20 de Agosto de 2025 às 23:22
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

NãO

Durante o dia, o cenário é de uma região que parece ter sido alvejada por mísseis potentes, deixando uma paisagem de ruínas misturada com sujeira. Foi essa a minha primeira impressão ao entrar na Rua Ceará, retornando de uma visita profissional a um renomado colégio de São Cristóvão.

Ao adentrar a famigerada Rua Sotero dos Reis, onde fica a ainda mais célebre Vila Mimosa, não vemos apenas as ruínas ocupadas do antigo jornal Última Hora, mas também aqueles seres decaídos, conformados com a ausência do próprio destino. Sob a luz do sol, tudo se torna mais trágico, mais triste. A Vila Mimosa é um limbo.

Para quebrar um pouco o baixo astral urbano que ameaçava me engolir, sincronizei o celular com os aparelhos auditivos e deixei que as batidas me embalassem...

THE POLICE

Havia décadas que eu não pisava na zona do meretrício antes do anoitecer. A sensação é estranha, quase agônica: a luz revela a chaga que as sombras ocultam. Não vi muitos possíveis clientes perambulando pelos corredores promíscuos, tampouco muitas mulheres se oferecendo ao sacrifício. Mas avistei uma ruiva tatuada, de corpo escultural, na porta de uma casa ao fim do primeiro corredor em “U”.

Ela se animou ao perceber que eu me aproximava. Sorriu. Um sorriso de canto de boca que formava uma covinha na ponta dos lábios. Sexy. Muito sexy. Apresentou-se como Ninotchka, título de um filme com Greta Garbo. Aquilo me intrigou: o que teria levado aquela moça a escolher tal nome?

Sou objetivo. Perguntei se beijava, se o boquete seria sem camisinha, se era carinhosa. As respostas vieram positivas e entusiasmadas. O preço me surpreendeu — talvez pela manhã os valores sejam menores. Pediu 80 reais e uma caixinha se eu gostasse. Eu já estava gostando.

Caminhamos juntos em busca da alcova. A casa tinha uma escada de ferro em forma de caracol — são as piores. Subimos. A menina pediu para ir atrás de mim, alegando receio de que eu me desequilibrasse. Acredite, Forista sem Fé: a velhice desperta esses gestos de compaixão.

*****

Já no quarto, se é que se pode chamar de quarto o buraco onde me enfiei, a menina livrou-se das parcas peças de roupa: um top branco e um short jeans. Avancei como um cachorro faminto para beijá-la. Ela permitiu, retribuindo. Beijo gostoso. Então reparei em seus seios. Que seios! Lindos, suculentos, cabiam na palma da mão com os biquinhos rosados e durinhos espetando. Mamei com a força de um recém-nascido desesperado de fome. Ninotchka gemia. Gemia alto e socava minhas costas.

Chegou a um ponto em que temi que a menina me causasse uma fratura vertebral. Mudei de posição. Deitei-me no colchão — que, ao receber meu peso, levantou uma poeira tóxica. Esperei a boca da menina engolir meu combalido pênis. Ela veio. Engoliu. Abocanhou. Chupou-me como quem descobre um favo de mel, querendo o líquido, sugando até a última gota. Conseguiu. Gozei como um chafariz velho depois da reforma. Ninotchka engoliu parte e deixou o excesso se diluir na atmosfera.

Arfando após o coito, perguntei à menina se o nome que usava era verdadeiro. Ela disse que não. Perguntei o porquê da escolha e respondeu que certa vez viu a foto em preto e branco de uma atriz linda numa revista. Na legenda estava escrito Ninotchka. Ela confundiu o nome da atriz com o da personagem — e ficou com a personagem. São as pequenas obras poéticas da zona.

Paguei pelo serviço e nos despedimos. Segui caminhando até a Rua Ceará em busca de um táxi, meus butes rompendo o lixo e as ruínas. Acionei novamente o celular e os meus aparelhos auditivos...

CULTURE BEAT

Meu nome? Dante. Me chamo Dante.