10 de Abril de 2026 às 02:55
BEIJO

SIM - GOSTEI

ORAL

SIM - SEM CAMISINHA

ORAL COMPLETO

SIM

ANAL

SIM

TAXA ANAL

R$0.00

REPETECO

SIM



"Eu tomo sopa em todas as minhas refeições, do café da manhã a janta, porque me lembro quando não tinha nem sopa para comer."

- General Calvet, Sharpe´s Rifles



Pois é, senhores, cá estamos mais uma vez na casa que acabou se tornando minha segunda casa.

O grande Abel Silva, escritor, poeta e compositor de talento ímpar, disse que o bar é o descanso do lar, e acredito que ele estava corretíssimo. Todos nós precisamos de um oásis, de um lugar onde possamos depositar nossas paixões e nosso cansaço, pendurar as máscaras gastas pelo uso diário e esticar músculos reais que ficam retesados em recônditos que muitas vezes já nem lembramos.

O meu oásis é a noite.

É a escada quase vertical, escondida, à espera dos iniciados, dos guerreiros da noite, dos aventureiros que fazem girar essa economia clandestina de desejos, carências e urgências. Num mundo cada vez mais complexo, numa pós-modernidade cínica, abusada pela dialética porca dos pseudoacadêmicos, a verdade — por mais feia que seja — precisa ter sua voz ouvida. E o combatente urbano precisa de uma companheira, ainda que efêmera, ainda que os pilares dessa ligação sejam feitos de algodão e fumaça. A fome precisa ser saciada, dos dois lados. É uma simbiose. Uma troca. Um instante de humanidade torta, mas humanidade ainda assim.

E, nobres colegas, às vezes damos sorte.

No dia em que cruzei com Juliana, tive a clara sensação de estar diante de um dos pontos altos dessa jornada. Loira, cabelo na altura dos ombros, corpo esguio e um olhar capaz de deixar Perseu petrificado mesmo com o escudo espelhado em mãos. Havia nela uma beleza quase insolente, dessas que não imploram atenção: simplesmente a arrancam.

No salão, tivemos um momento maravilhoso. Conversamos, falamos de tudo e mais um pouco, e por alguns minutos eu quase esqueci onde estava e o que buscava ali. Quase. Porque a noite tem seus próprios desígnios, e a fome, quando desperta, cobra sua parte.

Eventualmente, ela cobrou a minha.

Fomos para o quarto.

E lá, senhores, nem o fim do mundo teria força para nos interromper.

O que houve entre nós foi daqueles encontros em que a carne parece reconhecer alguma coisa familiar antes mesmo que a cabeça consiga formular. Houve pressa, mas não atropelo; ternura, mas sem delicadeza excessiva; vontade, mas daquela vontade funda, que vem da barriga, do peito, do lugar onde o desejo deixa de ser ideia e vira necessidade. Foi um turbilhão de pernas, beijos, respiração quente, mãos erradas nos lugares certos, um pequeno naufrágio compartilhado do qual nenhum dos dois parecia ter a menor intenção de se salvar.

Tudo era ao mesmo tempo carnal e terno, primal e íntimo. Como se, por alguns minutos, o mundo lá fora tivesse sido suspenso e só restássemos nós dois, afundando de bom grado naquela breve desordem. Há encontros que entregam prazer; outros, mais raros, entregam presença. Juliana entregou os dois.

Saí dali com a sensação de ter encontrado uma alma rara no coração da noite.

E, nesse ramo, meus amigos, isso vale mais do que muito ouro.