Faço este registro de memória porque acredito que merece ser feito e como o GPARENA foi um espaço que época deu apoio pioneiro à iniciativa, nada mais justo do que ser o espaço onde a memória fique registrada. Trata-se de um movimento que de vez em quando cito no fórum e que talvez muitos não conheçam a história.
Há cerca de 3 anos, era criado um grupo de WhatsApp que sacudiu o cansado universo mundano, nascia o grupo “Os Libertinos”. Junto com outro menino, de quem eu me aproximei como amigo, desenvolvi uma ideia e ele ajudou a consolidar o projeto. Eu estava afastado há mais de dois anos de fóruns quando isso ocorreu. Formamos um grupo com vários foristas das antigas, que em algum momento foram referência nos fóruns do passado. Com o tempo, agregamos algumas meninas e tudo virou uma animadíssima e inesperada festa virtual. Tivemos o apoio do arrendatário da 502, que recebeu nossos primeiros encontros e eventos. Posso dizer, sem exagero, que ajudamos a ressuscitar a 502 junto com a nova direção da casa naquele período.
A primeira festa bombou. A 502 ficou pequena para tanta gente, gente do grupo e gente que não era do grupo, inclusive gente do fórum Xelim que acho que foi para estragar a festa e acabou entrando na festa. Foi o reencontro de muitas pessoas que se conheciam e o encontro entre muitos que não se conheciam. Foi bonito, foi um momento feliz. Hoje, reconheço que cometi erros estratégicos ao aprovar no grupo pessoas que traziam um histórico ardiloso e que cultivavam um inexplicável recalque por mim. Foram justamente esses que inocularam com o famigerado veneno que destrói as coisas belas. Uma dessas figuras chegou a fomentar desconfianças com o garoto que me ajudou a erguer o grupo dizendo que ele se arrependeria da amizade comigo. Havia um outro personagem bolorento, nanico e raquítico, que quando levanta os braços me lembra um candelabro de sinagoga, este nunca perdeu o hábito da futrica e da inveja. Voltando ao grupo, foi muito legal o clima de confraternização intensa que ele despertou no início. Funcionava 24 horas, as pessoas não paravam de postar mensagens.
Quem me conhece de perto, sabe que sou uma pessoa reservada, discreta, mas com meus amigos gosto de brincar, é quase a minha forma de demonstrar admiração e carinho. Pois é, mas quando brincamos com pessoas inseguras, que trazem complexos que não identificamos à primeira vista, a brincadeira pode ser levada muito a sério pelo interlocutor. Eu brincava muito com esse guri que me ajudou a criar o grupo e ele não foi capaz de reconhecer que a brincadeira era um gesto franco de amizade, ressentiu-se, tornou-se hostil, me respondeu com um ataque pessoal injustificável e desproporcional. Preocupou-se muito com a opinião alheia. A partir daí, tudo desandou e o grupo se perdeu com o racha, não sem antes passar por um período de declínio lamentável. Foi o anoitecer de uma era iluminada, breve e marcante.
Depois, já como meu ex-amigo, o infante que havia sido meu par no grupo passou às intrigas e maldades comigo, ao ponto de eu ser interpelado dentro do puteiro por um sujeito que mal conheço querendo tirar satisfações pela fofoca que havia escutado do meu sócio mirim. Foi quando vi que não havia mais volta. Por sorte, eu tenho uma frieza exemplar em momentos de conflito, deixei o sujeito gesticular, desabafar, pois eu sabia que era uma vítima de algum fuxico, terminei até pagando uma cerveja para ele. Isso ocorreu minutos após eu ter pedido com educação ao meu ex-amigo, sentado numa mesa de bar, que cessasse com as intrigas, que ele ficasse ligado porque aquela atitude o prejudicaria mais do que a mim. Atravessei dias de muita indignação pelo mancebo que foi coautor do grupo, tive uma reação dura e compreendi naquele instante o porquê de um apelido pejorativo que ele carregava, dado por outras pessoas... No fim, esqueci.
Para vocês, eu não sei, mas para mim é profundamente amargo abandonar uma amizade. Pior do que isso, é perceber que nunca houve amizade, que a fé no outro foi uma ilusão ingênua. É algo que me faz muito mal. Já passei por essa experiência por umas três ou quatro vezes e sempre é doloroso. Aceito o seu deboche se ele vier, impiedoso forista, mas sou mesmo um homem de sensibilidade apurada. Negar por quê?
Meu juvenil ex-associado primeiro montou outro grupo usando o dicionário Aurélio para escolher o nome, depois parece que pediu para ser administrador de um segundo grupo que já estava estabelecido. Reparei que ele queria brilhar sozinho, queria uma carreira solo, como o que acontece com grupos de rock que explodem e acabam pelo narcisismo incontido de um dos integrantes. Era uma necessidade, uma carência do menino. Foi o que aconteceu. Com ele, seguiram alguns camaradas que imaginaram que o brilho de tudo vinha daquele lado e não do meu; que os contatos com os donos das casas estavam com ele e não comigo; que a criatividade brotou dele e não de mim. Como eu disse, sou reservado e não faço questão de alimentar a minha vaidade, tanto é assim que o grupo dos Libertinos tinha o comando desse meu agora ex-amigo. Além disso, confesso que não tenho o espírito muito agregador, sou crítico. A inteligência só me permite as amizades inteligentes.
Se um dia você que me lê se tornar meu amigo, pode acreditar, forista sem fé, você terá um parceiro honesto, sincero, transparente e leal. Sou alguém que irá sempre tomar seu partido. Por isso, não se importe com alguma brincadeira pueril que eu possa fazer. Brinco com quem admiro.
O grupo causou tanto barulho que o telemarketing de um outro fórum passou a telefonar para os integrantes dos Libertinos tentando convencê-los a não participarem. Vejam o ridículo ao que o ser-humanoide se submete. Combater um grupo de WhatsApp... O cara ligava, o pessoal contava a patetice e fazia piada dele. Nesse tempo foi nossa piada mais engraçada de ouvir.
Com a reinauguração da 65, chegamos a fazer uns poucos eventos na casa, alguns tiveram muita presença. Fase boa que, ao menos para mim, deixou saudade. Com a cisão que tive com esse meu ex-associado, por quem ainda empreendi algumas tentativas de reaproximação que foram tratadas com esnobismo, fui finalmente convencido de que o mundo mundano é composto de pessoas que não possuem maturidade intelectual. Passou o tempo e o meu longínquo ex-amigo se juntou justamente às pessoas mais muquiranas de fórum, aquelas que ele sabia que não me apreciavam. Foi sua medíocre e previsível vingança, um direito dele. Eu não vou por aí, não cometo covardia. A decepção é um eco. Todo aquele clímax de confraternização que conseguimos erguer, a poderosa marca registrada que conseguimos criar com “Os Libertinos”, tudo foi se dissolvendo, até finalmente sumir na poeira.
Eu escolho sempre praticar o perdão, o perdão judaico. Afinal, tive momentos memoráveis com meu agora ex-afilhado. O problema é que quando perdoamos e assumimos nossos próprios erros ainda fica incrustrada a melancolia de não mais ser possível apostar naquela amizade ou naquele amor que se rompeu. Sim, quando contamos uma história de amizade quebrada é semelhante a contar história de ex-namorada. Todas as amizades, mesmo as que não são sinceras, passam por um momento de amor. E assim o grupo dos Libertinos desapareceu. Talvez, tenha servido como o meu crepúsculo, o meu epitáfio.
Já criei muitas marcas que, modéstia à parte, tiveram uma jornada de sucesso, serviram para unir pessoas e incrementar os fóruns. Foram algumas histórias incríveis. Vivi o auge da Mosaico e estendi isso a todos os foristas; tive um grupo revolucionário e inesquecível no arqueológico Orkut, o “Vila Mimosa Vip” (até hoje tem gente que me procura querendo que eu o reedite); formei o grupo dos “Indomáveis”, o “Clube do Pândego”, grupos de foristas de elite dentro do falecido Hot-Fórum e que tiveram como sede a saudosa Red Light; a criação mais recente foi “Os Libertinos”, em parceria com o meu extraviado ex-camarada.
À minha revelia, tentaram recriar "Os Libertinos" como site, como fórum. Não foi à frente. É preciso entender que toda empresa de sucesso possui uma identidade, uma alma. A alma dos Libertinos estava toda assentada em uma amizade, no afeto e na vontade sincera de reunir pessoas. O espírito dos Libertinos deve ter ecoado ou ainda ecoa por aí, mas por não ser o mesmo grupo, a mesma atmosfera, com o passar dos dias irá se desbotar.
Aprendi que quando criamos uma comunidade é imprescindível filtrar os participantes. A falta de triagem trouxe o veneno de gente com um espírito de frustração reincidente e isso acabou precocemente com “Os Libertinos”. Sou um republicano, um democrata, mas querer levar essas virtudes ao reunir pessoas é um equívoco. Creiam em mim. Passei a acreditar, mais do que nunca, que todo espaço público precisa ter critérios para a participação.
Então, termina aqui a história de uma lenda que marcou corações e mentes. Passou... Aqui jaz “Os Libertinos”. Com certeza, houve quem lamentou e quem comemorou. Vida que segue...
OS LIBERTINOS - UMA HISTÓRIA
Re: OS LIBERTINOS - UMA HISTÓRIA
Não consigo entender quanta coisa tem em jogo pra ter tanto problema, pq no final das contas td gira em torno do seu bolso e em quanto vc tem pra usufruir tanto das damas quanto das bebidas.
'Sonego Neutro e Negativos aqui só relato os positivos !!'
01/09/2023
01/09/2023
Re: OS LIBERTINOS - UMA HISTÓRIA
Vc tem absoluta razão, afeiçoado, mas quando nos aprofundamos mais nas conexões desse subuniverso que são os fóruns, não é difícil ocorrerem conflitos, é um antro de competição e vaidades, femininas e masculinas. Acontece.Psouza021 escreveu:Não consigo entender quanta coisa tem em jogo pra ter tanto problema, pq no final das contas td gira em torno do seu bolso e em quanto vc tem pra usufruir tanto das damas quanto das bebidas.
