BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
NãO SEI
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO

Hoje me lancei numa maratona física e moral para a qual, honestamente, não tenho mais nem preparo atlético nem emocional. Meu corpo dói em lugares que eu pensava estarem aposentados da função. As juntas reclamam, os músculos protestam...
Minha primeira parada foi na Uruguaiana 24 — que, para quem não conhece, é o tipo de lugar que transforma o conceito de "baixo astral" em arquitetura. Insalubre? Absolutamente. Aliás, só não acha insalubre quem já internalizou o mofo existencial como estilo de vida. O ambiente é uma mistura de filme de terror com cortiço pós-apocalíptico. E ainda assim, eu fui. Com a mesma lucidez de quem aceita um convite para jantar com o Putin em Chernobyl.
Subi aquela escadaria miserável, de paredes decadentes, que mais parecia um cenário alternativo do filme “Coração Satânico” — sabe aquela parte em que tudo parece ser uma metáfora para o inferno? Pois é. Menos a parte da metáfora.
Cada degrau me lembrava que o joelho humano foi feito para correr atrás de sonhos, não de prostitutas tristes num prédio com cheiro de desinfetante e sem nenhum vidro de álcool gel para nos consolar.
E no entanto, lá estava eu, um homem da terceira idade, arfando como um cachorro asmático, prestes a transar — ou a tentar — num cubículo com o charme de um matadouro. Tudo em nome de um prazer que, sinceramente, já me causa mais culpa do que alívio. Eu não precisava daquilo. Eu podia ter lido um bom livro. Ou feito alongamento. Ou morrido com mais dignidade.
Mas não. Eu fui.
Para não me alongar — pois dizem que sou prolixo, que falo demais e não entrego as informações que realmente interessam, como se a vida fosse uma planilha de Excel com colunas para “gozo”, “decepção” e “eventual arrependimento” — avistei uma moreninha no primeiro andar.
Ela saltitava com os peitinhos expostos, duros como se tivessem sido abençoados por um escultor renascentista e um ar-condicionado mal regulado. Sabe aquele tipo de mulher que, só de olhar, você ouve uma sirene imaginária avisando: perigo, cilada?
Pois é. Geralmente, mulheres que deixam os seios bonitos assim à mostra são como pratos muito bem apresentados em restaurantes ruins — a aparência te seduz, mas o gosto é de decepção temperada salmonela.
Mas é claro que eu não resisti. Meu cérebro ficou quieto. Meu senso de autopreservação tirou férias. E lá fui eu, conduzido não por desejo, mas por aquela força ancestral que move homens solitários a tomar decisões das quais se arrependem antes mesmo de tirar a cueca.
Apresentou-se como Cíntia. Nome de novela das seis. E os seios… bom, os seios desafiavam a lógica, a física e talvez até a teologia. De perto, tinham um magnetismo tão intenso que, juro, um defunto de sete dias salivaria — e talvez pedisse um cigarro depois.
E foi então que tive uma ideia um tanto peculiar. Nada de sexo convencional. Nada de penetração, posições ou acrobacias que exigem alongamento ou autoestima. Não. Eu queria algo mais... estético. Propus um tempo de programa apenas para chupar seus seios e beijar na boca. Um fetiche idiota. Como um adolescente tardio.
Perguntei se ela topava.
Ela olhou com uma mistura de surpresa e tédio profissional. E então disse: “Topo.”
Disse com aquela naturalidade de quem já viu de tudo — inclusive homens como eu, que pagam por um simulacro de afeto lactante e afagos orais com subtexto maternal mal resolvido.
E eu, claro, me senti um gênio. Um romântico à moda antiga. Ou um tarado com preguiça. Difícil saber.
Sentamo-nos naquilo que chamam de cama na 24, mas que, honestamente, parece mais uma mesa para castrar leitões. E lá estavam eles, os seios, gloriosos, macios, simétricos, com uma leveza que me fez esquecer momentaneamente que eu tinha boletos vencendo.
Comecei devagar. Não queria parecer um desesperado — embora, na essência, fosse exatamente isso. Beijei, lambi, aspirei cada centímetro daqueles seios como se procurasse sentido na vida entre as aréolas. E, por alguns instantes, achei que tinha encontrado.
Ela soltava uns suspiros educados, do tipo "não estou odiando, mas também não esperava um adulto de meia-idade lambendo meus peitos como se fossem sobremesa". O que, claro, era exatamente o que estava acontecendo.
Depois vieram os beijos. Beijar na boca em programa é sempre arriscado — é como pedir abraço em aeroporto: geralmente sai pela metade e com gosto de despedida. Mas com a Cíntia, por algum motivo, funcionou. Beijos molhados, lentos, sem julgamento. Tive um breve devaneio em que achei que talvez ela gostasse de mim. Ou talvez fosse só o protocolo. Difícil saber onde termina o afeto e começa o serviço.
Em algum momento, ela deitou-se sobre mim. Ficamos ali, meio enroscados, ela com os peitos nos meus olhos, eu com a mente girando entre poesia e punheta. Senti vontade de perguntar sobre a infância dela. Se gostava de Chico Buarque. Mas me contive. Já era patético o suficiente por pagar para beijar e acariciar. Não queria adicionar uma entrevista no meio.
Quando o tempo se esgotou, ela se levantou com a mesma leveza com que desfazem um feitiço, e me lançou um olhar que dizia algo como "obrigada por não ser um psicopata".
Vesti-me em silêncio, como quem sai de um templo profano. E fui embora pensando: talvez, no fundo, eu só queira ser amamentado emocionalmente. Ou talvez eu só esteja velho demais para essa merda.