BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
TALVEZ

O demônio é mais forte à noite — eu conversava sobre insônia com meu amigo Teixeirinha dentro de um vagão do metrô quando essa frase emergiu do banco de trás, torci o pescoço para identificar quem a expressou e dou de cara com um padre. Esbocei um sorriso amarelo, o sacerdote sorriu também e voltei ao papo com o meu camarada. Algo que me faltava, um exorcista cismando comigo.
Semanas depois, em uma noite de quarta-feira, sentado num bar em Botafogo, o bairro que é uma espécie de Canal do Panamá da Zona Sul, lembrei-me do padre e da fala sobre o demônio. Talvez ele me excomungasse se soubesse que sou um ateu fervoroso e que a minha maior fé é não ter fé em entidades abstratas. Eu esperava Larissa, outra mulher que conheci no Tinder, tenho investido muito no Tinder e já consegui ser agraciado com uns golpes de sorte.
Larissa é aquela garota de programa típica do Tinder, afirma que não é garota de programa, que a relação com ela é somente uma troca. Dito isso, após intensa negociação, ela aceitou me fazer companhia do swing do 2A2. Bonita, longos cabelos negros e corpo sarado.
Alcancei adiantado o ponto de encontro. Enviei o Uber para um endereço no Andaraí, onde a moça informou morar, e aguardei sua chegada. Eu havia ingerido aquela quantidade de uísque que nos faz enxergar a vaporosa felicidade, translúcida, dançando como odalisca diante dos nossos olhos. É quando o barulho vira melodia, o feio se torna bonito, as pupilas se dilatam e as trevas ganham a força da luz.
Sou um velho que insiste na juventude, um Peter Pan expatriado da Terra do Nunca. Emparelhei o aparelho auditivo com a trilha sonora do celular e aguardei enquanto sacolejava o corpo como um epilético ao som do riff da guitarra... Noite sem música é mulher mutilada.
THE CULT
Larissa chegou, bebeu duas taças de gim (a bebida favorita de nove entre dez mulheres perdidas) e decidimos entrar na boate. A recepção na 2A2 é sempre excelente, casa com seguranças visíveis e que nunca está vazia. Não foi diferente naquela quarta-feira, estava lotada. Um detalhe que não esperávamos, era o dia da Festa Temática Partie Nue, evento em que os clientes ficam com roupa de baixo dentro da boate.
Uma alma britânica exilada nestes trópicos de manadas obtusas, aprecio me vestir com alguma elegância, mas confesso que sou desleixado com a roupa de baixo, gosto de usar cuecas velhas, elas fazem com que eu me sinta mais confortável. Exatamente no dia do swing eu trajava uma das minha cuecas mais maltratadas, vermelha e com um pequeno rasgo em uma das nádegas. Larissa começou a tirar a roupa sem nenhuma inibição e eu travei. O que fazer?
— Deixa de ser bobo, aqui tá escuro, ninguém vai notar — Larissa tentava me motivar.
Não teve jeito, me despi e expus a minha cueca vermelha rasgada na bunda. A impressão que tive foi a de que todos me olharam no preciso momento em que me desnudei e miravam no furo vergonhoso da cueca.
— Abstrai — aconselhou-me Larissa.
Foi quando a música icônica transbordou pelas caixas de som...
DEPECHE MODE
Ébrio e abstraído, fui ao delírio. Comecei a me requebrar comovido por aquele som da década de 90 que falava sobre a minha juventude. Dancei, cantei, rebolei, joguei os braços para o alto... O bom é que a minha barriga é protuberante, mas durinha, não revelou nenhuma flacidez.
— Você é gay? — a pergunta de Larissa cortou o meu barato e denunciou que, provavelmente, eu estivesse exagerando na euforia.
Larissa bebeu mais, eu bebi mais. Ficamos de pegação e beijos imorais em um dos sofás do salão. Embriagados, decidimos subir ao andar do pecado. Vi jovens lindas praticamente nuas, seios com bicos que pareciam agulhas apontando para o teto ofereciam-se às bocas libidinosas. Entramos em uma sala escura, o vulto de um outro casal se aproximou, a mulher se roçando em mim, o homem bolinando Larissa. Minha cueca em farrapos é puxada ao chão e uma boca morna engole o meu combalido pênis enquanto escuto Larissa gemer de prazer e gritando que estava sendo penetrada. Não resisti ao boquete e gozei rápido na boca da garota que eu mal enxergava. Encostei-me exausto na parede e logo depois Larissa se apoia em mim arfando.
Concordamos em ir embora, a madrugada ia alta. Fomos em busca do Sucatão, quase me esqueci em que ponto o havia estacionado.
Entramos no carro, girei a chave do motor, acelerei e ganhamos as ruas noturnas da cidade gótica que é o Rio de Janeiro. Larissa aconchegou a cabeça no meu ombro e pousou uma das mãos sobre a minha virilha. Inseri um CD aleatório...
ECHO & THE BUNNYMEN
A melodia inundou a cabine do automóvel. Libertos de todas as amarras, soltos de todas as âncoras. Livres. Uma sensação de liberdade tão poderosa que os pneus do Sucatão pareciam bailar sobre nuvens encobrindo o negrume do asfalto.
A vida pulsa, o libertino vive...
