DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Sempre fui um animal noturno, desde a adolescência que a noite me intimava por uma atração gravitacional difícil de resistir. Adulto, adquiri uma insônia crônica, uma ansiedade brutal me assola e tenta me empurrar para fora de casa durante as madrugadas. Não sou Sol, sou sombra. Quando me relaciono, é difícil para mim me manter com pessoas que sejam mais diurnas ou que não possam estar comigo em algumas dessas noites de desassossego. Tornei-me notívago ainda muito jovem e talvez somente o cansaço inevitável da velhice possa me curar, mas não deixo de levar em conta que há doenças sem cura.
É provável que eu tenha experimentado a maior parte da minha vida vivida submerso sob o manto da noite. As manhãs e as tardes foram as horas em que inexisti, como um homem comum, espremido em um escritório ou me desviando de outros homens inexistentes que caminham pelas calçadas como se o sentido da vida fosse buscar sentido na mera sobrevivência. Quando anoitece, tudo é diferente, a atmosfera fica impregnada de feromônio, somos caça e caçadores, o desejo é a força que nos move, há sangue, há substância, euforia, fatalidade. À noite não somos replicantes raciocinando caminhos para o sucesso, somos instinto, somos potência, somos outro.
Além da insônia, também me acompanhou desde a juventude a propensão em gostar de estar sozinho, de sair sozinho, uma certa idolatria gótica pela solidão. Sou lobo sem matilha. Estar sozinho para mim é sinônimo indissociável de liberdade, depois de tantos anos abraçado ao celibato a liberdade é algo próximo de uma religião na minha escala de valores.
Raramente eu desenvolvo apego romântico por uma mulher. Para piorar nunca dei muita sorte nas escolhas, dizem as más línguas que tenho o dedo podre, mas as mulheres com quem estive, com quem convivi e dividi minhas loucuras foram mulheres que amei sem amarras. Todas passaram, não ficou nem vestígio de amizade, talvez por não serem capazes de construir uma união positiva comigo ou com qualquer homem. Não as condeno, talvez nossos corações sejam irmãos desvalidos. O estranho é que quanto mais eu envelheço, mais me remeto ao romantismo juvenil do passado, menos vontade tenho de me mover sozinho, mais eu anseio por uma alma gêmea que me acompanhe. Mas que mulher é essa que me completaria na libertinagem bárbara em que vivo? Fragilidades que surgem com a decomposição espiritual que o tempo nos impõe.
O dia é a hora dos condenados, a noite é a ilha dos libertinos, dos náufragos, daqueles que sabem que há salvação nas sombras. Vivo assim, inexistindo sob a luz e me libertando quando escurece. Tal como Dante Alighieri, percorro o Inferno e as trevas buscando a minha Beatriz. Dentro da escuridão dos seres perdidos, não nos reconheceremos pelos rostos, mas pelo toque, pelo fragor das almas que colidem. Nosso encontro será a nossa salvação, será a quebra do infortúnio que me fez mais lobo do que homem.
É provável que eu tenha experimentado a maior parte da minha vida vivida submerso sob o manto da noite. As manhãs e as tardes foram as horas em que inexisti, como um homem comum, espremido em um escritório ou me desviando de outros homens inexistentes que caminham pelas calçadas como se o sentido da vida fosse buscar sentido na mera sobrevivência. Quando anoitece, tudo é diferente, a atmosfera fica impregnada de feromônio, somos caça e caçadores, o desejo é a força que nos move, há sangue, há substância, euforia, fatalidade. À noite não somos replicantes raciocinando caminhos para o sucesso, somos instinto, somos potência, somos outro.
Além da insônia, também me acompanhou desde a juventude a propensão em gostar de estar sozinho, de sair sozinho, uma certa idolatria gótica pela solidão. Sou lobo sem matilha. Estar sozinho para mim é sinônimo indissociável de liberdade, depois de tantos anos abraçado ao celibato a liberdade é algo próximo de uma religião na minha escala de valores.
Raramente eu desenvolvo apego romântico por uma mulher. Para piorar nunca dei muita sorte nas escolhas, dizem as más línguas que tenho o dedo podre, mas as mulheres com quem estive, com quem convivi e dividi minhas loucuras foram mulheres que amei sem amarras. Todas passaram, não ficou nem vestígio de amizade, talvez por não serem capazes de construir uma união positiva comigo ou com qualquer homem. Não as condeno, talvez nossos corações sejam irmãos desvalidos. O estranho é que quanto mais eu envelheço, mais me remeto ao romantismo juvenil do passado, menos vontade tenho de me mover sozinho, mais eu anseio por uma alma gêmea que me acompanhe. Mas que mulher é essa que me completaria na libertinagem bárbara em que vivo? Fragilidades que surgem com a decomposição espiritual que o tempo nos impõe.
O dia é a hora dos condenados, a noite é a ilha dos libertinos, dos náufragos, daqueles que sabem que há salvação nas sombras. Vivo assim, inexistindo sob a luz e me libertando quando escurece. Tal como Dante Alighieri, percorro o Inferno e as trevas buscando a minha Beatriz. Dentro da escuridão dos seres perdidos, não nos reconheceremos pelos rostos, mas pelo toque, pelo fragor das almas que colidem. Nosso encontro será a nossa salvação, será a quebra do infortúnio que me fez mais lobo do que homem.
Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Que texto maravilhoso! Uma leitura muito fascinante.
If you expect honesty, be honest!
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Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Dante escreveu: ↑14 Set 2022, 12:17 Sempre fui um animal noturno, desde a adolescência que a noite me intimava por uma atração gravitacional difícil de resistir. Adulto, adquiri uma insônia crônica, uma ansiedade brutal me assola e tenta me empurrar para fora de casa durante as madrugadas. Não sou Sol, sou sombra. Quando me relaciono, é difícil para mim me manter com pessoas que sejam mais diurnas ou que não possam estar comigo em algumas dessas noites de desassossego. Tornei-me notívago ainda muito jovem e talvez somente o cansaço inevitável da velhice possa me curar, mas não deixo de levar em conta que há doenças sem cura.
É provável que eu tenha experimentado a maior parte da minha vida vivida submerso sob o manto da noite. As manhãs e as tardes foram as horas em que inexisti, como um homem comum, espremido em um escritório ou me desviando de outros homens inexistentes que caminham pelas calçadas como se o sentido da vida fosse buscar sentido na mera sobrevivência. Quando anoitece, tudo é diferente, a atmosfera fica impregnada de feromônio, somos caça e caçadores, o desejo é a força que nos move, há sangue, há substância, euforia, fatalidade. À noite não somos replicantes raciocinando caminhos para o sucesso, somos instinto, somos potência, somos outro.
Além da insônia, também me acompanhou desde a juventude a propensão em gostar de estar sozinho, de sair sozinho, uma certa idolatria gótica pela solidão. Sou lobo sem matilha. Estar sozinho para mim é sinônimo indissociável de liberdade, depois de tantos anos abraçado ao celibato a liberdade é algo próximo de uma religião na minha escala de valores.
Raramente eu desenvolvo apego romântico por uma mulher. Para piorar nunca dei muita sorte nas escolhas, dizem as más línguas que tenho o dedo podre, mas as mulheres com quem estive, com quem convivi e dividi minhas loucuras foram mulheres que amei sem amarras. Todas passaram, não ficou nem vestígio de amizade, talvez por não serem capazes de construir uma união positiva comigo ou com qualquer homem. Não as condeno, talvez nossos corações sejam irmãos desvalidos. O estranho é que quanto mais eu envelheço, mais me remeto ao romantismo juvenil do passado, menos vontade tenho de me mover sozinho, mais eu anseio por uma alma gêmea que me acompanhe. Mas que mulher é essa que me completaria na libertinagem bárbara em que vivo? Fragilidades que surgem com a decomposição espiritual que o tempo nos impõe.
O dia é a hora dos condenados, a noite é a ilha dos libertinos, dos náufragos, daqueles que sabem que há salvação nas sombras. Vivo assim, inexistindo sob a luz e me libertando quando escurece. Tal como Dante Alighieri, percorro o Inferno e as trevas buscando a minha Beatriz. Dentro da escuridão dos seres perdidos, não nos reconheceremos pelos rostos, mas pelo toque, pelo fragor das almas que colidem. Nosso encontro será a nossa salvação, será a quebra do infortúnio que me fez mais lobo do que homem.
"...Além da insônia, também me acompanhou desde a juventude a propensão em gostar de estar sozinho, de sair sozinho, uma certa idolatria gótica pela solidão. Sou lobo sem matilha. Estar sozinho para mim é sinônimo indissociável de liberdade, depois de tantos anos abraçado ao celibato a liberdade é algo próximo de uma religião na minha escala de valores. "
Também sou assim, mestre Dante, sempre tive tesão na minha própria companhia. Nunca gostei de sair com galera, colegadas e tal, antes, isso sempre me irritou. Acho que daí começou a minha vida na libertinagem aos 18 anos. Sempre sozinho nas minhas aventuras sexuais.
Não sei de quem é esta frase, mas concordo plenamente.
"A solidão é perigosa. É viciante. Uma vez que você se dá conta de quanta paz há nela, você não quer mais lidar com as pessoas."
" O que fizeram comigo me criou, é um princípio básico do universo, que toda ação cria uma reação igual e oposta! "
V de Vingança
V de Vingança
Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Outro espetacular conto escrito pelo Dante! Adoro ler essas histórias que transbordam emoções da tela.
Não importa qual seja o meu destino, irei enfrentá-lo como um DEUS! 
Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Mais um conto incrível! Parabéns!
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Saulo Top Verified
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Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Obaaaaaa!
Estarei lá, sim, mestre Dante!
" O que fizeram comigo me criou, é um princípio básico do universo, que toda ação cria uma reação igual e oposta! "
V de Vingança
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Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Mestre Dante , me entreguei sem amarras , afim de absorver o máximo possivel o conteúdo deste relato , e aconteceu que em muitos momentos em que o meu olhar percorria a escrita do teu texto , senti o meu corpo ser teletransportado através dos meus pensamentos, e me sobrevieram também muitas lembranças de experiências às quais já vivi...
Obrigado , por me proporcionar estes momentos intensos Mestre ...
Obrigado , por me proporcionar estes momentos intensos Mestre ...
Como dizia meu avô: "O que importa , é que o meu cresça ! , e o deles diminuam !" .
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Dionizio_RJ Verified
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Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Bela leitura.Dante escreveu: ↑14 Set 2022, 12:17 Sempre fui um animal noturno, desde a adolescência que a noite me intimava por uma atração gravitacional difícil de resistir. Adulto, adquiri uma insônia crônica, uma ansiedade brutal me assola e tenta me empurrar para fora de casa durante as madrugadas. Não sou Sol, sou sombra. Quando me relaciono, é difícil para mim me manter com pessoas que sejam mais diurnas ou que não possam estar comigo em algumas dessas noites de desassossego. Tornei-me notívago ainda muito jovem e talvez somente o cansaço inevitável da velhice possa me curar, mas não deixo de levar em conta que há doenças sem cura.
É provável que eu tenha experimentado a maior parte da minha vida vivida submerso sob o manto da noite. As manhãs e as tardes foram as horas em que inexisti, como um homem comum, espremido em um escritório ou me desviando de outros homens inexistentes que caminham pelas calçadas como se o sentido da vida fosse buscar sentido na mera sobrevivência. Quando anoitece, tudo é diferente, a atmosfera fica impregnada de feromônio, somos caça e caçadores, o desejo é a força que nos move, há sangue, há substância, euforia, fatalidade. À noite não somos replicantes raciocinando caminhos para o sucesso, somos instinto, somos potência, somos outro.
Além da insônia, também me acompanhou desde a juventude a propensão em gostar de estar sozinho, de sair sozinho, uma certa idolatria gótica pela solidão. Sou lobo sem matilha. Estar sozinho para mim é sinônimo indissociável de liberdade, depois de tantos anos abraçado ao celibato a liberdade é algo próximo de uma religião na minha escala de valores.
Raramente eu desenvolvo apego romântico por uma mulher. Para piorar nunca dei muita sorte nas escolhas, dizem as más línguas que tenho o dedo podre, mas as mulheres com quem estive, com quem convivi e dividi minhas loucuras foram mulheres que amei sem amarras. Todas passaram, não ficou nem vestígio de amizade, talvez por não serem capazes de construir uma união positiva comigo ou com qualquer homem. Não as condeno, talvez nossos corações sejam irmãos desvalidos. O estranho é que quanto mais eu envelheço, mais me remeto ao romantismo juvenil do passado, menos vontade tenho de me mover sozinho, mais eu anseio por uma alma gêmea que me acompanhe. Mas que mulher é essa que me completaria na libertinagem bárbara em que vivo? Fragilidades que surgem com a decomposição espiritual que o tempo nos impõe.
O dia é a hora dos condenados, a noite é a ilha dos libertinos, dos náufragos, daqueles que sabem que há salvação nas sombras. Vivo assim, inexistindo sob a luz e me libertando quando escurece. Tal como Dante Alighieri, percorro o Inferno e as trevas buscando a minha Beatriz. Dentro da escuridão dos seres perdidos, não nos reconheceremos pelos rostos, mas pelo toque, pelo fragor das almas que colidem. Nosso encontro será a nossa salvação, será a quebra do infortúnio que me fez mais lobo do que homem.
Fui ao sétimo céu, na morada das almas dos contemplativos.
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Uma refeição sem vinho é só um café da manhã.
Re: DANTE & BEATRIZ (BY DANTE ©)
Dionizio_RJ escreveu: ↑15 Set 2022, 11:45
Bela leitura.![]()
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Fui ao sétimo céu, na morada das almas dos contemplativos.
Muito obrigado, camarada Dionizio

