14 de fevereiro de 2024 às 22:19
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

DISSE QUE FAZ

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

TALVEZ

Um lobo nascido em cativeiro nunca vai conhecer a satisfação de correr pela mata, sempre intuirá que o seu maior divertimento é girar em círculos em uma jaula claustrofóbica.

Um pássaro criado em gaiola, jamais compreenderá a mágica potente das suas asas, não saberá onde elas podem levá-lo. Sua maior alegria sempre será saltar entre estreitos poleiros.

Nunca me casei. Não tive filhos. Ao envelhecer, consegui me desvencilhar da ilusão do amor, a armadilha que o homem criou para o próprio homem, o grilhão que amarra nossos instintos primários.

O amor foi engendrado para diluir nosso espírito selvagem na mistura incompleta de uma companhia. Só sente solidão quem não é capaz de suportar a intensidade da própria alma. Decidi viver das paixões, me deixando levar pelos redemoinhos fugazes do desejo, mas a invenção do amor tem uma função social. No entanto, se fosse real, muitos não estariam buscando prostitutas.

Anoitece. Concluo a análise de alguns documentos, fecho minha sala e desço para a garagem. Um toque na chave, as lanternas piscam e as portas do carro se destrancam. Eu entro e troco a camiseta azul por uma blusa preta, cuidadosamente disposta no banco do carona. Deixo de ser eu para ser o outro.

Giro a ignição, o motor ruge desafiando o asfalto, afundo o acelerador e estou voando. Ligo o rádio e uma batida crescente me serve como trilha sonora, eu ergo um dos braços para fora da janela e sinto uma brisa fresca e desgarrada do verão cortando a noite. Concentro-me para conseguir manejar aquela poderosa liberdade. A liberdade é um poder que extasia.

Ancoro na Vila Mimosa, começa uma chuva bem fina fazia tudo ali se tornar ainda mais sombrio, finco minhas botas sobre os paralelepípedos da Sotero Reis e sigo adiante. A Vila Mimosa é uma selva onde redescobrimos nossa face primitiva, nos reencontramos com o nosso instinto predador.

Esbarrei em mulheres que eu nunca havia visto. Rodei pelas galerias e encontrei a fêmea que capturou minha libido: Samanta.

Adoro mulheres negras, pois toda beleza negra é única, desenhada em traços absolutamente originais.

Sou rápido na abordagem, logo eu estaria na masmorra da Casa 30 admirando o lindo rosto da Samanta e o seu corpo em curvas talhadas pela delicadeza.

Não demorou muito e estávamos enroscados, transando ao som da chuva batendo sobre as telhas Brasilit que cobriam o minúsculo cubículo. Ela beija com ardor, chupa com tesão e de quatro é literalmente uma Vênus esculpida em ébano. Maravilhosa. Confesso a minha paixão na explosão do gozo e tudo termina no tempo em que deve durar.

Olho dentro dos olhos escuros da menina e digo que estou correndo o risco de me apaixonar, ela sorri e diz que seria a melhor paixão da minha vida, pois estaria sempre disponível e eu gastaria pouco. Na Vila Mimosa, o sexo não é somente barato... É um barato.

Retorno ao meu carro, giro a ignição e o motor ruge intimidando a penumbra... Piso no acelerador e mergulhamos no orvalho que nos rodeia, estou voando outra vez. Ligo o rádio e uma batida crescente toma os meus sentidos, subo o viaduto que vai desaguar ao lado do Maracanã, ergo um dos braços para fora da janela, uma brisa fria e órfã lambe a minha mão.

Ninguém me espera. Tento não me embriagar com a liberdade, a liberdade é um poder que extasia, é uma força que arrebata como a música que inundou a cabine...

SET ME FREE Dancinha