03 de Outubro de 2025 às 23:13
LAVÍNIA
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BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

NãO SEI

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM

JUST ANOTHER NIGHT


Mick Jagger embalava os pneus do Sucatão, cortávamos as vias e os ventos do Centro da Cidade até alcançar o meu point favorito, o meu pit stop espiritual. Existem lugares que se tornam coadjuvantes da nossa existência e prefiro lugares onde sou anônimo, invisível, não importe quantas vezes eu os frequente. Assim é o Boteco Bacurau, nome que rebatizou o antigo Bar das Quengas e que antes de ser Bar das Quengas já era um pardieiro fedorento que eu ia quando a Lapa ainda respirava decadência e puta barata.

Parei o carro quase na porta. Sentei onde pudesse ver a rua. Gosto de olhar o fluxo, a miséria, os passos de gente que não me conhece e nunca vai saber meu nome. Solidão? Sim, às vezes. Mas aprendi a gostar dela. É um vício mais forte que o uísque adulterado que me roubaram. Agora me contento com chope. Vulgar, mas me mantém de pé. Talvez, por isso, eu seja este velho escriba sempre abraçado a descrição do mundo pelas palavras.

Quando o álcool bateu, abri o celular atrás de carne.

Platão, em "O Banquete", coloca na boca do comediógrafo Aristófanes um mito para explicar o amor. No princípio, diz ele, os seres humanos eram esferas completas: tinham quatro braços, quatro pernas e duas faces. Existiam três tipos: o masculino, o feminino e o andrógino. Eram tão fortes que ousaram enfrentar os deuses. Zeus, temendo sua audácia, dividiu-os ao meio. Desde então, cada metade vaga pelo mundo em busca da outra, querendo recompor a antiga unidade. É dessa falta que nasce o desejo (Éros) — o impulso de reencontrar a parte perdida e voltar a ser inteiro.

Lembrei-me de Lavínia, que é dessas mulheres que nos fazem querer voltar, não importa o tempo que passe sem vê-la. Voltei outras vezes e voltaria nessa noite mais uma vez. Morena, corpo suculento, seios apetitosos, boca gulosa e beija. Ressalto esse detalhe por ter a impressão de que atualmente 95% das putas não sabem beijar ou não gostam de beijar. Muitas vezes eu beijo dente, queixo, nariz, cabelo, mas não consigo beijar na boca de tanto que as ineptas se desviam. Acredite, Forista sem fé, a boca virou artigo de luxo. Lavínia beija como quem entrega o fígado.

*****

O céu escurecia quando acertei com ela. Fechei a conta do bar e arranquei no Sucatão, etanol na veia, coração no cio. Toquei a campainha. Lavínia abriu num vestido que sufocava a minha visão. Beijei com pressa, língua desesperada, querendo a alma dela.

A menina se jogou na cama como quem derruba um copo no chão. Eu segui atrás, sem poesia, sem rito, só carne querendo carne. O quarto cheirava a feromônio, e cada movimento era o barulho do impacto contra o colchão gasto. Não havia frases bonitas, só respirações curtas, unhas cravadas e a urgência de dois corpos tentando se apagar um no outro.

O abajur vacilava, luz amarela cortando metade do corpo dela, a outra metade perdida na sombra. Eu a segurava pelos quadris como quem segura a própria salvação. Ela mordia os lábios, gemia baixo, como se não quisesse entregar tudo, mas o corpo entregava. Cada movimento era um soco contra a mudez do mundo lá fora.

O tempo se desfez ali. Não existia dívida, não existia amanhã, não existia passado. Só a fome. Só aquele instante bruto em que a gente esquece quem é. Quando terminou, ficamos largados, dois restos, respirando pesado. A cama parecia o caos de um campo de batalha sem vencedores.

Gozei estrondosamente, golpeado por um boquete articulado com punheta. E no fim, era sempre igual, a solidão voltou, escorrendo pela janela, deitando-se entre nós. Paguei e saí para a noite, agora anestesiado após o coito bem-sucedido.

O Sucatão me esperava. Girei a chave, morcegos rodaram no ar como aplauso. Respirei fundo. Era um plebeu enfastiado depois de um banquete real. Liguei o som:

BITTER SWEET SYMPHONY

Os pneus deslizaram pelo negrume do asfalto e seguimos sem rumo, sabendo que não seria o nosso último capítulo.