BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ
Começava a anoitecer, mas isso não é vantagem atualmente, pois o calor prossegue implacável. Eu me arremessava pelas vias esvaziadas do Centro suando como se estivesse em uma sauna clandestina. Atravessando a Rua 13 de Maio, sou abordado por um camelô com olhos esbugalhados, cabelos em pé e mais suado do que eu...
— Ô, meu senhor. Tô com perfume da Natura em promoção. Leva um pra sua esposa? Ajuda aí o trabalhador.
— Não tenho esposa — respondi.
— Não? Solteirão? Mas tem filha, né? Leva pra sua filha. É o último, quero vender para ir embora.
— Não tenho filha — dei outra negativa.
— Não tem filha? Tem filhos?
— Não.
— Ih, que chato heim, meu senhor. Tem mãe?
— Mãe eu tenho.
— Pô, que alívio. Se o senhor não tivesse mãe eu ia chamar a Assistência Social — e o camelô gargalhou da própria piada — leva pra mamãe o perfume. Ajuda o trabalhador — insistiu.
Balancei a cabeça em negativa, me desvencilhei do sujeito e segui meu rumo. Ainda me afastando, escutei o camelô murmurar um “porra de velho murrinha”.
A Cinelândia fervilhava, mas preferi passar batido e escolhi estacionar o corpo em um boteco da Rua Evaristo da Veiga. Pedi uma dose de uísque com gelo, não tinha. Pedi um martini, não tinha. Precisei me conformar com a cerveja. A garrafa veio esbranquiçada, com vestígios de gelo, derramei o líquido no copo e o entornei pela garganta. A sensação de ressurreição deve ser semelhante a que eu vivi naquele instante.
Comecei a fuxicar meu celular em busca de alguma mulher de ocasião. Quem me acompanha, sabe que estou saturado dos consultórios sexuais, é uma situação que não me excita. Alguns velhos, como eu, se tornam mais exigentes e há o tédio de já não se contentar somente com a ejaculação. Preciso do sabor da aventura, da descoberta, da caça. Essa coisa de ficar esperando resposta no zap, de precisar agendar... Deus me livre, é muito cansativo. Nessa noite, no entanto, eu queria mergulhar em uma hidromassagem, mas precisava de um pretexto para entrar em algum motel.
O cartel das perdidas cobra um cachê que me parece impróprio, mas esbarrei com a sorte de encontrar o anúncio da Lívia, que promete a felicidade por 200 contos a hora. Fiz contato.
A moça não tinha local, o que veio a calhar, eu queria muito mais a hidromassagem do que o sexo. Perguntei se ela me atenderia em um conhecido motel próximo de onde eu estava, a resposta positiva e a disponibilidade do horário me fizeram marcar o encontro.
Corri para o motel, queria me adiantar. Peguei o quarto com hidro. Enchi a banheira, mergulhei. Foi a segunda sublimação espiritual da noite, foi como se eu entrasse pelos portais do paraíso. Meu combalido pênis ficou duro na água fria. Um fenômeno.
Lívia chegou. Morena gostosa, sensual, simpática. Não me negou o primeiro beijo apetitoso. Tirou a roupa, exibiu suas curvas pecaminosas. Mamei seus peitinhos pequenos e firmes com a fome de um recém-nascido. Os gemidinhos da menina me embalavam. Fiquei ali, roçando me cada parte livre do corpo provocante da garota.
Colei meus lábios na vagina quente e úmida da fêmea, ela gemeu mais alto, se contorceu, estremeceu em minha boca e gozou. Sinceramente, eu não estava disposto ao esforço da penetração, pedi que Lívia me chupasse. Ela o fez com profundo conhecimento da anatomia peniana. Em menos de um minuto, eu ejaculei toda a minha futura biografia da Wikipédia.
Conversamos um pouco, acertei as contas e liberei a moça. Retornei a redentora banheira de hidromassagem. Que delícia. Fiquei ali, mergulhado enquanto minhas mãos e pés enrugavam-se pelo efeito da água. Quase adormeci. Como tudo na vida, o tempo acabou. Vesti minhas roupas e deixei o hotel.
A rua estava deserta, povoada de sombras vadias, o som das minhas botas sobre a calçada ecoava perguntas sem respostas. Andei até os arredores do Amarelinho, avistei um táxi e embarquei.
As luzes brancas e amarelas desenhavam fachos de claridade no asfalto. Recostei minha cabeça na janela. O preço da liberdade absoluta é a solidão. Não pensem que a solidão é triste, ela pode ser uma avalanche de euforia.
O rádio do carro me ofereceu a trilha sonora. É estranho saber que a nossa vida caminha para o fim. E nesta existência feita de breves capítulos, encerrei mais um torcendo para que o epílogo demore a ser escrito.
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