BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
DISSE QUE FAZ
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM
Aconteceu em um dia da semana passada, um dia quente, fumegante. Eu havia saído de uma sessão do atual filme da moda, o “Ainda Estou Aqui”, cujo livro li anos atrás. Gostei do filme, sem considerá-lo excepcional. Ao assisti-lo, me vi arremessado a estranhas lembranças.
Nascido no interior do Rio Grande do Sul, cheguei ao Rio de Janeiro ainda criança, no início da década de 70, no auge da ditatura militar, sob o signo do AI-5. Na rua da Tijuca onde residi, moravam muitos militares, muitos generais, a maioria em casas imensas, quase mansões. A Tijuca foi um habitat do generalato. Minha escola tinha vista para duas referências tijucanas, a antiga fábrica da Brahma e o Primeiro Batalhão do Exército, aquele em que na época funcionava o temido Doi-Codi.
Eu me sentava ao lado da janela da sala de aula e podia ver os caixotes de cerveja descendo e subindo pelas esteiras da fábrica, mas não fazia ideia do que acontecia no Doi-Codi. Talvez, por influência de algum colega da rua, filho ou neto de militar, conseguíamos jogar bola em uma quadra de futebol de salão que havia dentro do Primeiro Batalhão. Imagine, afeiçoado forista, década de 70, jogando bola no Doi-Codi, sem conseguir nem sequer compreender o que era tortura e assassinato. Eu ria e me divertia no pátio do mal.
Cresci na bolha da ditadura, uma bolha que não me permitia saber das revoltas, dos revolucionários, das revoluções, dos exilados, dos subversivos. Um tempo em que revista pornográfica ficava oculta sob um saco preto nas bancas de jornais. Tempo de censura, jamais de liberdade.
Acredite, Forista sem Fé. Minha mente se ocupava de todas essas reflexões enquanto eu caminhava na noite desértica do Centro da Cidade em busca de algum bordel que saciasse a sede infatigável da libido.
Passei pela Termas 65, reinaugurada pela terceira vez, tudo me pareceu um vácuo na Rua do Rosário. Puxaram-me para a recepção e me apresentaram a cafeteira, preferi não ver mais nada e desviei o rumo para a Rua da Quitanda. Na 74, fui avisado pelo camarada da portaria que só tinham quatro mulheres presentes na casa. Corri.
Sou um andarilho, saí dali e caminhei até a 119, a famosa “Só Love”, na Rua da Alfândega. A casa estava surpreendentemente lotada, muitas mulheres e clientes. Isso me fez calcular que os altos preços das grandes termas estão direcionando clientes para os trashes.
É possível que a bolha repressiva que vivi na infância e na adolescência tenha me tornado este libertino afeito às aventuras, aos experimentos, principalmente os sexuais. Não tenho certeza, mas quem terá?
Não é exagero, vi algumas novinhas maravilhosas na pista da 119. Não sei como o gerente lá consegue colocar tantas novinhas bonitas naquele antro, mas consegue. No entanto, acabei esbarrando com a Pérola e devia a ela um novo encontro. Estava linda, em um biquine microscópico que realçava o corpo de falsa magra, cabelos em longos fios negros que desciam pelas costas, olhar de cigana e sempre muito disposta a agradar.
Pedi uma alcova.
Atualmente, é raro eu me espantar com uma boa foda, mas Pérola caprichou nesse dia. Depois de muitos beijos, de um longo boquete, vivi uma das melhores experiências de penetração da minha vida. Ejaculei a árvore da vida inteira. Foi muito bom.
Saí menos ansioso da 119, com o saco vazio e com a mente menos frenética. Foi aquele sexo com garota de programa que você paga e não se sente nem um pouco arrependido do dinheiro que gastou. Pelo contrário, planeja retornar. E volto.
Entrei no metrô sem pensar em mais nada, somente sentido as ondas elétricas que ainda circulavam pelo meu corpo. Veio o túnel e tudo se apagou.