04 de Dezembro de 2025 às 10:21
Thaisa não entra num recinto; ela o anexa. É uma questão de física, não de etiqueta. Quando aquela monumentalidade de ébano cruzou o umbral, trazendo consigo o perfume de uma tempestade tropical prestes a desabar, senti meu cinismo habitual recuar para dar lugar a uma reverência quase religiosa.
Ela é grande, sim, mas "grande" é um adjetivo pífio, uma etiqueta de supermercado para algo que exige a terminologia das catedrais ou das cordilheiras. Há uma nobreza na sua estrutura, uma solidez que faz um homem sentir-se, paradoxalmente, protegido e dominado. E então, o ponto de fuga de toda a perspectiva, o centro gravitacional daquele quarto transformado em templo: a sua retaguarda.
Não sou dado a vulgaridades quando a estética se impõe com tanta força. Ver Thaisa, naquela geometria sagrada que os puritanos condenam e nós, devotos do prazer, celebramos de joelhos (ou quase isso), é testemunhar a suspensão da lógica. Aquilo não é anatomia; é topografia. Um relevo acidentado e perfeito onde meus olhos — cansados de tanta mediocridade magra e insossa — puderam finalmente descansar. A curvatura ali desafiava a gravidade, uma escultura viva que parecia zombar da minha idade e renovar meu fôlego com a promessa de um vigor que eu julgava perdido em algum arquivo morto dos anos 90.
Ela avançou e o quarto encolheu. Não eram apenas curvas movendo-se como ondas; era uma maré alta, oceânica, reivindicando cada centímetro de espaço aéreo. Aquela fartura desafiava a gravidade e zombava da minha compostura, reduzindo-me à escala de um menino deslumbrado diante de uma divindade pagã. A minha pequenez diante dela, contudo, não era humilhação; era o gatilho de uma fome atávica, a urgência de quem precisa beber direto da fonte para sobreviver à aridez da rotina.
Dobrei os joelhos não por fraqueza, mas por liturgia. O tapete barato tornou-se o chão de uma catedral. Beijei-lhe o ventre, sentindo a pele macia ceder sob meus lábios, uma seda quente que antecedia o mistério maior. Desci como quem mergulha em águas profundas, buscando o epicentro daquele terremoto. Ali, naquela geografia íntima, encontrei um cálice vivo. Não houve hesitação, apenas a entrega de um sedento ao oásis. O sabor era o da própria vida — sal, doce, ferro e abismo — e a minha devoção foi retribuída com o som gutural de quem se desfaz em prazer, enquanto seus dedos se perdiam tentando buscar meus cabelos, regendo a síncopa da minha respiração contra a sua pele.
Mas Thaisa não é mulher de ser apenas adorada; ela exige o comando. Ergueu-me do chão e reivindicou o colchão como seu trono. Quando ela se impôs sobre mim, com aquela abundância pairando sobre meu rosto, entendi o doce peso da rendição.
O encaixe foi o encontro de duas fomes. Senti a pressão firme, o calor que envelopa e a certeza de que eu era, naquele instante, o território conquistado. Ela ditou o ritmo, uma cadência antiga e visceral. A cada movimento daquela retaguarda monumental — uma paisagem que eclipsava todo o resto do mundo —, eu me perdia um pouco mais. O som dos nossos corpos colidindo tornou-se o único idioma possível, pontuado por gemidos e respirações entrecortadas, num duelo onde ninguém sai ileso, mas ambos saem vitoriosos, ainda que apenas por uma hora.
Dizem que o Natal é uma data, mas eu discordo. O Natal é um estado de espírito, e diante daquela abundância, daquela generosidade de carne firme e pele que parecia ter sido polida por um artesão obsessivo, senti a euforia pueril de quem rasga o papel de presente. Havia ali a promessa do brinquedo definitivo, aquele que não enjoa, que não quebra, que devolve ao cansado e insone a capacidade de rir à toa.
Foi um daqueles momentos raros em que a transação financeira se dissolve na névoa do deleite. Por uma hora, a vida deixou de ser um boleto vencido e tornou-se uma festa pagã. Thaisa, com seu sorriso que sabe tudo e seu corpo que promete o resto, fez-me acreditar que Mamãe Noel existe.
Ela só mudou de endereço, atende no Centro de Niterói e, graças aos deuses do hedonismo, aceita Pix.