Sempre fiquei surpreso com a quantidade de mensagens que recebo pelos fóruns. Muitas mensagens de elogios aos relatos, outros querendo confirmar dicas, alguns para me dizer que meus textos os inspiram no desejo de voltar a curtir a vida e uns poucos me aconselhando a "escrever um livro". Já recebi mensagens até de policiais, sociólogos, produtores culturais e universitários querendo puxar papo e saber mais da vida libertina. Também recebo mensagens de meninas que se dizem fascinadas pelo que escrevo, me convidando para sair, manifestando a vontade de ganharem um TD. Olha, é muito bacana isso. Para um velho professor, um jornalista, um escritor apaixonado, o retorno de quem lê equivale a um prêmio e preciso que agradecer. Não agradeço por vaidade, pois há muito tempo abandonei esse pecado, agradeço por vocês me mostrarem o poder da palavra, o valor do texto, a importância de escrever. Como profissional, isso me traz um enorme entusiasmo.
Por esses dias, veio uma mensagem comovente, de uma menina que me pediu para não a citar por receio dos ataques de raiva das concorrentes (a que ponto chegamos). Ela me dizia considerar uma injustiça imensa as opiniões de outras colegas dando a entender que foristas não merecem tratamento diferenciado nenhum, que ficava impressionada por não reconhecerem a importância de participantes da minha mesma safra dentro do fórum. Concluía a mensagem afirmando que a vida dela seria muito mais difícil sem os foristas, sem os clientes do fórum que escrevem sobre ela, que é eternamente grata a mim e a outros foristas que proporcionavam a ela viver dignamente do trabalho que decidiu escolher. Digo a vocês com toda a sinceridade, me emocionei demais com o que essa menina me escreveu, provavelmente por estar sensibilizado com as atuais circunstâncias que nos envolvem. O Dante é um personagem que ensina muito ao seu autor.
Já ajudei muitas garotas, durante a minha longa jornada algumas me pediram TDs para sair do sufoco ou consolidar a fama, nunca me neguei a ajudar, nem quando estive assoberbado de tarefas da minha própria vida. Em troca recebi indiferença, ingratidão e pouquíssimo reconhecimento. Relevei porque pessoas especiais são raras e os estorvos são abundantes na vida. Essa menina que me escreveu palavras tão doces, que eu adoraria citar o nome e enaltecer aqui, me deu uma lição de grandeza. O importante é que ela se reconhecerá neste texto.
Neste ano de 2021 perdi um membro amado da minha família, caí em uma depressão abissal, fiquei perdido, morri um pouco também e ainda estou tentando emergir do buraco negro que me tragou. Nos fóruns, desde que comecei, fui vítima de muito ódio e ressentimentos motivados pela inveja, pelo recalque de quem não aceitava o meu destaque através do estilo que inaugurei, pelo pensamento crítico que costumo ser; por outro lado, se aproximaram de mim os mais inteligentes, aqueles que reconhecem talentos e sensibilidades especiais, se toraram meus amigos, alguns com quem falo todos os dias. O ódio dos sem talento descartei, mas o carinho de quem encontra nos meus textos um entretenimento que faz diferença no dia a dia, esses eu guardo no coração. Sou um cronista e cronistas amam os leitores. Todos os que me escreveram mensagens com palavras de reconhecimento e afeto me ajudaram muito a conviver com uma dor que é insuperável, foram boias em que agarrei para não me afogar. Digo a vocês o mesmo que a menina que me agradeceu fez questão de dizer: muito obrigado.




