BEIJO
SIM - GOSTEI
ORAL
SIM - SEM CAMISINHA
ORAL COMPLETO
SIM
ANAL
DISSE QUE FAZ
TAXA ANAL
R$0.00
REPETECO
SIM

"Eu sou o Desejo, não sou? É isso que eu sou; é isso que eu faço. Eu faço as coisas desejarem outras coisas. Onde eu toco, as coisas desejam, precisam e amam – atraídas por seus objetos de desejo como borboletas pela chama de uma vela."
- Desejo, dos Perpétuos
É, amigos, nada é tão igual quanto uma coisa diferente. Toda boate nova é uma promessa velha: muda o nome na fachada, muda a pintura, muda o rosto das meninas — mas o fundo é sempre o mesmo, e quem é do ramo sabe. Foi essa certeza confortável que a quebra da rotina veio testar, me levando a um lugar onde nunca estive, mas que, no fundo, visito toda semana: pessoalmente, e a todo momento, na solitude do desejo, entre um cliente e outro, entre um relatório e outro.
Estive na sempre excelente SóRelax 21, e lá me deparei com um ambiente vazio e murcho. Parecia que o feriado tinha sugado todas as energias do meu querido Centro, sobrando tão somente uma casca de si próprio. Bebericando num canto, tive a visão tomada de assalto por um clarão branco, como se estivesse num mapa de Counter-Strike e alguma alma infeliz tivesse jogado uma flashbang errada (admito: na lan house, esse infeliz muitas vezes era eu). Procurando a origem do ataque visual, notei que a casa instalou um telão atrás do pole dance, com o intuito de passar os jogos da Copa. E, quando olhei para o telão, vi algo muito melhor que qualquer jogo da nossa terrível seleção pátria: a propaganda de uma casa nova, aberta naquela semana em Niterói. Não pensei duas vezes: paguei a conta e fui direto a esse novo inferninho, essa nova chaga na noite, conferir se a regra se confirmava.
Ao chegar, fui abordado pelo segurança, que informou que a casa fecharia em breve — já eram quase três da manhã. Garanti que não haveria problema: acima de tudo, queria só dar uma olhada no ambiente e, dependendo de como fosse, voltaria em horário mais oportuno. Nisso, ele me deu uma cortesia e liberou minha entrada (só aí a casa já ganhou vinte pontos pela educação). O local é amplo, bonito e bem arrumado, com os ambientes separados: sala de fumantes, pista de dança e salão de uso comum (mais vinte pontos). Tudo novo, tudo diferente — tudo, no fundo, igual.
Quando peguei uma cerveja no bar, fui abordado por uma moça, e trocamos um papo rápido. Apesar da educação, da beleza e das promessas vazias ao pé do ouvido, meu sentido-aranha da putaria não apitou, e me retirei educadamente. Foi quando vi um grupo de meninas — e o adormecido começou a despertar. Fui direto numa magrinha de cabelos pretos, branca, belíssima de rosto, com um sorriso de enlouquecer até uma alma cínica e cansada como a minha. Ela me olhou, sorriu de novo e perguntou como eu estava. Garanti que não importava como eu estivesse até aquele momento: depois de vê-la sorrir para mim, só fazia sentido o dali em diante. Ela riu, me abraçou, e começamos a conversar.
O papo fluiu fácil, como se nos conhecêssemos fazia tempo, e, entre um drinque e outro, fiz minhas perguntas de praxe. Fomos à alcova — ao combate do guerreiro das estradas noturnas.
Foi ali que descobri que, por trás daquela carinha angelical, se escondia algo mais antigo, mais estranho, mais primal. Um djinn, talvez, ou espírito semelhante. Fosse o que fosse, estava faminto — e a mim coubera a missão de saciá-lo. Ela me beijava como quem quer arrancar algo de dentro, extrair cada gota do meu desejo. Entregou-se com sofreguidão, com um ardor que precisei rebater com pressão firme, porém calma, para que nos encontrássemos no meio do caminho. Ela me segurava com força, me obrigava a olhar nos olhos dela — e eu sustentei a força daquele olhar com toda a serenidade que ainda me restava, cadenciando o fogo dela.
Por fim, saímos ambos exaustos e satisfeitos. Lá fora, o sol já brilhava, como que acusando os boêmios por ainda estarem na rua, punindo os últimos inimigos do fim. Mas, findo o ato e paga a conta, encarei a manhã de cabeça erguida e desafiei a luz primordial do céu azul. A casa era nova; a noite, a mesma de sempre. E ainda bem.
O que é o Sol, para quem sustentou a força de um olhar repleto de desejo?
