BEIJO
SIM - NãO GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
NãO SEI
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
NãO
Foi ali que encontrei Valéria. Nome de certidão vencida. Não importa — os nomes ali não passam de véus, e véu, naquele antro, é inútil. Tinha coxas de rainha aposentada e olhos de quem cobra pelo prazer que promete e não entrega. Eu paguei — não por tesão, mas por uma irrefreável necessidade. Porque queria fingir que alguém ainda me tocava sem desprezo.
No quarto, entre lençóis gastos e gemidos de outros pecados, ela tirou a roupa como um empacotador de supermercado. E eu? Eu tirei a minha com vergonha da velhice que nos transforma em rugas ambulantes. Não aconteceu muita coisa. Houve um corpo em cima de outro, tentando não lembrar que um dia tiveram sonhos. Ela cavalgava sem pressa, como quem repete uma reza que já perdeu o sentido. E eu gozei não por prazer, mas por absoluta rendição.
Terminamos calados. E, por um momento, fomos dois estranhos íntimos, dividindo a mesma mudez imunda. Pensei em perguntar seu verdadeiro nome. Pensei em dizer algo bonito. Mas o Bombeirinho não é lugar de diálogos, é de ecos. E o eco mais alto ali é o da solidão. Ela vestiu a calcinha com a dignidade de quem já viu o fim do mundo e achou entediante.
Na saída, o barulho da cidade me pareceu hipócrita. Como se todo o resto do universo estivesse limpo, quando no fundo era só mais um cenário elegante na podridão. Voltei para casa cheirando a mofo. E quando me deitei, sem banho nem culpa, entendi que o que houve entre nós não foi sexo. Foi luto. Um luto a dois, pago em dinheiro vivo e silêncio.