamber meu tórax e subitamente monta em mim como amazona ninfomaníaca. Meu pau se encaixa em sua boceta, ela rebola, quica, geme alto. Gozei litros, todo o meu estoque de fluidos seminal, me senti desidratado após o coito intenso.
Conversamos mais um pouco, Fernanda me contou que frequenta uma escola de samba, já foi passista (eu devia ter adivinhado) e trabalha como acompanhante para completar a renda. Disse que quer muito sair comigo fora, na minha casa, num motel, que ficou encantada por mim. Devo acreditar? Hora de nos despedirmos e ela me faz uma pergunta.
— Você até agora não me disse o seu nome? Qual o seu nome? — ela reclama.
— Dante. Me chamo Dante.
Ganhei novamente as ruas noturnas do Centro, minha velha carcaça estava leve depois do encontro com Fernanda. De novo, o meu aparelho auditivo emparelha com o celular e me joga na batida de Haddaway, com Life. Balancei a cabeça, arrisquei-me num bailar discreto e segui em frente até que o Sol viesse me saudar outra vez. A vida é um sopro...
#Libertine-se
FIM