BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
NãO SEI
TAXA ANAL
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REPETECO
TALVEZ

O crepúsculo não é apenas uma transição — é o choque entre dois titãs. Como rios caudalosos em rota de colisão, o dia e a noite se confrontam no horizonte, duelando em silêncio por um trono de luz. No firmamento, a alvorada do escuro se insinua. Estrelas, como sentinelas ancestrais, piscam em convocação silenciosa, enquanto as lâmpadas de vapor de mercúrio — fincadas em postes que desafiam a treva — acendem suas espadas sobre o asfalto fatigado. A Lua, soberana serena, adentra em sua carruagem prateada, desbancando o Sol — esse déspota incandescente que ousa se passar por divindade.
O dia, com sua pressa e seus ruídos, é uma torrente selvagem. À noite, porém, o destino sussurra em nossos ouvidos, convidando-nos a içar velas e navegar por oceanos de mistério.
Três doses de uísque. Eis a magia. Quem há de resistir ao chamado? De repente, me vi poetizando a dança cósmica da rotação e da translação como se recitasse Homero na mesa do boteco. É por isso que prefiro os destilados — carregam em si o espírito dos deuses e o fogo da criação.
Ali estava eu, no Boteco Bacurau — minha Ítaca na Lapa, minha Caverna de Platão. Entre mesas de madeira e cadeiras rangentes, a solidão era minha musa. Não me falem dela como tragédia. A solidão é uma diva de olhos profundos, que nos beija com silêncio e nos embriaga com lucidez. Nos ensina a amar a própria sombra, a fazer do espelho um aliado, e a conversar com as paredes como se fossem oráculos.
Das caixas de som, irrompia uma melodia em êxtase:
🎵 BRONSKI BEAT — um hino melancólico de exílios interiores.
Mas não era só som. Era um fluxo elétrico que me invadia as veias, me fazia querer levantar, girar sobre mim mesmo e celebrar essa existência boêmia que escolhi como pátria.
Acredite, Forista sem fé — porque há sempre alguém lendo estas palavras como quem busca sinais entre os destroços. Naquela mesa de bar, rodeado por uma multidão que fluía como fantasmas no breu da cidade, eu era uma ilha suspensa no tempo. Um Robson Crusoé urbano, náufrago no arquipélago de concreto.
A propósito, meu nome é Dante. Porque às vezes, para cruzar o inferno, é preciso manter o nome intacto — como um feitiço, como uma senha, como um juramento.

Conheci Isabela pelo Sexlog, uma rara devota de Clubes de Swing com quem dei a sorte de esbarrar no metaverso virtual. Surpreendentemente bonita, uma morena de cabelos compridos e lisos, olhos amendoados, lábios carnudos, corpo delineado em curvas escandalosas. Sensual por natureza e por vocação.
Fomos nos comunicando pelo Whatsapp até ela finalmente chegar. Surgiu reverberando passos suaves em direção aos meus olhos incrédulos, era como ver a espuma de ondas do mar dominando a areia da praia. Tão bela que pareceu ter suspendido todas as respirações ao redor.
— Dante? — me perguntou ao estacionar diante de mim.
— Para você, eu teria qualquer nome — respondi sem fôlego.
Ela sentou-se ao meu lado. O combinado era conversarmos por algum tempo, bebermos e avaliar se haveria química para irmos juntos para o 2A2, em Botafogo. Sim, ela me pediu uma compensação financeira, mesmo que houvesse química. Aceitei. Quando vi o porte da beldade, considerei até um valor baixo.
Botafogo, 23h15. A noite ainda não havia decidido se seria céu ou inferno.
O táxi deslizou até o meio-fio como um segredo sussurrado. Isabela saiu do carro com a lentidão de quem sabe o efeito que causa no mundo. Usava um vestido vinho, rente ao corpo, como se costurado em pecado. O tecido cintilava sob a luz dos postes, e seus quadris desenhavam a coreografia de um asteroide cruzando a Via Láctea. Eu, Dante — o mesmo de sempre, perdido entre o desejo — apenas sorri, tentando fingir normalidade diante daquela epifania de luxúria e perfume.
O clube 2A2 é discreto por fora, mas por dentro, esconde um universo paralelo. Ao entrar, o som era abafado e a luz de um colorido pálido. Não havia relógios, apenas o aroma de feromônios incontidos. Como se o tempo tivesse se rendido ao prazer.
Peguei duas tequilas. Isabela caminhava ao meu lado, mas não era minha — era do momento, do cenário, do ritual que se armava entre olhares. A música deslizava pelo ar como mãos invisíveis. Corpos se misturavam em sofás de veludo, sorrisos se trocavam em códigos silenciosos. Havia uma suavidade lasciva no ambiente, como se tudo fosse permitido, desde que fosse selvagem.
Nos sentamos. Isabela cruzou as pernas com maestria milimétrica. Sua pele refletia a penumbra como porcelana aquecida. Bebemos. Encaramo-nos e rimos. Os toques começaram sutis: sua mão sobre meu joelho, meus dedos escorregando pela nuca dela como se desenhassem mapas de fuga.
— Está pronto para brincar no escuro? — ela sussurrou.
No "dark room", tudo era murmúrio e respiração. Era como estar dentro de uma pintura do Caravaggio— sombras e corpos misturados em composições intensas. Isabela guiava a cena com uma naturalidade que beirava o divino. Tocava como quem reza, beijava como quem jura lealdade ao instante.
Os outros, à nossa volta, não eram intrusos, mas cúmplices da noite. Nada ali era vulgar — era arte feita de suor, ritmo, pele e escolha. E havia algo de poético em compartilhar o desejo, como se o amor-próprio ganhasse aplausos de plateia.
Saímos do clube às quatro da manhã, com os olhos ainda brilhando do que não poderia ser descrito por completo. Exausto e com sono, preferi pagar o táxi para que ela voltasse para casa, mora na Abolição. Ela apenas sorriu, fechando a porta como quem encerra um capítulo precioso.
E eu, Dante, mais uma vez perdido entre o real e o sublime, acendi um cigarro e caminhei pelas ruas de Botafogo enquanto o amanhecer me envolvia e me anestesiava como um vampiro que adormece. Sincronizei os meus aparelhos auditivos com o celular e deixei que as batidas do Kiss guiassem os meus instintos e o impacto das minhas botas sobre as velhas calçadas que me amparavam.
🎵 SILENT MORNING
Cai o pano...


