Lançado em 1967, A Bela da Tarde conta a estória de Séverine, interpretada pela belíssima Catherine Deneuve, uma rica e bonita cidadã parisiense que lida com sua sexualidade reprimida de uma forma um pouco polemica: trabalha secretamente como prostituta. Como ela só pode trabalhar no bordel, que é utilizado para realizar suas fantasias eróticas e conseguir o prazer não obtido na prática do deu matrimônio, no período em que seu marido (Jean Sorel), um renomado médico trabalha, ela ficou conhecida como “Belle de Jour” (A Bela da Tarde).
O filme "A Bela da Tarde", vencedor do Leão de Ouro em Veneza, (1967), baseado num livro de Joseph Kessel, foi dirigido pelo espanhol Luis Buñuel Portolés (1900-1983) e é considerado uma das obras primas do surrealismo imerso na sétima arte.
À história de Kessel, Buñuel adiciona uma série de seqüências, como os sonhos e pensamentos de Séverine, o que dá ao filme um genuíno tom inquietante e surrealista.
Fiel ao seu estilo narrativo, o cineasta passa da realidade do matrimônio de Séverine, aos seus sonhos sadomasoquistas e, daí, à realidade da vida no bordel.
Certo dia, ela encontra um amigo devasso do marido, que conta sobre um prostíbulo discreto comandado pela Madame Anaïs (Geneviève Page).
O surrealismo é embalado pelas cenas no campo, com cavalos, cocheiros e sexo pesado. Armas, tiros, sangue. Séverine vive isso ou apenas gostaria de? Ela é uma mulher tão fechada nos seus sentimentos e vontades que precisa explodir de forma violenta para dar vazão à sua sexualidade? Talvez, numa análise sociológica e de gênero, a história de Séverine e sua repressão sexual é a de tantas mulheres que vivem sob a ótica do machismo no mundo de ontem e hoje. Porém, A Bela da Tarde é mais que apenas sexo, feminismo latente ou qualquer outra discussão psicológica. É cinema-arte de verdade. Daqueles que provoca, instiga, incita à discussão. Não há certo ou errado para Buñuel. O que importa mesmo é o pensar. E quantas peças artísticas se tornam imortais para chegarem a tal ponto? Talvez esse filme seja um dos maiores exemplos disso. Obra-prima de seu realizador e deleite para o público. Seja aquele que gosta de falar de sexo ou não.
O surrealismo no filme pode ser visto no modo como é tratada a sexualidade de Séverine, pois uma mulher burguesa não podia ser livre do modo que ela é. Além da grande critica aos costumes burgueses, outra característica do movimento surrealista que pode ser identificada no filme, é a crítica aos valores religiosos, retratado na cena em que Séverine é chamada para reencenar um velório. Esta cena foi construída como uma forma de realizar a fantasia de um dos clientes do bordel.
No final do filme, Buñuel coloca uma fantasia, que pode ser tanto atribuída à Séverine como a Pierre. É quando este último se levanta de sua cadeira de rodas e, completamente restabelecido, brinda e faz planos de férias com sua esposa, demonstrando finalmente um ambiente de completa felicidade. Talvez seja uma fantasia de Séverine, significando que, mesmo com o marido preso numa cadeira de rodas, ela está livre de seus sonhos sadomasoquistas e pronta para ter um casamento feliz ao lado de Pierre.
"O surrealismo é destrutivo, mas destrói apenas o que considera algemas que limitam nossa visão"
Salvador Dalí
A Bela da Tarde Trailer Original:
https://www.adorocinema.com/filmes/film ... -19386376/





