01 de Maio de 2025 às 16:13
ANA
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BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

NãO SEI

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

Confesso, eu já me apaixonei por profissionais do sexo. Algumas vezes, aliás. O que, convenhamos, diz mais sobre a minha vida afetiva do que sobre o mercado sexual. Mas, claro, apaixonar-se por uma acompanhante não é exatamente amor — é mais a tentativa atrapalhada de capturar uma fantasia com horário marcado e orgasmo incluso no pacote.

Durante algum tempo, jurei que era paixão verdadeira. Até escrevi mentalmente uma comédia romântica em que ela largava tudo por mim, e a gente abria uma Livraria-Café em Lisboa.

O bom é que essas minhas paixões sempre tiveram prazo de validade. Nunca atravessaram a fronteira da obsessão sexual. E isso, pasme, é o que me faz acreditar que talvez eu ainda tenha salvação.

Veja, o amor por garotas de programa não é exatamente pelo "ser humano" que está ali — e sim pela ideia de alguém que te oferece prazer sob demanda, como um Uber da intimidade. Ou como um prêmio à nossa vaidade. Cruel? Sim. Misógino? Provavelmente. Mas se formos sinceros, é melhor confessar as pequenas sordidezes do pensamento masculino do que fingir que somos melhores do que realmente somos. Afinal, até os homens que pagam por amor querem acreditar que estão comprando sinceridade.

Acredite, Forista sem fé. Quase aconteceu novamente. Quando Ana (codinome Fatal) entrou no quarto do motel, senti que o combalido Pikachu estremeceu. Porque, na verdade, não acredito que somos nós que nos apaixonamos, quem se apaixona é o pênis. Partindo dessa teoria, eu poderia supor que o pênis é um ser vivo consciente, que faz as próprias escolhas e é indiferente ao humano que ele carrega a reboque. Talvez seja um parasita filosófico. Ou um guru hormonal que vive de impulsos e más decisões.

Bonita, delicada e pequenina. Poderia ser rainha, claro, se tivesse mais dez centímetros de altura, mas do jeito que veio ao mundo, já é uma princesa — daquelas especializadas em dominar corações solitários e frágeis como pudim de sobremesa.

Foi carinhosa, me deu um beijo na boca, longo o suficiente para eu considerar pedi-la em namoro, mas tive receio de assustá-la. E foi nesse momento que meu pênis, aquele veterano de guerra que sobrevive à base de lembranças e pílulas azuis, decidiu se manifestar. Ficou ereto com o esforço concentrado de um velho tentando levantar-se da poltrona sem pegar o cajado, sem força e com a dignidade oscilando entre a artrose e a esperança.

O que veio depois foi minha patética, quase heroica, tentativa de consumar o ato sexual — uma espécie de teatro corporal em que eu era o ator principal, o contrarregra e o espectador frustrado.

Tecnicamente, sou um idoso. E não aquele idoso vigoroso de propaganda de suplemento vitamínico, mas o tipo que passa os dias inalando poeira de livros numa biblioteca mal iluminada, tentando encontrar o sentido da vida... e, claro, fracassando gloriosamente. Essa busca existencial inútil — que nunca resultou em nada além de crises de ansiedade e dores na coluna — cobra um preço: a libido atrofiada, como uma planta esquecida na sombra, implorando por água e estímulo.

Ana foi espetacular. Daquelas performances que você só vê em filmes europeus com classificação indicativa para adultos tarados. Doce, sensual, entusiasmada — parecia ter feito estágio no Olimpo como aluna aplicada de Afrodite. E eu ali, tentando acompanhar, como um figurante deslocado de uma novela da Globo. A entrega dela só serviu para realçar o meu vexame: enquanto ela levaria qualquer um às nuvens, eu mal conseguia decolar da pista.

Ela foi muito paciente, é verdade — um anjo erótico com tolerância budista. Afinal, não é todo dia que se tenta colocar um preservativo num pênis que lembra vagamente uma massa de pão de queijo antes de ir ao forno: mole, disforme e com grandes expectativas que raramente se concretizam.

Algum estimado Forista — sempre há um — pode muito bem perguntar: “Mas o Dante não sente vergonha de se autodepreciar em público?” Ao que eu respondo: vergonha eu sentiria se mentisse, como fazem nove entre dez homens em qualquer roda de conversa testosterônica. Prefiro ser honesto, ainda que isso arruíne minha reputação em fóruns e me torne um personagem tragicômico em minha própria narrativa. Porque, sejamos francos, para ser verdadeiro não posso sair por aí dizendo que sou o Kid Bengala.

O bom é que, incrivelmente, tudo deu certo — dentro dos parâmetros do caos controlado que rege minha vida afetiva. No final, fui novamente tomado pelo impulso tão irracional quanto meus históricos amorosos e quase pedi Ana em namoro. Namoro! Veja bem, a insanidade à espreita. Felizmente, o tempo — esse sabotador que às vezes age como anjo da guarda — não permitiu. Ela se levantou, vestiu-se com a leveza de uma fada que jogou seu feitiço, e saiu antes que eu cometesse a idiotice definitiva de misturar sexo pago com promessas afetivas.