BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

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Babyface
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BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Babyface »

Eis uma história real que entrou para o imaginário coletivo do RJ tornando-se uma lenda urbana.
Amigos(as)..lhes apresento Bárbara dos Prazeres...tbém conhecida como "a Bruxa" ou "onça"...primeiro imigrante, depois prostituta que caiu na feitiçaria e transformou-se numa assassina.

http://wwwrasquini.blogspot.com.br/2012 ... zeres.html

Dizem que até hoje ela assombra o arco do telles, local onde fazia ponto como prostituta. Nascida em Portugal no ano de 1770, tinha 18 anos de idade quando veio com o marido para o Brasil. No Rio de Janeiro, apaixonou-se por um mulato e assassinou o esposo para viver livremente com o amante. E até que viveu uma vidinha boa com o amante até que notou que o homem não só vivia às suas custas como também a traia. Mais uma vez, resolveu seu problema na base da faca. Marcada pelos assassinatos e sem meios de subsistência, restou à bela jovem de 20 anos ganhar a vida se prostituindo. Fez seu ponto exatamente ali, debaixo do Arco do Telles, onde angariou vasta clientela. Por quase 20 anos, ela considerou ter encontrado a sua vocação e o seu lugar na sociedade.
O Telles era um sujeito que tinha muitas terras em Jacarepaguá e também no Largo do Carmo, a atual Praça XV. Chamava-se do Carmo porque quando o convento dos carmelitas - ainda hoje de pé - foi construído, ele dava de frente para o mar, que começou a recuar no meio do século XV e em alguns anos chegou até o cais Pharoux. Quando o Rio foi elevado a capital por ser o porto que escoava o ouro das Minas Geraes, foi construída uma casa para os vice-reis, o Paço Imperial, o que valorizou a área. Assim, o Telles resolveu faturar levantando várias casas no seu terreno em frente, com a Câmara ocupando o andar superior. O projeto foi do Brigadeiro Alpoim, com o arco sendo fundamental para manter a entrada para a travessa do Comércio. No entanto, em 1790, numa loja do térreo, na ponta, conhecida como "o Caga-Negócios" (não pergunte), um incêndio que marcou época na cidade lambeu o casario e destruiu os registros da Câmara, inclusive certidões de posse e escrituras de terras. Os registros das áreas mais importantes foram logo restaurados, mas os de locais distantes e sem interesse foram deixados de lado, o que hoje em dia causa uma confusão tremenda sobre direitos em terrenos da Barra e de Jacarepaguá. Após o incêndio do casario da Travessa do Mercado, em 1790, o lugar decaiu e tornou-se reduto de marginais e antro de prostituição do mais baixo nível. Dentre as mais famigeradas figuras do Arco do Telles nessa época, sobressaiu-se a prostituta e depois a feiticeira Bárbara dos Prazeres.
Bárbara dos Prazeres. Seu apelido viria da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres que ficava sob o Arco, ali posta pelo povo na esperança de afastar os maus elementos. Mas a imagem é que acabou saindo dali atemorizada pra igreja da Sé, logo em frente. Outros acreditam que sua alcunha devia-se mesmo à sua profissão. Quase duas décadas de prostituição e pobreza não haviam conseguido arruinar a portuguesa, que ainda era uma mulher atraente. Até que foi atacada por uma doença, que especula-se que fosse sífilis ou lepra. Bárbara precisava continuar com o único modo de sustento que conhecia e dar um jeito de driblar os percalços da idade. E em busca da beleza perdida, ela procurou um remédio nas muitas casas de feitiçaria e magia negra do Rio de Janeiro, uma poção que a tornasse bonita e jovem outra vez. Uns dizem que custou todo o dinheiro que ela tinha juntado, outros, que o preço foi sua alma; de concreto, o que se sabe é que alguém lhe passou uma fórmula que teria o efeito desejado. cujo principal ingrediente era ervas, e sangue fresco. Inicialmente ela atacava pequenos animais como cabritos, leitões ou aves, muito valiosos numa colônia longínqua, mas em pouco tempo já não eram suficientes e ela começou a caçar crianças pequenas. Contam que a bruxa ficava de tocaia na Roda dos Expostos , na Santa Casa de Misericórdia, roubando os bebês ali deixados, ou mesmo atacando filhos afastados de seus pais, e meninos pobres. Tão feroz era que ficou conhecida como "Onça" e por causa dela teria surgido uma famosa expressão, originariamente uma admoestação para inquietos menores: "cuidado que a bruxa está solta". Roda dos Enjeitados (ou "dos Expostos") é uma prática antiga que consistia num dispositivo giratório instalado em conventos ou hospitais onde mães sem perspectivas depositavam seus bebês que seriam "girados" para o lado de dentro da casa e seriam cuidado pelas irmãs.
Bárbara tornou-se a criminosa mais procurada da história do Rio de Janeiro até então, mas todos os esforços foram em vão. Relatórios da polícia de antanho contam como ela executava seu ritual sanguinolento em sua tapera na Cidade Nova. Bárbara dos Prazeres as levava para o mato ou para sua casa, amarrava-os pelos pés como carne de açougue, seccionava suas carótidas para fazer o sangue escorrer para assim bebê-lo ainda quente. Acreditando que assim obteria a eterna juventude. E seguindo a versão da lepra, "ajeitava-se debaixo dos fios de sangue tépido, molhando as úlceras". As vítimas chegaram às dezenas e a cidade estava alarmada, mas Bárbara nunca foi apanhada viva. A "onça" passou a servir como uma espécie de "cuca" para amedrontar as crianças, servindo para que estas não se aventurassem nas ruas altas horas da noite. 1830, oito anos após a independência do Brasil, foi considerado o ano de sua morte pois ela simplesmente desapareceu. Por volta desse ano foi encontrado um cadáver feminino boiando na praia - alguns o identificaram como Bárbara, outros não. Fato é que não há registros oficiais da morte de Bárbara dos Prazeres até hoje e o folclore popular continuou a considerar a Onça, a terrível assombração vampira de crianças, como ainda viva e ainda à espreita de novas vítimas numa incansável e sangrenta busca pela imortalidade. O Arco do telles só conheceu seus tempos de glórias depois de construído o arranha-céu.
E transformada a área num enorme centro cultural. Como acontece em lugares que entram em decadência a tal ponto que nem derrubados são, a região manteve seu casario do tempo do bota-abaixo dando um delicioso sabor do Rio metropolitano da República Velha. A localização e o ambiente propiciaram o surgimento de montes de barezinhos e restaurantes, que abrigam de chopadas a festas eletrônicas, fechando apenas nas primeiras horas da manhã, quando, dizem alguns - e não estou inventando - que se pode ouvir, ecoando nas portas todas trancadas das casas vazias, uma risada, a gargalhada da bruxa, o riso com que Bárbara dos Prazeres em seu território, onde nem mesmo Nossa Senhora pôde disputar primazia. Embora outros garantam que o corpo de 1830 foi apenas um engodo e que Bárbara vive até hoje. Diz-se que ainda hoje, em certas madrugadas sem lua, quando já partiram os últimos garçons dos bares da Travessa do Comércio e cessou o movimento da boemia, escuta-se no beco a gargalhada de Bárbara Onça, a feiticeira, ecoando assustadoramente pelos vazios escuros do Arco do Telles.
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Diesel
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Re: BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Diesel »

Parece um conto de ficção.
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Re: BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Brand »

Interessante demais, mesmo que deva haver algumas coisas ai mais fictícias na historia, valeu mesmo, amigo Baby!
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Pandora
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Re: BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Pandora »

Credo, que medo! Que história mais tenebrosa!
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Babyface
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Re: BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Babyface »

Pois então Pandora e demais amigos,
essas lendas urbanas compõem o imaginário das cidades. Sem dúvida...'quem conta um conto aumenta um ponto'...mas não deixam de dar um charme a mais para cada lugar.

Passar pela Pça XV rumo a estação das barcas e olhar para a esquerda em direção ao Arco não dá mais para ignorar a Bárbara... :falecido:

:risada2:
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Guloso Casado
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Re: BÁRBARA DOS PRAZERES E O ARCO DO TELES

Mensagem por Guloso Casado »

Adoro essa lendas urbanas, pois fui criado no Bairro do Caju do lado do cemitério e desde pequeno ouvia essas histórias e sempre ri muito delas, pois tenho muito mais medo dos vivos que dos mortos!!!!
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