BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
Aproximei-me sem pressa, como quem se arrisca a encostar o passado no presente. “Natália”, ela disse, com a naturalidade de quem já não se lembra do nome verdadeiro. Sorri. Eu também já fui outro. Ofereci uma cerveja, ela aceitou. Falamos sobre a cidade, sobre os ônibus que nunca chegam, sobre o preço das coisas. Mas havia outra conversa acontecendo por debaixo das frases — um acordo tácito entre dois corpos que já se sabiam fadados ao esquecimento. Conversamos sobre quase nada, como se o quase fosse a única coisa que restava entre dois estranhos. Quando ela me tocou o joelho com os dedos, não houve desejo: houve um pacto.
Fomos para um quarto — o que na 119 se assemelha a uma masmorra medieval — onde um ventilador zumbia como um mosquito obeso. A cama castigada por tantos encontros vazios rangia como sempre, as divisórias tinham marcas de outras histórias solitárias. Ela tirou a roupa como quem se desfaz de um uniforme, e eu a encarei como quem vê pela última vez a beleza do mundo antes do colapso. Fizemos amor sem amor, mas com uma delicadeza constrangida. Toquei seus seios com reverência. Ela fingiu prazer com a perícia de uma atriz predestinada ao Oscar. Mas em algum momento — breve e inconfessável — nos pertencemos de verdade. Gozei.
Depois, ela se virou para o lado e se desconectou por uns segundos. Fiquei olhando o teto, que parecia querer desabar lentamente. “Você é estranho”, ela disse como se me afrontasse, e eu quis rir, mas me contive. Não era. Só estou velho demais para mentir direito. Beijei sua nuca antes de sair, como se aquilo fosse um gesto de despedida do mundo. E era.
Na rua, o ar era outro — como se a noite tivesse me devolvido ao planeta, a mim mesmo. Voltei para casa de metrô, carregando no corpo o silêncio de um encontro que não era amor, nem redenção, nem culpa. Era só uma trégua. E às vezes, uma trégua vale mais que qualquer final feliz.